Segunda-feira, Julho 13, 2009

gostas de amoras?

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hoje há amoras…

Amoras silvestres, claro.

São os frutos mais bonitos e saborosos de toda a família das rosáceas “Rubus”, vulgarmente designadas por silvas. A silva é uma planta muito invasiva “liquidando” todas as outras ao seu redor, pelo que é muito desejada como vedação de terrenos e pouco querida nas zonas ajardinadas.

A flor da silva é uma flor muito sedosa e suave contrastando com a envolvente de caules e folhas, tendo os primeiros muitos espinhos curtos, levemente encurvados e aguçados.



As amoras silvestres são um fruto do tipo pseudobaga, assim designado pelo facto de ser um fruto que agrega em si uma quantidade significativa de drupas. Tem um sabor característico, de certa acidez, muito apreciado na confecção de doçaria e de licores.



Existem dezenas de receitas de doçaria que utilizam como base as amoras silvestres. Apresentamos aqui uma, a título de exemplo, recolhida no sítio “Doces & Sobremesas”, na qual introduzimos ligeiras alterações de forma a adequá-la ao nosso paladar pessoal e evidenciar as características específicas do fruto.

Compota de Amoras Silvestres



Ingredientes
Q.b. de amoras
Q.b. de açúcar
1 casca de limão
1 pauzinho de canela

Confecção
Para o peso de amoras use 0,75 do peso de açúcar. Lave bem as amoras. Num tacho de ir ao lume deite as amoras, o açúcar, a casca de limão e o pau de canela e leve ao lume brando. Mexa sempre com uma colher de pau para não pegar, sobretudo ao fundo. Assim que atingir a consistência de doce, retire do lume, deixe arrefecer e deite em frascos próprios de compota, previamente esterilizados.

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Domingo, Julho 12, 2009

alegria do meu sentir

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lenda dos ferreiros do espinhal

lendas das terras visitadas
De medos e fantasias, de desejos e imaginação, criaram-se em tempos imemoriais estórias que a razão desconhece. No aconchego da lareira ou na árdua labuta diária, quantas vezes de sol a sol, foram percorrendo os saberes de gerações. O viajante andarilho recolhe e partilha as “lendas das terras visitadas” ouvidas às suas gentes.


No termo de Penela, em plena serra do Espinhal, existem dois montes de forma cónica que sobressaem da paisagem serrana, quer pela forma quer pela altura, distando entre si não mais do que dois quilómetros – o monte do Pinoco e o da vigia de incêndios.

Conta a lenda, essa “arte” milenar de transmitir, de geração em geração, o saber e o património imaterial de um Povo, terem sido habitados por dois irmão, ferreiros de profissão, o Melo e o Jer.

Vivendo cada um em seu monte, possuíam ambos a sua própria forja, embora o martelo, ou o malho como na época se chamava, ser único, pelo que era por eles usado alternadamente.

Quando um dos irmãos necessitava de utilizar o malho, pedia-o com o seu vozeirão que ecoava de monte em monte, e logo o outro o atirava com a sua força de gigante, compleição física de que ambos eram possuidores.

Um dia Jer zangou-se com o irmão e atirou o malho com tanta força que este se desconjuntou: o cabo de madeira de zambujo para um lado, o ferro do malho para o outro, caindo na encosta do monte Melo com tanta força que fez brotar uma fonte de água férrea. O cabo de madeira foi espetar-se na encosta do monte, donde nasceu um zambujo, ou zambujeiro, cuja proliferação terá dado origem ao lugar de Zambujal.

Ainda hoje, para dar algum fundo de verdade a esta lenda tão regional, são visíveis as ruínas de uma forja no cimo do monte Melo. Também em Jermelo ainda hoje trabalha na sua arte o único fazedor tradicional de tesouras de tosquia.




Esta lenda, a lenda dos ferreiros da serra do Espinhal, foi-me contada, dentro das ameias do Castelo de Penela, pela historiadora Palmira Pedro, amante da sua terra e das suas gentes e extraordinária “contadora de estórias”.

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Sábado, Julho 11, 2009

sinal de esperança

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a penitência da cerveja preta

Conta a tradição que os monges de Munique, em plena Idade Média, nas suas divagações alquimistas, criaram uma beberagem com origem nos grãos de cevada torrados que não era, nem mais nem menos, que a cerveja preta, a que chamavam pomposamente “pão líquido”. Escusado será escrever o quanto “abusavam” desta deliciosa bebida de forte travo mas ao mesmo tempo borbulhante e refrescante.

O facto assaz curioso, eram notórias as tremendas bebedeiras que os monges apanhavam com frequência, chegou ao conhecimento do Papa que, de pronto, quis saber que bebida seria essa. Enviou mesmo a região bavárica uma delegação de clericais cientistas para avaliarem da razão e dimensão deste tão estranho acontecimento.

Pouco resultou dos relatos dos membros desta delegação, atabalhoados nas conclusões, contaminados pelos efeitos desta tão exótica beberagem. Ao ponto de o Papa ter enviado uma intimação para que transportassem para Roma amostras deste líquido castanho onde seria analisado pelos maiores especialistas.

Com os transportes demorados da época, a longa distância entre Munique e Roma foi percorrida em muitos dias, quiçá, longos meses, o que levou a que quando a cerveja preta chegou à prova do Papa estava tão azeda e intragável que este decretou que aquela beberagem passasse a ser tomada como penitência.

Para os mais pecadores, o castigo era logo ministrado ao pequeno-almoço. E repetia-se algumas vezes ao dia. Donde ficou o hábito nesta cidade da Baviera de que as primeiras cervejas do dia fossem logo tomadas pela manhã. Há mesmo locais em que até ao meio-dia a cerveja é tomada como penitência pelo que somente servem cerveja preta.

Loura, preta ou ruiva a cerveja bem gelada mais do que uma bebida para refrescar ou acompanhar uma refeição, é uma verdadeira companhia. Há mesmo quem mantenha dois dedos de conversa com uma “loirinha” bem gelada.


Mas... “estupidamente gelada” é um mito. O seu paladar único e esquisito é alterado pelas temperaturas demasiadamente baixas.

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Sexta-feira, Julho 10, 2009

tua cor fulgente

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a lenda do colibri

Conta a lenda, melhor, a tradição que passa de geração em geração, que no tempo em que os animais falavam havia uma terra muito bonita, coberta de denso arvoredo, onde os animais e as coloridas aves viviam em harmonia.

Um dia, sabe-se lá por que razão, enormes labaredas começaram a devastar o arvoredo, provocando muito fumo e calor, fazendo com que os animais, mesmo os de maiores dimensões, debandassem em fuga.

No meio de tamanha desgraça um pequeno pássaro de mil cores, um colibri, voava rápido desde um charco das redondezas até á zona onde o fogo destruía rapidamente as árvores e arbustos. Levava no longo bico uma gota de água que deixava cair sobre o fogo. E logo regressava ao charco para ir buscar uma outra gota.

Os outros animais olhavam-no com um sorriso irónico enquanto abanavam as cabeças.

_Colibri! Vem cá! O que estás a fazer? Não vês que com essa pequena gota que deitas no fogo nunca o apagarás?

_Eu estou a fazer a minha parte..., respondeu o colibri.

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Quinta-feira, Julho 09, 2009

roda, roda sem parar

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terra plana e monte cal

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião





No norte do Alentejo
Já no termo de Fronteira
A magia que revejo
Como fosse vês primeira

Traz-nos equilíbrio ao palato
Direi mesmo harmonia
Ao degustar com recato
Um vinho de fidalguia
Produzido com afecto
Ganha sabor divinal
Do mundo o arquitecto
Em terras de Monte da Cal

O sol do Terra Plana
Aragonês e alfrocheiro
Belos odores que emana
Nos sabores é o primeiro.




