Quarta-feira, Maio 21, 2008
majestoso

imponente, majestoso, belo
adjectivos que não exagero aplicar
acima de tudo, fábrica de sonhos
Etiquetas: bugio, independence of the seas, navegar
doces sabores da costa
Na Costa de Caparica, o doce que a memória popular apresenta como genuíno produto da vila dá pelo nome de "Claudino" e era tradicionalmente fabricado pelo extinto Costa Nova, café e pastelaria que fez época na Costa de Caparica e cujo nome homenageava a origem de muitos ílhavos, logo, região de Aveiro. Daí que se não estranhe que um dos principais ingredientes dos "Claudinos" seja o doce de ovos.
Passado quase meio século os "Claudinos" passaram a ser fabricados pela quase totalidade das pastelarias da Costa e, hoje em dia, por quase todo o País. Curiosamente, quando fabricados fora da Costa de Caparica tomam muitas vezes o nome de "Caparicanos".
"Claudinos" e "Garibaldis", outra especialidade muito apreciada na Costa, fazem par no capítulo da doçaria com os gelados que de muito boa qualidade são igualmente produzidos na Praia do Sol.
Etiquetas: costa de caparica, doçaria tradicional
Terça-feira, Maio 20, 2008
luar de maio

a lua de maio desejou ser vista
na noite de sua plenitude
afastou decidida a cortina de núvens
Etiquetas: luar
pôr-do-sol na arriba
Quando o Sol, no seu diário movimento, mergulha com doçura no Oceano, lá bem longe na linha do horizonte, vai criando uma mudança ímpar na paleta das cores da Natureza. Do azul, como só existe no céu da Caparica, passando por vermelhos que são tonalidades diversas do fogo, escurecendo até quase ao negro para depois, numa reviravolta na paleta das cores, fulgir em doirados únicos e maravilhosos.
Os pescadores usam dizer que “os caranguejos puxam o Sol para o mar”.
Sugiro uma ida até à arriba sobranceira à Fonte da Telha, ali para os lados onde se diz terem existido minas do áureo metal, para admirarem a mais bela imagem do pôr-do-sol esplendoroso com os pinheiros mansos em contraluz.
Etiquetas: arriba fóssil, caparica
Segunda-feira, Maio 19, 2008
suavidade

nasce entre agrestes caules
verdes de espinhos cobertos
resistente à seca dos tempos
Etiquetas: flores de cactos
noites de almada
A noite dos jovens e dos menos jovens é vivida nas imediações da Capitão Leitão, antiga Rua Direita, de grandes tradições na vivência almadense, a cair para os lados do Tejo, nas zonas do Miradouro e do Castelo.
Os pequenos bares acolhem, a cada noite que passa, centenas de visitantes que na justificação de "um copo" conversam como somente os almadenses sabem conversar, sobre os temas do momento e as preocupações do dia-a-dia. Os forasteiros integram-se facilmente na grande convivialidade das gentes de Almada, ganhando o estatuto de cidadania se mais do que uma vez aparecerem.
Almada está habituada, desde tempos imemoriais, a acolher no seu seio gentes de terras distantes e diversificadas, de cores e credos diversos, propiciando a sua perfeita integração. Grupos alegres, por vezes muito "alegres", percorrem incessantemente as ruas e calçadas da cidade que já albergou nas suas muralhas D. Nuno Álvares Pereira e o Prior do Crato, quando Lisboa lhes foi agreste.
Mas não só na cidade de Almada a noite é assim vivida. Também no seu termo, um pouco por toda a parte, os beberes e comeres da região apelam à nossa presença e Cacilhas, Piedade, Feijó, Laranjeiro, Sobreda, Pragal, Charneca, Caparica, Costa e Trafaria encerram em si segredos que urge descobrir.
Etiquetas: almada
Domingo, Maio 18, 2008
gigante tão pequeno