O meu amigo António Sousa (ex-Megera TV e outras cenas que tais) andou de mesa em mesa, qual trovador romanesco, a recitar este "poema vínico" enquanto os comensais degustavam os vinhos nele citados

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Quarta-feira, Julho 08, 2009

suavidade do teu sentir

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tinta permanente

A mão insiste
Em pegar na caneta,
Como em tempos idos
Acariciava a pena
Na ânsia de passar para o papel
Sentires furtivos,
De imateriais,
Que dessa forma
Seriam feitos prisioneiros
De uma folha de papel,
Há poucos instantes
Sem mácula,
Agora colorida de turquesa,
Sim,
Porque é essa a cor
Da tinta
Permanente,
Como permanentes,
Materiais,
Ficarão
Os sentires
Assim vertidos
Na folha de papel.

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Terça-feira, Julho 07, 2009

luar de verão


lua brilhante, de verão
nas noites cálidas confidente
do bater do coração
daqueles que por paixão
vivem a vida intensamente




Lua Cheia de Julho, às 9 horas e 23 minutos

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uma flor para... a são


nesta caminhada blogosférica, uma amiga
boa disposição à flor da pele
tem sempre um dito, uma cantiga
leoa com o verde nos fustiga
mas é total afecto que a impele




A São é uma querida blogueira do "velhinho" Espectacológicas, hoje a escrever e a encantar no "O que eu quero..."

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o misticismo de um vinho

Quando falamos do vinho “Vinha de Saturno” e, em especial, quando o provamos a nossa reacção imediata é de que se trata de “um néctar divinal”. Deveríamos, contudo, ser mais precisos. Será porventura um “néctar telúrico”, talvez mesmo um “néctar místico”…

Conheçamos este vinho, topo de gama da Herdade do Monte da Cal, de produção restrita a cerca de 3.600 garrafas ano, algo como cerca de 2.800 litros, e que tem as características seguintes:
Castas: Trincadeira, Alicante Boushet, Aragonez e um pouco de Baga
Teor alcoólico: 14,5% do vol.
Estágio: em madeira de carvalho cerca de 6 meses



Mas, o porquê de “néctar telúrico”?
“A qualidade do vinho vem do campo, vem da terra onde as uvas são produzidas”, afirmação peremptória que reserva para o enólogo a arte de harmonizar os aromas e os sabores, numa carícia, verdadeiro acto de amor até chegarmos ao produto final.

E a razão de “néctar místico”?
As uvas de onde este vinho é obtido são produzidas na freguesia de São Saturnino (no nordeste alentejano), santo da devoção visigótica e de culto muito raro em Portugal. Produzido nas terras de Saturno, deus da mitologia romana, deus da agricultura e das colheitas. Saturno é o nome de sábado (“dies Saturni”) e foi também a um sábado que a Herdade do Monte da Cal foi inaugurada.

A garrafa deste néctar, de vidro mais grosso que o habitua o que lhe dá um volume e robustez superior, tem um interessante rótulo onde podemos ler:
O Saturno é o sexto planeta do Sistema Solar e antes da invenção do telescópio era o mais distante dos planetas conhecidos. A olho nu não parecia ser luminoso. O primeiro a observar os seus anéis foi Galileu em 1610; porém a baixa resolução do seu telescópio fizeram-no pensar que se tratava de grandes luas.

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Segunda-feira, Julho 06, 2009

milagre dos sentidos


na devoção dos caminhos percorridos
íngremes serranias de sacrifício
a quem se erguem os corações perdidos
na procura do milagre dos sentidos
que vão do equinócio ao solstício




Capela do Santuário de Nª Sª da Piedade, Lousã - Portugal

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um dia com o deus baco

O nordeste alentejano é terra de altas temperaturas no Verão, quantas vezes agreste, que cresta o rosto das gentes que trabalham sol-a-sol e que greta as amplas planícies onde predominam os solos argilosos em mistura “explosiva” com o xisto. São solos vinicamente interessantes mas onde a magia do homem tem que intervir de forma a criar harmonia e equilíbrio.

Nestas imensas planuras está situada a Herdade do Monte da Cal onde o afecto dos enólogos residentes cria vinhos de intensa concentração de cor, de aroma frutado vigoroso que exuberantemente excitam os nosso sensores olfactivos e deliciam as papilas gustativas.

Aqui se casam as castas Trincadeira, Syrah, Alicante, Alfrocheiro, Aragonez e, muito recentemente, a casta Viognier…

“O sol do Terra Plana
Aragonez e alfrocheiro
Belos aromas que emana
Nos sabores é o primeiro”


Mas vamos às provas… nos brancos: Terra Plana, 2008; Monte da Cal, 2008 – e nos tintos: Terra Plana, 2007; Monte da Cal, 2006; monocasta Syrah; monocasta Aragonez; e por último, o topo de gama desta adega, o Vinha de Saturno, 2006…



Fomos “acordar” os vinhos que repousavam em seu leito num estágio sempre importante. Têm todos a classificação de “Vinho Regional Alentejano”.



Notas de Prova

Brancos

Terra Plana, branco, 2008
Castas: Arinto, Antão Vaz e Viogner
Graduação: 13% do vol.
Servir: à temperatura de 10°C
Muito fresco e frutado basta ser acompanhado com uma boa conversa de fim-de-tarde num pôr-do-sol à beira do Grande Areal.

Monte da Cal, branco, 2008
Castas: Antão Vaz e Viognier
Graduação: 13% do vol.
Servir: à temperatura de 10°C
Muito aromático, com cor de mais palha e citrino, podemos escolher uma sopa de tomate com cheirinhos para o acompanhar.



Tintos

Terra Plana, tinto, 2007
Castas: Aragonez, Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Trincadeira
Graduação: 13,5% do vol.
Servir: à temperatura de 16 a 18°C (meia hora na porta do frigorífico)
Estágio: 2 meses na garrafa
Deixa cor no copo de prova como os vinhos mais tradicionais e é muito bem acompanhado por uma carne de porco preto estufada.

Monte da Cal, tinto, 2007
Castas: Aragonez, Alfrocheiro e Alicante Bouschet
Graduação: 13,5% do vol.
Servir: à temperatura de 16 a 18°C (meia hora na porta do frigorífico)
Estágio: 2 meses na garrafa



Topo de Gama

Vinha de Saturno, tinto, 2006
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonez e Baga
Graduação: 14,5% do vol.
Servir: à temperatura de 16 a 18°C (meia hora na porta do frigorífico)
Estágio: 6 meses em barricas de carvalho francês de 125 Lt.
Tem muito corpo e aromas de baunilha e madeira suave. Pode ser guardado até cerca dos anos de 2012/2014 sem perca de características. Foi usada, embora em percentagem reduzida, a casta Baga, tradicional da região da Anadia, com excelentes resultados.



Seguiu-se um “emocionante” repasto onde fizemos acompanhar alguns dos vinhos provados com uma degustação adequada aos mesmos e onde o azeite foi "rei".



Vinho Branco Terra Plana 2008, acompanhado de Sopa de Tomate com Manjericão
Vinho Tinto Terra Plana, 2008 e Vinho Tinto Monte da Cal 2006, acompanhado de Bochecha de Porco Preto

Vinho do Porto LBV Sá de Baixo 2001, acompanhado de Sericaia.

Um “salve!” para a Sandra Leite, da Quinta do Cabriz que se esmerou na preparação das vitualhas.



O passeio vínico à Quinta do Monte da Cal foi realizado em 4 de Julho de 2009
Agradecimentos
à Garrafeira Jumbo Almada Fórum, António Sousa
à Vinalda, Mário Pereira – Rui Pinto – Joana e Maria
à Dão Sul, João Carvalho – Gonçalo Fialho – Marco Fagundes

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Domingo, Julho 05, 2009

caminhar no sonho


no sonho dos caminhos percorridos
voar montanhas e mares desejados
na busca duma carícia olhares perdidos
nas pétalas duma rosa consentidos
nos afectos de amores imaginados




Rosa lilás dos jardins do Pinheirinho, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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oficina das ideias - sexto aniversário 5

é uma honra… ter este “quadro de honra”

As visitas atingiram a cifra de 661.598 (segundo o “SiteMeter”) e de 868.967 (de acordo com o “NeoCounter”), com origem em 156 países dos 199 existentes. A média de visitas na última semana deste período foi de 266/dia.

No âmbito da interactividade foram feitos na Oficina das Ideias 195 comentários com a contribuição de 32 dos nossos leitores e amigos.

Um agradecimento especial a Blogger.com/Blogspot.com onde editamos e alojamos a Oficina das Ideias desde a primeira hora.


Quadro de Honra

Isamar, do Cata-Vento (Portugal)
Lilá(s), do Perfume de Jacarandá (Portugal)
Gaivota, do MarETerra (Portugal)
Milu, do Miluzinha-Blog (Portugal)
Mariazita, do A Casa da Mariquinhas (Portugal)
AnaReis, do Interessante para Todos (Brasil)
Tulipa, do Momentos Perfeitos (Portugal)[*]
Observador, do Reflexos (Portugal)
Victor, do Des-Encantos (Portugal)
Lualil, do Traduzir-se… (Brasil)
MagyMay, do Trivialidades e Croquetes (Portugal)
Gasolina, do Árvore das Palavras (Portugal)
Nocturna, do Perdida na Noite (Portugal)[*]
Ponto e Vírgula (Portugal)
Verônica, do Momentos de Vida (Brasil)
A Casa da Buganvília, do A Casa da Buganvília (Portugal)[*]
Mdsol, do Branco no Branco (Portugal)
Victor e Rita Reino (Portugal)
Chyntia (Brasil)
Alfonsina (Venezuela)
Gwendolin, do A Cantora (Brasil)
Lisette Costa, do Flor de Lis (Brasil)
Fatyly, do Uma Nova Cubata (Portugal)
Maria João, do My Travel Secrets (Portugal)
Gisele (Brasil)
Paula Raposo, do As Minha Romãs (Portugal)[*]
Regina Coeli, do Deusa Odoyá! (Brasil)[*]
Elvira Carvalho, do Coisas Minhas (Portugal)[*]
São, do São (Portugal)
João, do Espaço do João (Portugal)
Amigona, do Instantes da Vida (Portugal)
Maria Clarinda, do Sombras de Mim (Portugal)[*]
Sara, do Carpe Diem (Portugal)[*]


A TODOS o nosso MUITO OBRIGADO



[*] em breve nos Indicadores de Leitura

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o sonho da terra plana

Na tranquilidade de um entardecer que tempos de estio demoram a deixar chegar, da ampla varanda da Herdade do Monte da Cal, olhamos a imensa paisagem do norte alentejano até à linha do horizonte recortada pela serra de S. Mamede e apetece-nos estar, desejamos ficar…



O dia, este magnífico “passeio vínico”, tivera o seu início muitas horas antes quando um grupo de gente amante destas coisas que os bons vinhos sempre reúnem, a convite da Garrafeira do Jumbo Almada Fórum, “embarcou” num moderno e confortável autocarro rumo a terras do sul…



Chegada à Herdade do Monte Cal, na freguesia de S. Saturnino, no concelho de Fronteira, fomos afectuosamente recebidos pela gente da casa, com as sonoridades da música cálida do norte de África: João Carvalho, responsável pelo enoturismo da Quinta, Gonçalo Fialho, o enólogo residente e Marco Fagundes, o “terceiro homem” trajado a rigor.



A chegada a um santuário vínico faz sentido tomar a forma de uma “bebida de boas-vindas” (ou “wellcome drink”) o que foi realizado com um Espumante Quinta de Cabriz – bruto, um espumante de excelência, como por todos os presentes foi reconhecido.



Seguiu-se uma visita cuidada à adega, onde todos os dispositivos de vinificação são construídos em aço inoxidável de impecável aspecto, com controlo total da fermentação dos mostos através da refrigeração das cubas e dos circuitos, possibilitando a vinificação quer de vinhos brancos (segundo o método de “bica aberta”), quer dos tintos mais lenta garantindo o perfeito contacto dos mostos com as respectivas películas.



No programa da nossa visita está ainda inscrito uma prova de vinhos, um repasto de degustação de produtos da região e uma visita (caminhar é preciso!) às vinhas. A passagem pelas varandas da Quinta tornou-se quase um ritual do dia. Sempre fomos acompanhados pelos aromas únicos da planura alentejana, pelos cálidos sons da música do norte de África, pelo esvoaçar das andorinhas e dos bandos de estorninhos e lá mais ao longe pela amplitude das asas de uma águia-real.




[continua]


O passeio vínico à Quinta do Monte da Cal foi realizado em 4 de Julho de 2009
Agradecimentos
à Garrafeira Jumbo Almada Fórum, António Sousa
à Vinalda, Mário Pereira – Rui Pinto – Joana e Maria
à Dão Sul, João Carvalho – Gonçalo Fialho – Marco Fagundes

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Sábado, Julho 04, 2009

uma flor para... a chyntia


tom jobim, vinicius saravá
levem-me até a praia d'ipanema
beijar quem lá vive e é de cá
no sentir e no amor que muito dá
porque ser amiga é o seu lema




Chyntia é uma querida amiga que ajuda a construir a ponte da amizade entre os povos do mundo

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oficina das ideias - sexto aniversário 4

O significado das coisas


Olho de Lince

O Olho de Lince é um colaborador fundamental da Oficina das Ideias tendo, desde a primeira hora, contribuído para abrilhantar com as suas imagens os textos que aqui produzimos e partilhamos, por vezes bem modestos são eles.

Nasceu doze anos depois do seu irmão gémeo amigo, muito embora alguns anos antes já tentasse “dar um ar da sua graça”!!! Foi baptizado no ano de 2001 aquando da realização do maior projecto de sempre em Portugal e países de língua portuguesa no âmbito da fotografia de amadores, o “FOTO.PT”.

Tem publicado na Internet cerca de 2.500 imagens com livre acesso, tendo a grande maioria delas já sido utilizadas em todo o mundo para a construção de “apresentações PPS” ou “slide shows”, mormente musicais. Uma das fotografias do Olho de Lince, o “cravo de Abril 2005” já teve publicação em mais de seis dezenas de blogues diferentes.



Oficina das Ideias

As designações “Oficina das Ideias” e “Ideotário” (assim escrito, realmente) nasceram no ano de 2001 no Gabinete de Coordenação dos trabalhos do Census2001, no município de Almada e pretendia, após o fim dos referidos trabalhos, congregar e desenvolver um verdadeiro “fervilhar de ideias” que foi acontecendo no decorrer dos tempos.

Factores diversos obstaram a que esse projecto avançasse tendo sido então, tais designações, “aproveitadas para o lançamento deste blogue em 5 de Julho de 2003.

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o oleiro e o modelo

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião




Estas mãos calejadas de ancião
Rugosas no moldar do barro agreste
Sentem telúricas forças que lhe dão
Inspirada ternura de sinal celeste.

Quando acariciam tão belo corpo
Tomam a macieza da brisa que do mar
Grão a grão enovela a areia com o sopro
Em tufos de sedução de muito amar

O barro ainda há pouco sem sentido
É agora uma fugaz imagem da beleza
Dos olhos do modelo emana um pedido
Que o sopro da vida lhe dê firmeza.

As mãos crispam nas formas o talhar
Depois acariciam a suave curvatura
Do teu seio do torso das coxas encantar
Ate ao âmago da tua doce formosura.

Respira fundo como lhe apraz
No êxtase da escultura terminada
Envolve a obra em tule de tons lilás
E dá vida à mulher muito desejada.

Da terra vem a força e o desvelo
Que o sonho que se deseja realidade
Seja a fusão do artista e do modelo
Na obra que ganhou vida, perenidade

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Sexta-feira, Julho 03, 2009

és a minha paixão


colhi uma rosa vermelha
fulgente como a paixão
no teu olhar uma centelha
a muita luz que se espelha
és a minha devoção




Rosa Vermelha, jardins do Pinheirinho, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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oficina das ideias - sexto aniversário 3

Os temas oficinais

No decorrer destes seis anos de presença continuada da Oficina das Ideias na blogosfera muitos e diversos foram os temas tratados. Alguns deles constituíram-se mesmo em projectos, alguns de certa complexidade, que envolveram muita pesquisa e deslocações a diversas regiões de Portugal na procura de mais conteúdos que pudessem responder ao respeito que o interesse dos leitores exigia.

Escusado será referir o enriquecimento de saber que com tal facto tivemos oportunidade de obter.