gigante, o maior do mundo
em toda a sua pequenez
perante a dimensão do universo
Etiquetas: independence of the seas, navegar
fome
Uma sociedade baseada na mais desenfreada especulação financeira, em que a distância entre os “muito ricos” e os “mais pobres” se acentua cada vez mais, é uma sociedade sem futuro. Está na mão e no querer de cada um de nós e de todos colectivamente fazer inflectir este cego caminhar para o abismo social.
Portugal está a atingir em pleno século XXI, o século do saber partilhado e do grande desenvolvimento tecnológico, os índices mais elevados de carência alimentar dos últimos 30 anos, enquanto empresas, muitas delas ligadas a grandes grupos económicos multinacionais, continuam num escandaloso acumular de lucros a distribuir por um número restrito de pessoas.
São esses mesmos grupos que manipulam e controlam a situação geopolítica internacional por forma a apoderarem-se das principais fontes energéticas mundiais, especialmente, no âmbito dos hidrocarbonetos.
E neste entretanto, uma faixa cada vez maior da população portuguesa, para já não falar de Europa e do Mundo, vive em permanente carência alimentar, chamemo-lhe FOME sem receio da dureza da palavra, agravada por condições sub-humanas de habitação e impedimento real de acesso ao ensino.
Josué de Castro que foi presidente do Conselho da F.A.O. (Organização da Alimentação e da Agricultura das Nações Unidas) entre 1951 e 1955 dá conta das dificuldades à época para lutar contra a situação calamitosa que conduzia a que 2/3 da população mundial vivesse em estado de subalimentação real: “...E durante esses quatro anos pudemos comprovar como é difícil vencer as resistências impostas pelos interesses particularistas dos países e dos grupos económicos...”.
Mais de cinquenta anos volvidos a situação e os entraves mantém-se, se é que se não agravaram. Como escreveu Manuel Jacinto Nunes “Não é preciso afirmar, como Josué de Castro, que “a fome é um flagelo criado pelo homem”, basta afirmar que “a fome é um flagelo consentido pelo homem” para que se tenha que considerar como um dos objectivos fundamentais da humanidade a extinção desse flagelo”.
Recomendação de leitura: “Humanidade, FOME e Subsistências”, Associação de Estudantes de Ciências Económicas e Financeiras, 1965
Etiquetas: actualidade
Sábado, Maio 17, 2008
ilumina a vereda

ilumina a vereda ao passar do caminhante
recolhe do sol a energia
que partilha a cada dia que passa
Etiquetas: flores da mata
caminhar nos medos
Inserida na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, a Mata dos Medos consiste num vasto aglomerado arbóreo que foi mandado semear pelo rei D. João V, com o objectivo de fixar as areias das dunas sujeitas ao efeito de erosão dos ventos e que invadiam os terrenos agrícolas do interior.
A Mata dos Medos está constituída desde 1971 como Reserva Botânica protegida por lei e abrange 338 hectares de floresta, onde predomina o pinheiro-manso, embora se possam observar diversas espécies arbóreas de importante valor.
A Mata dos Medos pode ser percorrida pedonalmente por dois caminhos diferentes que passam junto às principais espécies arbóreas e também de arbustos com passagem obrigatória por um dos miradouros sobranceiros às praia e de onde se desfruta magnífica panorâmica, desde a Serra de Sintra a Norte, até ao Cabo Espichel e Serra da Arrábida a Sul e a Nascente.
O Poente fica reservado para um deslumbrante pôr-do-sol quando o astro-rei mergulha aparentemente nas azuis e amplas águas do Oceano Atlântico.
Neste percurso por tão delicada região todos os nossos sentidos são estimulados de forma única. Debaixo da sombra protectora dos pinheiros-mansos, vários arbustos podem ser identificados nas suas cores e odores ímpares. A sabina das praias, com suas bagas vermelhas, o medronheiro, cujas baga de amarelo a vermelho, consoante a maturação, são comestíveis e possuem um ligeiro teor alcoólico.
Os odores do rosmaninho, do alecrim, do tomilho e da salva inebriam-nos os sentidos e acompanham toda a nossa viagem. Lá mais no alto, pairando no azul do céu, podem ser observadas as águias reais, o peneireiro, o mocho galego ou a coruja do mato. A não perder é a oportunidade de observar a vivência dos corvídeos da Mata dos Medos em agregado familiar de um macho e de duas fêmeas.
Etiquetas: mata dos medos
Sexta-feira, Maio 16, 2008
três andares e anexo