De entre os temas que acabaram por se constituir “por vontade e dinâmica próprias” em projectos salientamos:

A Vida e Obra de Bocage
Um estudo cuidado da vida do grande poeta sadino Manuel Maria Barbosa du Bocage, acompanhado da publicação de sonetos seus alusivos às diversas fases da sua vivência.

Sentir o povo que vive
O fotógrafo e a escritora reencontram-se na calçada que percorrem tranquilamente. Ele escreve sentires com cada clique de sua câmara fotográfica. Ela, cria as mais belas imagens com um singelo movimento dos cílios. Foram publicados cerca de centena e meia de pequenos contos.

Relógios de Sol, na senda do “Tempo de Pedra”
O adro da igreja é o centro do universo nas pequenas aldeias. Lugar de conversa, de passar notícias e de aumentar um ponto a um conto, é sítio de mercar a jorna e de adquirir alguns pertences. É no adro da igreja que o tempo passa. Mas passa o tempo também nos trabalhos de “sol a sol” nas herdades e casas senhoriais. Para contar o tempo que passa e para marcar o ritmo da vida existe o relógio de sol à vista de todo o Povo.

A Banda do Cidadão em acção
Vivências reais, contadas ao estilo de contos curtos, onde é posta a evidência a utilidade pública de um meio de comunicação rádio, muito em voga nas décadas de 80 e 90 do século passado. Chegaram a ser constituídas redes internacionais de emergência rádio com muitas acções humanitárias realizadas. Os governos dos diversos países do Mundo nunca viram com "bons olhos" este sistema, pois era um sistema de comunicações para todos, sem quaisquer tipos de fronteiras. Foram publicadas cerca de meia centena de história na sua grande maioria com fundamento real


Além destes temas, digamos de fundo, muitos outros foram tratados:

A nossa opinião
Atentos ao momento presente e aos acontecimentos relevantes da actualidade, em Portugal e no Mundo, expressamos o nosso pensar que aqui partilhamos através de uma análise exclusiva para este espaço. Não somos senhores da verdade absoluta, por isso, aceitamos o contraditório.

A suavidade do erotismo
São eróticos os mais belos textos escritos pelo homem, pois o erotismo faz parte do sentir mais profundo do ser humano. Em prosa, em verso ou em imagem toda a suavidade do sentir e do querer.

Artes e artífices
Na fronteira entre o artesanato e a arte clássica, entre a tradição e as correntes artísticas, muitos artífices dão azo à sua imaginação e ao seu sentir criativo para nos oferecerem peças de encantamento que aqui recebem as luzes da ribalta da blogosfera.

Caminhando se faz caminho
Alguns apontamentos sobre pequenos percursos em que os sentidos são despertos para o Património Natural e Construído através das cores e dos odores, das estórias e das tradições, dos saberes e dos sentires. Venham connosco fazer este caminho...

Nos caminhos do património
Visitar o património construído, e ouvir as estórias da sua construção e o sentir das pessoas que por o conhecerem tão de perto por vezes esquecem o seu real valor.

Coleccionar com doçura
Coleccionar, juntar e encontrar elos de comunhão entre as peças sempre foi aliciante para o ser humano. O coleccionismo de pacotes de açúcar colocou esse anseio ao alcance de toda a gente. Os pacotes de açúcar dão rosto a pessoas e acontecimentos exemplares na solidariedade, no saber, na afectividade.

Dizedor de estórias
Aqui e acolá pedem-me para contar uma estória a propósito de uma data, de um acontecimento, de um local ou das gentes que aí habitam. Estórias curtas que recordam tempos passados, tal como os mais antigos ainda têm na memória.

Doces pensamentos
A doçaria tradicional portuguesa como justificação para uma viagem de afectos e de sabores aos lugares de culto dos conventuais e pagãos manjares.

Espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião.

Faróis e Lanternas, são “As Luzes da Maresia”
Racham o breu na noite com um facho luminoso cuja cor leva um recado, um alerta, orientação. Uma luz que parece vir do nada e à origem se recolhe logo de seguida, mas que salva o mestre marinheiro mais a companha de se despedaçarem contra um rochedo traiçoeiro. Em noites de neblina o som choroso de uma trompa de ar comprimido, conhecida localmente por “a ronca”, substitui a acção da luminária. São os faróis e lanternas da portuguesa costa atlântica.

Gente e factos
Pequenas notas biográficas, os sentires sobre a vida de pessoas que muito sensibilizaram o pessoal da Oficina das Ideias pelos seus actos, pela forma solidária de estar na vida. Com eles aprendemos em todos os minutos da nossa vivência.

Número um
Hábito antigo de guardar os “número um” das revistas, quantas vezes o “número zero”, acaba por fazer história do que é publicado, dos êxitos editoriais e, igualmente, dos fracassos, mas é sempre registo dos tempos.

Do meu baú de memórias
Relembrar algumas das memórias que se encontram bem lá no fundo do baú onde guardamos recordações de situações vividas há muito ou que nos foram contadas pelos mais velhos.

O meu caderno de viagens
Pequenos apontamentos rabiscados num caderno de viagem e agora partilhados com os leitores. Os sítios, as gentes, os costumes e as curiosidades observados por quem gosta de viajar na procura das estórias que o Povo conta.

O senhor dos vinhos interessantes
Tenho a felicidade de ter como amigo o “Senhor dos Vinhos Interessantes”, que junta aos seus saberes sobre vinhos de qualidade uma prodigiosa capacidade inventiva e uma imaginação sem limites.

O mistério e a fantasia
Mitos e lendas, ou simplesmente uma curiosidade, a que o Povo dá dimensão de universal sentir e a Ciência procura a explicação que nem sempre é conseguida.

Postais ilustrados com história
À volta de um postal ilustrado vamos tecer alguns comentários que a imagem nos inspirar, nas expectativa de que os nossos amigos visitantes possam acrescentar dados do seu saber.

Segredos guardados no rio
O rio guarda os segredos da profunda paixão do velho Marinheiro, barba branca e cabelo desgrenhado, pela mais bela Ninfa do Tejo, olhos profundos e sorriso doce.

Sentados à mesa... gostámos
Viajar pela rota dos saberes, feitos de odores e sabores, numa partilha da degustação de comidas e de bebidas em casas de pasto, ao ritmo do coração.

Sentires da Praia do Sol
O velho marinheiro, cabelos brancos desgrenhados, partiu um dia para mares do longe cumprindo o seu desígnio de nómada dos areais e dos sentires. Contam os mais velhos que em noites de calmaria sua frágil barcaça se aproxima do Grande Areal. Ele procura encontrar a “sua” ninfa, inspiração de toda uma vida. O mar fica, então, mais salgado ainda.

Sítios de conversas longas
Na tradição dos “cafés-bar”, espaços de conversas, de estares e de sentires, cruzar de gentes no prazer da tertúlia e do cruzar de olhares.

Tradição e cultura popular
A tradição resulta da memória colectiva de um Povo, autêntico património invisível que se transmite entre gerações e representa o mais elevado expoente da cultura popular. Aqui se deseja dar conta desse repositório.

A mata e o mar
Em tempo de romance os corvídeos marcam o ritmo da vida no pinhal que o rei mandou plantar.
A brisa vinda do mar ao pôr-do-sol acaricia docemente o grande areal desde tempos imemoriais.

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olaria tradicional de brotas

É Portugal rico em olaria, herança de gregos e romanos, de fenícios até, olaria de um modo geral utilitária, a não ser quando a imaginação e arte são mais fortes e a decoração começa também a ser preocupação. Por um lado olaria rústica de rara beleza, por outro a verdadeira arte de o barro moldar e decorar com desenhos e cores que, desde logo, nos dão indicação da região de origem.

O último oleiro de Brotas, no concelho de Mora, onde se discute a pertença cultural ao distrito de Portalegre ou ao de Évora, José Carlos de seu nome, da família Ramalhão reúne em si as duas vertentes da arte de ser oleiro, bem complementado com a artística veia de pintura de sua esposa Vera.

Arte à parte considerada, importante que é na memória de um Povo e na pujança do nosso património imaterial, interessa também olhar para a técnica, basicamente semelhante nas diversas regiões oleiras mas com algumas características específicas em cada uma delas.

Começa por ser importante referir que o oleiro de Brotas trabalha exclusivamente com barro da região, recolhido da terra por ele próprio e hoje transportado para olaria por meios de transporte modernos, mas que não há muitos anos o era nas cangalhas que o burro carregava.

O barro, terra da terra barrenta, é então lavado e limpo de elementos alheios por meios mecânicos mas rudimentares e escorrido e seco em dispositivo apropriado, uma prensa, ou utilizando o efeito do sol alentejano que lentamente o vai secando e dando consistência.



As placas resultantes desta operação são amassadas, com a finalidade de lhes retirar alguns arenitos “teimosos” e de lhe dar adequada consistência para pelo oleiro serem trabalhadas.



A pasta homogeneizada é assim levada para a roda do oleiro.



Moldar o barro é trabalho de criação, no que esta tem mesmo de divino. É trabalho de muito saber e sentir ficando a peça tão mais bela quanto for pelo oleiro acariciada numa verdadeira relação de sensual afecto.



O sopro que lhe dá vida era outrora conseguido através de um forno a lenha que hoje é usado somente quatro vezes por ano, atrevia-me a dizer, em tempos de solstícios e de equinócios, em um verdadeiro ritual iniciático.



Modernamente um forno eléctrico permite que o oleiro tenha capacidade de resposta a muitas solicitações que recebe.



Louça utilitária que nos encanta…

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Quinta-feira, Julho 02, 2009

rosa de ternura e paixão


na tua dualidade que é vida
tens a tranquilidade o remanso
uma paixão desmedida
uma ternura sentida
um sonho que sempre alcanço




Rosa Oásis, jardins do Pinheirinho, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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oficina das ideias - sexto aniversário 2

Tempos de parcerias e de partilhas

Apesar da Oficina das Ideias ter sempre mantido no decorrer dos tempos um estatuto de “blogue dos afectos e da alegria de viver” nunca deixou, por esse facto, de tomar partido claro sobre os problemas e acontecimentos que mais marcaram os tempos recentes. Declarou-se claramente contra a guerra do Iraque, a prepotência dos “senhores da guerra”. Colocou-se sem tibiezas do lado das crianças vítimas e vitimadas por uma sociedade fria e mafiosa, no caso da Casa Pia, infelizmente sem conclusões à vista.

Criticámos e continuamos a fazê-lo, uma protecção civil, que se foi travestindo de nome ao correr das conveniências, por ser um cóio de incompetência e de favorecimento dos amigos e partidários (independentemente do partido governamental) que tem levado Portugal a situações calamitosas… só deixará de arder quando não existir mais mancha verde. A situação no corrente ano é sintomática, com quatros vezes mais de área ardida que em igual período do ano transacto.

Defendemos, desde o primeiro momento, que o futuro da Humanidade, um futuro risonho e de bem-estar generalizado teria a sua génese no país irmão dos portugueses, no Brasil do “cavaleiro da esperança”. E continuamos certos que isso irá acontecer, pese aos ”senhores da guerra”, trucidários universais.

Nos primeiros anos de presença da Oficina das Ideias na blogosfera tivemos a felicidade de encontrar uma série enorme de parcerias que muito enriqueceram os nossos trabalhos e que possibilitaram ir muito mais além do que inicialmente julgamos conseguir.

Do outro lado do Atlântico, este mar imenso que nos une, encontrámos parcerias únicas que se prolongaram por muitos meses, mesmo anos, numa defesa integrada da lusofonia. Não será justo deixar de registar os projectos realizados em conjunto com a Sue, do blogue Asas de Borboleta, Deméter, do blogue Segredos de Deméter e Lualil, do blogue Entre o Sono e o Sonho e posteriormente do Traduzir-se… Mais tarde uma parceria frutuosa com a Cathy, do blogue Bailar das Letras, levou até terras dos “brasis” projectos oficinais sobre Bocage e a “lenda” romântica de Pedro e Inês.

Desde esta época, finais de 2003 e princípios de 2004, o número de visitantes brasileiros ultrapassou os que de Portugal chegam à Oficina, situação que ainda hoje se mantém.

Não queremos deixar de aqui salientar o reconhecimento que temos encontrado nos estudiosos brasileiros sobre o fenómeno “blogosfera” que se consubstancia em trabalho académico publicado recentemente onde o blogue Oficina das Ideias é citado.

Os académicos brasileiros Elisa Vidal, Patrícia Azevedo e Gláucio Aranha, de Niterói, Rio de Janeiro, têm vindo a desenvolver um trabalho de pesquisa sobre “Das telas para o papel, blogues como fonte para a Literatura de Massa”…
……………………
No capítulo Blogues e Literatura referem:
“Um efeito que merece ser destacado diz respeito à ampliação das fronteiras da língua. Muitas vezes utilizado por adolescentes ou usuários sem o domínio de outras línguas, os sistemas de busca conduzem os usuários para blogues de outros falantes da língua portuguesa. Fato este que pode ser notado, por exemplo, em “A Lâmpada Mágica”, “Local e Blogal”, “Escrita Ibérica” e “Oficina das Ideias”, espaços dedicados ao viés literário dos blogues, mas que transcendem as barreiras geográficas pela natureza do ciberespaço e do idioma comum aos brasileiros.”


O reconhecimento que possa ser feito ao trabalho da Oficina das Ideias não pode minimamente ser alheio a um factor determinante: o enriquecimento, profundo enriquecimento, trazido pelos leitores deste modesto espaço com os comentários que têm a amizade de nos deixarem.

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ginjinha dos monges

No princípio eram as ginjas…



A ginja, por muitos conhecida por cereja ácida [Prunus cerasus L.], é nativa de muitas regiões da Europa e do sudoeste asiático. As ginjas cultivadas foram seleccionadas a partir de espécies selvagens e da distinta espécie [Prunus acida L.], da zona dos mares Cáspio e Negro, sendo já conhecidas pelos gregos no ano 300aC.

Eram muito populares entre os romanos que as levaram para vários pontos do seu império, entre os quais a Grã-Bretanha, no século I. No século XV a ginja era já um fruto muito comum em Portugal, sendo usada para diversos fins medicinais. Por altura do terramoto de 1755, existiam em Lisboa estabelecimentos que vendiam ginjas mergulhadas em aguardente, bebida que mais tarde viris a ficar conhecida como ginjinha.

Este ano, como em outras ocasiões tem acontecido, a Oficina das Ideias resolveu “produzir” alguns litros de ginjinha segundo uma receita tradicional que no ano de 2003 chegou à nossa posse…


Ginjinha dos Monges do Convento da Rosa

Esta ginja tem como característica própria ser usado o vinho tinto na sua preparação. Os terrenos envolventes da Quinta da Rosa, na Charneca de Caparica, de características arenosas eram ricos em videiras, a partir de cujos frutos se produzia vinho tinto de excelente qualidade.


Ingredientes
1 kg. de ginjas (ginjas de folha, pois claro)
500 gr. de açúcar amarelo
1 lt. de aguardente
0,5 lt. de vinho tinto
Pau de canela
Raspa de casca de limão
1 cabeça de cravo-da-índia

Preparação
Dissolva o açúcar no vinho tinto. Escolha as ginjas das vermelhas e bem ácidas. Tire-lhes o pé e sem as lavar, apenas as limpe com um pano, deite-as em boa aguardente e no vinho tinto, em frascos de boca larga. Junte um pau de canela, raspas de limão e uma cabeça de cravo-da-índia. Mantenha num lugar fresco, à sombra, 1 ou 2 meses. Vá mexendo uma vez por semana, para evitar que o açúcar se condense no fundo.





créditos:
Wikipedia

nota:
Esta receita recolhida pela Oficina das Ideias foi publicada, com a devida autorização, no livro "O Elogio da Ginja", de Paulo Moreiras e Paulo Cunha, editorial Quidnovi, 2006. pág. 63

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Quarta-feira, Julho 01, 2009

rosa branca... felicidade


a alva candura e suavidade
é tributo a quem com desvelo me acompanha
é o desejo de muita felicidade
numa onda de afecto e amizade
nesta caminhada, nesta façanha




Rosa Branca, jardins do Pinheirinho, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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oficina das ideias - sexto aniversário 1

Os primeiros passos



Dia Cinco de Julho do ano de Dois Mil e Três é publicada a primeira postagem no blogue Oficina das Ideias que há muito germinava manuscrito em folhas de cadernos de capa preta, um desafio do meu amigo Pedro Gomes, aceite quando sentados nos encontrávamos na “mesa dos espiões” no lendário bar British Bar, no Cais do Sodré, enquanto bebericávamos “dois especiais somente com gelo”.