neste paraíso viver
significa aumentar a família
Ninhos de andorinhas, Castro Verde - Portugal
Etiquetas: andorinhas
mais uma vez...
Para o meu amigo fotógrafo e companheiro de longas caminhadas.
Arrumava-se agitadamente. Sentia-se ansiosa afinal era aquele seu primeiro desfile. Muitas vezes viu de olhos brilhantes toda aquela gente colorida e alegre passar.. muitas vezes sonhou ser uma delas. Sentia o batuque estremecer seu coração. Sua cultura a fazia se sentir viva, alegre e sonhadora. Agora só lhe faltava o cocar que ajeitou carinhosamente na cabeça deixando alguns cabelos soltos na frente e levou nas mãos o cocar que iria entregar a alguém. Certamente não parecia uma índia muito verdadeira mas, havia algo em sua alma que a fazia a índia mais feliz naquele momento.
Vamos vamos! Gritava o mestre.
Desfilaram pelas ruas do Recife antigo sentindo o calor de toda aquela gente da terra e muitos olhos encantados que vinham de todos os lugares do mundo.
Ela sempre que possível procurava um clique de uma determinada máquina fotográfica. Já havia atravessado quase toda a rua e não havia conseguido encontrar o fotógrafo que com ela subia e descia as calçadas da cidade a viver a sentir os movimentos daquela gente. Mas ela sabia que ele estava por lá. Ela sentia.
Sentiu uma ligeira tontura e precisou buscar pelo apoio de alguém que estivesse próximo. Segurou no braço de alguém até sentir que estava bem outra vez. Quando se recuperou, viu os olhos do fotógrafo a olhar nos seus. Sorriu, beijaram-se e ainda mais feliz seguiu até ao final do desfile.
Texto da minha querida amiga Lualil, do blogue Traduzir-se...
Etiquetas: parcerias
Quinta-feira, Maio 15, 2008
simples candeeiro

embora trabalhado com arte
e de grande utilidade na nos tempos presentes
Candeeiro de Rua, Castro Verde - Portugal
Etiquetas: candeeiros
tapete de flores de jacarandá
Em Junho já avançado as flores dos jacarandás formam um tapete de cor e de luz sobre a calçada que lentamente vão cobrindo num convite, até mesmo numa declaração de afecto, a que a ninfa que vem do Tejo por ele caminhe, deslize como uma bailarina que em pontas percorre o espaço e o tempo sem no solo tocar.
Sinais da suave Primavera a convidar ao romance que os dias de cálidas temperaturas se aproximam, a despertarem paixões, pois são estas no seu renovar que fazem avançar o mundo no sentir dos amantes.
O florescer dos jacarandás é como um passe de magia que em instantes transforma as cinzentas cidades em coloridos quadros, vibrantes e sensuais, um apelo à participação, ao envolvimento, ao inspirar profundamente odores que nos transportam a mares de tranquilidade infinita.
Quando passarem sob a frondosa copa de um jacarandá ele sempre deixará cair uma pequena flor, oferta pessoal, galanteio à forma suave de pisar o tapete lilás por ele estendido na calçada.
Etiquetas: pequenas estórias
Quarta-feira, Maio 14, 2008
para ti, minha amiga...

cada frase que deixam é um inspirado poema
como retribuir? com a mais bela rosa do meu jardim
A mais bela rosa do meu jardim, Charneca de Caparica, Almada - Portugal
NOTA: iniciamos hoje a utilização de uma nova moldura para enquadrar as fotografias do nosso amigo Olho de Lince. A ideia à sua dona - obrigado querida Lila
Etiquetas: rosas
barco do amor
Um barco ou outro navegava timidamente rio acima, ora um cargueiro rumo ao porto, ora um barco de recreio que se deixava deslizar sem rumo certo, navegando muitas vezes à bolina, na espera da concretização de um desejo que nascera dias antes com a anunciada vinda a Lisboa do “gigante” Independence of the Seas na sua inaugural viagem desde Southampton até ao Mediterrâneo e regresso ao mesmo porto do sul de Inglaterra.
Às 17 horas exactas ao som festivo dos sinalizadores sonoros de bordo, que troaram de Vila Franca até à Barra, encetou o maior barco do mundo (em tonelagem flutuante) a sua viagem de saída de Lisboa, deixando para trás a Ponte Sobre o Tejo iluminada por alguns raios de sol que teimavam em coar através do céu de cinzento chumbo.
Poucos minutos volvidos passeava toda a sua grandiosidade frente a Porto Brandão na cala norte do rio, rumo à barra e a contornar o Bugio. A altura dos seus 18 decks impressionante quando comparada à altura do Padrão dos Descobrimentos e da Torre de Belém. Da suavidade com que deslizava nas águas do Rio Tejo só encontro comparação na relação que com este rio tem a Ninfa de Duas Margens, aquela que Camões não teve oportunidade de conhecer senão a teria cantado nos seus poemas mais inspirados.
Fui até ao Bico da Areia ver o Independence of the Seas afastar-se rumo a poente, depois inflectir para sul, embora o rumo a seguir o iria levar para norte, até ao porto de Vigo. Mas isso seriam manobras para o mar alto, em pleno Oceano Atlântico. Acompanhei-o visualmente até começar a desaparecer mar adentro.
Na linha do horizonte o céu estava negro de breu, chovia copiosamente, o maravilhoso navio que minutos antes saíra do Rio Tejo mais parecia um “navio fantasma”, da fantasia do nosso imaginário.
Etiquetas: pequenas estórias
Terça-feira, Maio 13, 2008
secular memória