O conteúdo dessa postagem, intitulada “No princípio éramos Lusitanos”, dava já indicações de qual seria a linha editorial da Oficina das Ideias, aliás mantida até aos dias de hoje, “textos e imagens próprios e originais, a temática da cultura de um Povo e da defesa da região da Praia do Sol e desenvolvimento dos afectos e do muito querer”. Acrescenta-se, para melhor entender os nossos objectivos de sempre, a frase que acompanha o nome do blogue “As ideias brotam livres da nossa mente. Temos que evitar que a folha de papel as aprisione”.

Ao comemorarmos o sexto aniversário de presença continuada na blogosfera, sem que um só dia tivesse falhado a publicação de textos e imagens, passam mil cento e noventa e dois dias desde que pela primeira vez abrimos as “portas” da Oficina das Ideias. Padrinhos desta “aventura” três amigos que muito contribuíram para incentivar a existência deste espaço na blogosfera: o Pedro, do blogue “Sintra-Gare” (temporariamente suspenso), o João, do blogue “Água Lisa” e o João, do blogue “Fumaças”. Para eles o nosso reconhecimento amigo.

Ainda dávamos os primeiros passos neste amplo espaço da partilha de saberes e de afectos, em tempo de grande efervescência bloguista, de aprendizagem continuada, fomos agradavelmente surpreendidos quando a Oficina das Ideias foi um dos cinquenta blogues citados por Luís Ene e Paulo Querido no livro BLOGS que em Outubro de 2003 foi publicado pela editora Centro Atlântico, classificando-o no grupo “literários” e dando-lhe interessante destaque: “Num registo de escrita viajante o autor pula por entre sítios físicos e virtuais, apresentando ideias e frescura. Ultimamente com mais imagens, várias belas fotografias do autor – o que é raro num meio onde abunda a cópia e a hiperligação de imagens alheias.

Foi o lançamento da Oficina das Ideias para fora das fronteiras nacionais, especialmente para o Brasil, onde já tinha bastantes leitores e para outros países de língua oficial portuguesa.

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em junho de 2009 a oficina publicou:

Textos
Dia 1 – Em Maio a Oficina publicou [oficina]
Dia 2 – Rio Minho encantado [rio minho]
Dia 3 – Os olhos [poesia]
Dia 4 – Tempos de inspiração [oficina]
Dia 5 – 71 meses na blogosfera [oficina]
Dia 6 – Um relógio perdido no tempo [pequenas estórias]
Dia 7 – Museu Vinho Bairrada [museus]
Dia 8 – A tua runa é Ansur [parabéns]
Dia 9 – Maria, valente Maria [pequenas estórias]
Dia 10 – A luz que o teu ser emana [poesia]
Dia 11 – Um selinho de amizade [oficina]
Dia 12 – Embriaguez [poesia]
Dia 13 – Meu Santo Antoninho [tradição]
Dia 14 – Um dia da nossa vida [datas]
Dia 15 – Anti-poema, anti-“poetas” [poesia]
Dia 16 – A caligrafia [ler escrever contar]
Dia 17 – Chove em Valle do Rosal [poesia]
Dia 18 – As nossas rosas [oficina]
Dia 19 – Não me deixes tão sozinho [poesia]
Dia 20 – Praias douradas do grande areal 2009 [grande areal]
Dia 21 – Verão, tempo de olhares profundos [solstício]
Dia 22 – Por mares da incerteza [poesia]
Dia 23 – Demência [poesia]
Dia 24 – São João de Almada e do Recife [tradição]
Dia 25 – Novos indicadores de leitura [oficina]; Países que visitam a Oficina [oficina]
Dia 26 – O virar da maré [contos da praia]
Dia 27 – Navego no teu sorriso [poesia]
Dia 28 – Espero-te no Nicola [poesia]
Dia 29 – Um beijo à beira-mar [pequenas estórias]
Dia 30 – Sua paixão é ser oleiro [gente]


Imagens
Dia 1 – Gato ladino
Dia 2 – Candura atrevida
Dia 3 – Com “el capitan” Rio Minho acima
Dia 4 – Vieira dobradiça
Dia 5 – São sinais dos tempos
Dia 6 – Um rio que nos une
Dia 7 – Lua Junina
Dia 9 – Maçã de Roma, romã
Dia 10 – Aguardar do solitário
Dia 12 – Grafismo
Dia 13 – A maior mala do Mundo
Dia 14 – Colhi uma flor
Dia 15 – Corpo perfumado
Dia 16 – Tamanha singeleza
Dia 17 – Lilás e doirado
Dia 18 – Flor de romãzeira
Dia 19 – Efémera beleza
Dia 20 – Hibisco carmim
Dia 21 – Hoje é dia de mudança
Dia 22 – Belezas interior e exterior
Dia 23 – Auto-retrato
Dia 24 – Rugas de muito sofrer
Dia 25 – Corre tranquilo para a foz
Dia 26 – Castelo de Arouce
Dia 27 – É fogo sem labareda
Dia 28 – Movimento cristalino
Dia 30 – És o cacto da fortuna


Uma flor para...
Dia 8 - ...a LILA
Dia 11 - …a ALICE

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Terça-feira, Junho 30, 2009

fechadura dos tempos


do tempo dos reis e cavaleiros
das ordens, este dos Templários,
sairam das mãos de artifices ferreiros
segurança contra inimigos sendeiros
belas formas, imaginários





Fechadura das portas di castelo, Castelo de Arouce, Lousã - Portugal

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sua paixão é ser oleiro

Voltámos ao convívio do nosso amigo José Carlos, o último oleiro de Brotas, no concelho de Mora. Ele tem a arte de moldar o barro, sua esposa Vera, pinta sobre as peças artísticas decorações.

Conversador nato e esclarecido nos costumes de sua terra não resistimos em transcrever o que escrevemos em Março de 2008.




Sente-se muito só.

Não na vida, que a tem preenchida e tranquila, com a família bem estruturada, como é por todos reconhecido na aldeia em que vive. Sente-se só na arte que abraçou há mais de vinte e cinco anos, era então uma criança que muitas vezes fugia à escola para ir olhar embevecido as mãos do mestre oleiro durante os seus afazeres.

Perdia-se no tempo a ver o velho oleiro criar obra a partir de um bloco de barro, massa disforme que no rodopiar da roda ia, pouco a pouco, transformando numa peça que mais tarde iria compor os apetrechos utilitários duma cozinha.

Quando a inspiração do mestre era maior os olhos da criança abertos de espanto assistiam ao nascer de uma pequena jarra ou pote de traço mais artístico e que iriam embelezar o móvel aparador da entrada ou a cantareira da cozinha.

Na escola aprendeu a ler e a escrever, mas a atracção pelos trabalhos da olaria fazia com que passasse horas sem fim junto do mestre oleiro. Não tardou, pois, que assumisse a sua qualidade de aprendiz que durante longos anos manteve. Primeiro, ia para os campos, para as barreiras, cavar e extrair o barro em bruto, lamas de terras escolhidas, que noutra fase dos trabalhos em pasta moldável eram transformadas.

Depois aprendeu e executou as técnicas de transformar as lamas em barro, quantas vezes com as mãos gretadas pelo frio da dureza das invernias, pois não era trabalho sazonal, antes trabalho para uma vida.

Um companheiro aprendiz que com ele ia adquirindo o saber do mestre oleiro, cedo desistiu da caminhada pelas agruras do trabalho e porque não sentia em si o verdadeiro apelo do barro. Depois, quando o velho mestre oleiro foi chamado à companhia de outros artistas que connosco já não viviam, ele já a oficial promovido, tomou o lugar do mestre.

Olhou, então, à sua volta e sentiu uma estranha solidão. Na sua aldeia era o último dos caminhantes duma jornada que se perdia na lonjura dos tempos. Ainda hoje, continua a elevar o barro na roda do oleiro, na forma tradicional de dar vida às peças que laboriosamente vai criando. Contudo..."




...sente-se muito só.





[Um pouco da história da vida de Mestre Ramalhão, da Olaria de Brotas (Mora, Alto Alentejo)]

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Segunda-feira, Junho 29, 2009

és o cacto da fortuna


nasceste em leito de espinhos
cresceste na beleza nocturna
percorreste tortuosos caminhos
traiçoeiros e daninhos
és o cacto da fortuna






Flor do cacto, jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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um beijo à beira-mar

O narciso da praia, a que também já ouvi chamar “narciso da areia” ou “lírio da areia” tem uma flor de alvura ímpar, tão sensível e delicada que me caiem lágrimas pelo seu tão curto ciclo de vida à beira-mar.




Suas flores são de brancura imaculada que mais faz lembrar as nossas avós e bisavós de tez muito branca pois viviam fechadas em casa e não punham um pé na rua. Não a minha, trabalhadora do campo, de sol a sol, e como tal de pele bem tisnada pelos raios solares.

A flor do narciso da praia murcha, tombam-lhes as frágeis hastes mas nunca perde a alvura sem mácula para dar lugar aos tons de bronze como acontece com outras flores. Os estames destacam-se em amarelo de pólen desejado que mais realçam a brancura das flores.


É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar.
[Dorival Caymmi]


Deixo-me levar no sonho que esta bela flor me conduz a sentimentos tão profundos como somente se sentem com um beijo à beira-mar.


Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.
[Fernando Pessoa]


Beijo-te à beira-mar

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Domingo, Junho 28, 2009

movimento cristalino


corre lesta sem parar
movimento cristalino
procura a foz para amar
seu rio a vai esperar
é ele o seu destino




Açude no rio Ceira, Colmeal, Góis - Portugal

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espero-te no nicola

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião [que me perdoe o Bocage]




Manuel Maria, espero-te no Nicola
Temos dura tarefa a desempenhar
Tal como desancaste o padre gabarola
Nos farsantes da rima temos que malhar

Já do verso não se cuida da riqueza
Na ânsia de versejar sem aprumo
Rima pobre, conteúdos de fraqueza
Inicia-se mesmo sem saber que rumo

Não me peças que indique a dedo quem
A ti meu mestre na palavra e no arrimo
Sabes melhor do que eu que voltas tem

Teu exemplo que marca nosso destino
Não podemos compadecer esse desdém
De quem tão mal verseja coisas sem tino.

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Sábado, Junho 27, 2009

é fogo sem labareda


suave tua pele de seda
numa carícia de ternura
é fogo sem labareda
da paixão é a vereda
devoção que sempre dura




Flor de Cêra, jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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navego no teu sorriso

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião




Navego no teu sorriso
Casca de noz, maresia.
Em palavras de improviso,
São pérolas do paraíso
São lágrimas de alegria.

No meu sonho te levei
Por marés da fantasia.
No areal desenhei
A imagem que sonhei
Para cúmplice companhia.

Uma onda veio beijar
O areal tão amado.
A imagem veio buscar
Para longe para lá do mar
Para terra do meu cuidado.

Ficou sempre na memória
De quem arco-íris sonhou.
Que o final da estória
É simples convocatória
Da alma que se ausentou.

Fica aqui escrito, lavrado
A memória de um sorriso.
Ele vive aqui a meu lado
No esquerdo acarinhado
Melodia que harmonizo.

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

castelo de arouce


misterioso castelo este
que castelejos construíram
em local alto agreste
no fundo do vale veste
águas que da serra sumiram




Castelo de Arouce (Castelo da Lousã), construído numa pequena elevação de um vale profundo!!!, Lousã - Portugal

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o virar da maré

sentires da praia do sol
O velho marinheiro, cabelos brancos desgrenhados, partiu um dia para mares do longe cumprindo o seu desígnio de nómada dos areais e dos sentires. Contam os mais velhos que em noites de calmaria sua frágil barcaça se aproxima do Grande Areal. Ele procura encontrar a “sua” ninfa, inspiração de toda uma vida. O mar fica, então, mais salgado ainda.




No tempo exacto do virar da maré, se de outra forma o não soubesse, ainda bem cedo havia consultado o minúsculo livro que apresenta as previsões anuais das vazas e das cheias das ondas nas praias, o velho marinheiro que caminhava ao longo da ténue orla de espuma prateada que as ondas mais atrevidas ainda iam deixando no areal, sentiu o virar da maré.

Mesmo que previsto não estivesse, que o pequeno livro não houvera consultado e que estivesse em branco o afixado papel na entrada do apoio de praia onde normalmente consta essa indicação, o homem calejado pelo salitre do mar sabia-o. O mar lhe dera essa indicação.

As águas haviam caminhado para a preia-mar com tranquilidade, com bonomia até, numa aproximação total ao doirado areal e às poucas pessoas que o percorriam nessa hora matinal com o sol a despontar do cimo da arriba. O espraiar das ondas beijara mesmo os pés do lobo do mar nos minutos últimos em que a marca molhada ultrapassava a que anteriormente havia chegado. Mas agora parecia agitar-se.

O velho marinheiro leu e entendeu perfeitamente esse sinal. O mar começou a mostrar a sua revolta por algo que sendo inquestionável e inevitável lhe não agradava um pouco que fosse. A partir desse momento, a partir da altura em que a preia-mar atingira a sua plenitude, a viragem da maré tinha lugar, o mar iria ser afastado pelos desígnios da Natureza das areias que tanto amava e recolher-se às profundezas do oceano.

Iria afastar-se das areias e do velho marinheiro, amigo e cúmplice de tantas andanças e tormentas, pois o mar não confunde a amizade que tem pelo marinheiro com o seu destino de ser, ora mar de “damas” e logo mar “macho”, quantas vezes sepultura do seu próprio amigo. É a permanente presença do bem e do mal, da mão que acarinha e que puxa para o turbilhão das ondas.

Era esta secular partilha de sentires entre o mar e o marinheiro que dava tanto encanto a uma cumplicidade infinita. O mar cumpria o ritmo das marés, revoltado porque lhe retiravam a preia-mar. Ainda há pouco tão tranquilo mostrava a sua revolta no forte troar da rebentação que, por certo, já era ouvido para lá da falésia em terras de charneca e de e dos homens do campo.

O velho pescador sabe bem que um dia chegará o tempo de acompanhar o “seu” mar no caminho da baixa-mar. Seguirá, então, mar adentro no caminho do horizonte, do sonho, para lá da imaginação. Nesse dia o velho marinheiro será mar.

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Quinta-feira, Junho 25, 2009

corre tranquilo para a foz


por entre frondoso arvoredo
corre tranquilo para a foz
seu destino é o mondego
recebido com folguedo
de quem muito gosta de nós




Rio Ceira, tranquilo, Góis - Portugal

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trabalhos oficinais

Numa oficina, incluindo a Oficina das Ideias, há sempre trabalhos e arrumações a fazer para uma certa ordem nos materiais e qualidade nos artefactos. Hoje, vamos dedicar algum tempo aos novos PAÍSES VISITANTES e aos INDICADORES DE LEITURA(links) que merecidamente vamos acrescentar à nossa listagem de amizade e de partilha.



Países que visitam a Oficina


São de 160 as origens já registadas dos milhares de visitantes que em quase seis anos nos deram a honra de entrar as portas, aliás sempre francas, da Oficina das Ideias. Para sermos mais precisos, se retirarmos as visitas cuja origem estão identificadas como “Europa”, “Ásia Região Pacífico”, “Satelite Provider” e “Anonimo Proxy”, são exactamente 156 os países que nos visitaram. Numa totalidade de 199 países torna-se cada vez mais raro a visita de um novo país.