é uma memória de vida passada
saber secular
Árvore secular fronteira à Basílica Real, Castro Verde - Portugal
Etiquetas: texturas
lesa património
A capela local é circundada por um espaço ajardinado, bastante cuidado, que percorri vagarosamente na procura de um painel de azulejos alusivo a Nª Sª do Cabo que me falaram aí existir e de que já havia visto uma fotografia. Agora procurava o painel real e o primeiro local a visitar foi a referida capela com resultados negativos. Nem viva alma a quem perguntar.
Na fiada de casas baixinhas, com certeza da origem da localidade pois era esse o uso da construção em épocas idas, que dá para as traseiras da capela uma porta aberta indicava que andaria gente por perto. Para entrar tive que baixar bastante a cabeça, desci dois ou três degraus e entrei num compartimento de reduzidas dimensões somente com uma mesa e seis homens idosos sentados ao seu redor.
Quatro deles carteavam e dois assistiam interessados. Senti algum acanhamento em interromper, mas sempre fui dizendo: “Conhecem a existência por aqui de um painel de azulejos que representa a Nª Sª do Cabo?” Olharam-me por instantes com alguma estranheza, até que um dos convivas acabou por responder: “Olhe, corta aí no beco à esquerda, logo a seguir àquele prédio que tem dois barris... é logo ao fundo desse beco”.
Não foi difícil chegar ao local indicado. Por cima do portão de uma garagem, meio encoberto por uma barra de ferro carcomida da ferrugem e amputado nos seus laterais pelas mais recentes obras na parede da garagem aí está o painel de azulejos que eu tanto procurara.

Etiquetas: pequenas estórias
Segunda-feira, Maio 12, 2008
janela de balcão

que decora a janela de galão amarelo
embeleza e dá segurança
Janela de balcão, Castro Verde - Portugal
Etiquetas: janelas
mar eterno
Festejas em espuma branca e leve o vigor da Natureza
Inspirada bailação ao ritmo do sentir e do querer
Crias obras de arte, desenhos, esculturas, qual artista genial
Inventas novas formas, cores e traços que aplicas com firmeza
Na tela da vida, no devir, que do sonho se faz viver.
A transparência da água é como a alma do músico ou do poeta
De mansinho vem beijar as areias que o Sol aquece e ilumina
Amando cada momento do tempo que passa veloz sem parar
Só medido pelo fluxo de areia fugidia da velha ampulheta.
Inebriantes melodias enchem o ar com sons de ocarina
Dando companhia a palavras certas da arte de versejar
E o mar, sábio pela vivência e pelo muito observar
Indica a rota a percorrer para o sonho atingir
Amizade, que amor mais forte não há , na certeza do pensar
Solidariedade o sublime sentimento de quem melhor sabe sentir.
Etiquetas: poesia
Domingo, Maio 11, 2008
rendilhado em lilás

tão belo rendilhado desenhar
e em tons de lilás colorir
Flor da "Centaurea scabiosa", Mata dos Medos, Charneca de Caparica, Almada - Portugal
Etiquetas: flores da mata, mata dos medos
A menina dos telefones
Aliás, a disponibilização dessa faculdade de dar a conhecer quem connosco pretende contactar é obra dos sistemas digitais, pois com os analógicos tal não era possível. A informação disponibilizada avança no sentido e na proporção inversos ao desenvolvimento do contacto humano que regride a olhos vistos com o tempo que passa.
Veio-lhe à memória os tempos em que de férias numa aldeia do oeste do país, que ao tempo lhe parecia distante e isolada e que hoje está a escassos minutos de uma das amplas vias que cruzam e rasgam o território nacional, o fazer uma chamada telefónica era um verdadeiro ritual.
A magia de ouvir a voz de um ente querido que se encontrava a muitos quilómetros de distância envolvia muito mistério e fantasia e a preocupação enorme de cumprir uma sequência de passos que previamente haviam sido estabelecidos. Não era rara a situação em que ao ouvir-se através desse “misterioso” equipamento, o telefone, uma voz amiga do outro lado da linha uma lágrima furtiva teimasse em rolar pelo rosto.
Quando se pretendia estabelecer um contacto telefónico e após levantar o auscultador e dar voltas insistentes a uma pequena manivela ouvia-se do outro lado uma voz feminina responder: “Troncas…”- Era a menina dos telefones.
Todos na aldeia sabiam o nome da “menina dos telefones” que cumprimentavam em nome próprio ao que ela da mesma forma retribuía. Era então pedido de viva voz o número pretendido, número de poucos dígitos pois os telefones existentes eram poucos, e após algum tempo destinado a colocar cavilhas e fios nos alvéolos correspondentes aos dígitos era estabelecida a comunicação.
De um modo geral os telefonemas eram feitos com hora marcada para permitir que ambos os intervenientes se deslocassem aos locais onde existiam os aparelhos de telefone, pois eram raras as casas particulares, somente os mais abastadas, que os possuíam.
Quando a conversa terminava ainda havia tempo para a despedida da telefonista que muitas vezes quando o tema lhe parecia interessante tinha funcionado como precursora das actuais e tão faladas “escutas telefónicas” para o que se limitava a encostar a cavilha dos seus auscultadores à linha em comunicação...
Etiquetas: pequenas estórias
Sábado, Maio 10, 2008
senhorial

nas cores do alentejo profundo
na tranquilidade da grande planície
Janela de casa senhorial, Castro Verde - Portugal
Etiquetas: janelas
o paralelepípedo
Paralelepípedo é pedra de calçada
Que apoia a caminhada do romeiro
É marco, é sinal da rota desejada
Na senda do sonho, querer primeiro.
Pedra talhada de calcário ou de basalto
O paralelepípedo tem a forma do caminhar
Eleva o sentir ao seu ponto mais alto
Traça uma rota do partir ao chegar.
O descanso do romeiro é uma pausa
No caminhar rumo à luz, ao infinito
O paralelepípedo é o símbolo de uma causa
E assim está dito e assim está escrito.
Escrever um poema, responder ao desafio
Lançado por alguém que é muito sábio
É atrever-se a bailar palavras, acender o pavio
Ler o paralelepípedo, qual astrolábio.
Etiquetas: poesia
Sexta-feira, Maio 09, 2008
toc toc ó da casa!

entre!
quem vem lá?
batente duplo com figura humana, casa antiga em Castro Verde - Portugal
Etiquetas: batentes
tempo de festejar
Tempos de fertilidade, a Natureza parece estar em festa, que os seres humanos sem dúvida que o estão. Comemoram santos populares, artimanha encontrada nos primórdios do Cristianismo, para se apoderar de festividades pagãs na sua génese. É sempre assim, o Povo celebra os sentires as instituições apoderam-se dos quereres.
Mas o Povo continua a festejar...
As aves mais novas, muitas delas não viram antes esta época do ano, ensaiam voos mais altos e mais amplos na procura dos insectos que se elevam no impulso das isobáricas ascendente. Apresentam sinais de alguma desorientação, mas muito em breve se adaptarão às novas condições climatéricas e voltarão a dominar o espaço como antes.
Os dias já são mais longos. O Sol perdeu a sua preguiça invernosa e agora levanta-se cedo, faz com que o “raiar da Aurora” seja temporã. Os melros do pinhal não alteram o seu relógio biológico. Os seus piares estridentes, comunicando com os seus semelhantes a hora da alvorada. Lá para o fim do dia virá o sinal de recolher, ouvido pelos seus semelhantes a dezenas de quilómetros de distância.
As manhãs são sempre barulhentas. Gorjeios de pássaros e de cigarras começam muito cedo e, do outro lado da rua, um papagaio imita todos os sons que ouve. Enfim uma verdadeira alvorada festiva celebrando a vida, o renascimento, o Sol se levanta mais cedo para participar da alegria e sente uma dificuldade enorme de ir-se embora.
O por do sol é uma explosão de cores colhidas durante o dia.
O fotógrafo desejaria ter “engenho e arte” para eternizar estes momentos, por isso segue cada minuto com a câmera fotográfica pendurada ao ombro.
Mas aquele olhar perdido, no desassossego dos sentires, procura sempre a próxima estação do ano...
Etiquetas: pequenas estórias
Quinta-feira, Maio 08, 2008
simplesmente flor

que todas as belezas desenha e dá cor,
Flor do Jardim 25 de Abril, Aljustrel - Portugal
Etiquetas: flores de jardim
um sorriso
Quarta-feira, Maio 07, 2008
moinho de castro

ampla e vasta como as terras do alentejo
o moinho de ancestral e belo
Moinho de Vento na Feira de Castro, Castro Verde - Portugal
Etiquetas: moinhos de vento
uma lágrima
...e melhor ainda quando há alguem que a ampara, (mesmo que seja em pensamento).
Etiquetas: pensamentos