Aconteceu esse facto recentemente com mais dois países e daí aqui estarmos a festejar e a partilhar convosco este acontecimento. Fomos visitados por habitantes de

GIBRALTAR
É um território britânico ultramarino localizado no extremo sul da Península Ibérica. Corresponde a uma pequena península, com uma estreita fronteira terrestre a norte, é limitado, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, Estreito de Gibraltar e Baía de Gibraltar, já no Atlântico. A Espanha mantém a reivindicação sobre o Rochedo, o que é totalmente rejeitado pela população gibraltina. [fonte: Wikipedia]



ILHAS CAIMÃO
As Ilhas Caimão (em inglês: Cayman Islands) são um território britânico no Caribe, a sul de Cuba. Relativamente isoladas e afastadas umas das outras, as ilhas têm em Cuba e na Jamaica, 300 km a sudeste, os vizinhos mais próximos. Compreendem a Grande Caimão, Caimão Brac e Pequena Caimão. A capital é George Town [fonte: Wikipedia].





Novos Indicadores de Leitura

De acordo com os critérios editoriais da Oficina das Ideias criamos, frequentemente, novos apontadores de leitura. Três razões fundamentais nos levam a essa decisão:

1 – Pela qualidade extraordinária que encontramos em determinado blogue, de acordo com a nossa avaliação pessoal;
2 – Como reconhecimento aos comentários que são deixados nos posts da Oficina das Ideias;
3 – Em resultado da permuta de indicadores de leitura.

Esta permuta desinteressada de indicadores de leitura é uma das características mais positivas da blogosfera e de quem a utiliza com espírito construtivo e solidário que coloca acima dos seus pessoais interesses a satisfação dos leitores.

Damos conta, de seguida, de alguns dos mais recentes, solicitando a todos os companheiros da blogosfera que estando abrangidos pelos critérios referidos não tenham o respectivo indicador de leitura na Oficina das Ideias que nos façam chegar essa informação.

Novos indicadores:
Gaivota, do MarETerra (Portugal) – “…mesmo de frente pró mar”

AnaReis, do Interessante para todos (Brasil) – “Vamos tentar mudar alguma coisa. Esvazie os armários de coisas inúteis”

Lisette C, do Flor de Lis (Brasil) – “…encontrei aqui o caminho onde pretendo anotar o que me chama a atenção, inspira, diverte, me faz feliz o dia”

Fatyly, do Uma Nova Cubata (Portugal) – “Um mar tranquilo!”

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Quarta-feira, Junho 24, 2009

rugas de muito sofrer


o tempo passou sorrateiro
marcou traços profundos, doridos
são golpes de corpo inteiro
marcados no caminheiro
tês crestada, olhos sofridos




Estrutura de xisto, serra da Lousã - Portugal

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são joão de almada e do recife

São João Baptista, celebrado hoje em muitas localidades e regiões de Portugal e do Brasil, é-o também em Almada que considera o dia 24 de Junho como o Dia da Cidade. Até 1854, as festas em honra de São João Baptista em Almada eram muito afamadas, trazendo à vila romarias de gentes vindas de Lisboa, de outros lugares da Estremadura e do Alentejo, numa celebração que contava com atracções únicas e memoráveis, e onde a religião e o paganismo andavam de mãos dadas.

Logo ali, do lado de lá deste mar que nos une, no Nordeste do Brasil, existem muitas festas em homenagem a São João, que também é conhecido como protector dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabeça e de garganta. Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão.

Em Almada, estas festividades resultavam num enorme cerimonial religioso e pagão, de um teatro do povo onde pontuavam os melhores e os mais conceituados comediantes e todo um rol de jogos e brincadeiras tradicionais, usuais na margem Sul do Tejo, e em que os comerciantes e feirantes montavam as suas as tendas e aí, além de venderem os produtos das hortas da região, apresentavam diversos motivos de arte popular.

Na cultura recifense, existe uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são "para acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua homenagem, não resistiria e desceria a terra. As fogueiras dedicadas a esse santo tem forma de uma pirâmide com a base arredondada.

Em Almada, São João assumiu, para os almadenses, a imagem do santo de fogueiras e da brincadeira, mas detinha também uma simbologia enorme, por ser o enviado celestial que escolhe o dia evocativo do seu nascimento, trazendo a esta terra a glória de uma conquista impregnada pela cristandade. O curso da história e as respectivas repercussões, envoltas numa atmosfera milagrosa e enquadrada nos feitos gloriosos de Portugal, onde o Tejo adquire um papel sublime, em conjunto com a crença popular de que São João é uma figura humana que caminha pelo meio das brincadeiras e das tradições cantando e saltando como um jovem, numa estranha combinação de religioso e pagão, fizeram com este santo fosse consagrado como o santo padroeiro de Almada.

No nordeste brasileiro, o levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo António e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do Carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.

São João é o santo que transporta o cordeiro de Deus, o que o torna no Santo Pastor. Este elemento, a par de ser primo de Jesus, e aquele que O precede, devem ter contribuído para que o seu dia correspondesse ao do Solstício de Verão, como o Natal foi colocado no Solstício de Inverno, dois períodos do ano que assinalavam a mudança de estação, dos ciclos das colheitas e da vida.

Em termos bíblicos, a pessoa de São João Baptista predomina num dos capítulos da Bíblia relativo à vida pecaminosa de Herodes. Os seus olhos, fechados às tentações mundanas não pousavam na terra; os sete véus da impudica Salomé não conseguiram conspurcar a luz proveniente desses olhos, tombando a cabeça de São João Baptista sobre a mão pecadora, conduzindo-a esta à eternidade em toda a sua pureza.

Contudo, São João em Almada cedeu a visitar nestes dias de calor intenso as doiradas areias da Caparica deliciando-se com as “salomés” que abandonaram seus véus para se banharem nas doces águas do Atlântico.

São João de Almada, à beira-mar, olhou profundamente a linha do horizonte e agradeceu com doçura a homenagem que lhe foi feita em terras recifenses pela querida amiga Liliana Miranda, do Traduzir-se... e que o escriba da Oficina aqui tomou a liberdade de transcrever parcialmente. [em cursivo as citações a textos da Liliana Miranda]

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Terça-feira, Junho 23, 2009

auto-retrato


quando definha a imagem do artista
este julga um adónis ainda ver
na ilusão de um reflexo repentista
que mais não é do que o sentir egoísta
daquele que um dia soube viver




auto-retrato, algures na serra da Lousã - Portugal

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demência

Cabelos esbranquiçados em desalinho
De noites mal dormidas
De vida mal vivida

Cruel foi a vivência que de tal forma lhe afectou o pensamento.

E o sentir?

Gestos largos poéticos... patéticos
Mitológicos até
Gestos bruscos com um não sei quê de simiescos

Atencioso e deferente para os outros entes
Que lhe são superiores?

Ameaçador,
Tenebroso,
Horrível...

Desalento,
Submissão,
Indiferença,
Brusquidão,
Ameaçadora brusquidão.

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Segunda-feira, Junho 22, 2009

belezas interior e exterior


quando nos falta inspiração, falta a cor
são tropeções de fotógrafo na viagem
destruída que é a beleza interior
sobram as belas linhas do exterior
definha o artista da imagem




Quadro de Poesia, in Espírito da Poesia 2009, Companhia de Actores, Parque dos Poetas, Oeiras - Portugal

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por mares da incerteza

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião





Lutou o marinheiro meses a fio
O adamastor zeloso de seu domínio
Navegou mares difíceis em rodopio
Na procura do sonho, seu desígnio

Venceu tormentas levantadas cada dia
Derrubou brumas do esquecimento
Na procura de bela concha que queria
Ofertar à ninfa, inspiração e alento

Vencido mil vezes, outras tantas sofredor
Da violenta reacção da Natureza
Tardou em encontrar a pérola de seu temor

Arrastou-se no mar agreste com pureza
Abandonado no amplo areal ao sol-pôr
A ninfa já partira para mares de incerteza.

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Domingo, Junho 21, 2009

hoje é dia de mudança


Tuas pétalas vermelhas
Lançadas no caldeirão
São da fortuna centelhas
Dessas danças tão velhas
Dos olhares de paixão




Rosa vermelha, Jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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verão tempo de olhares profundos

Quando os contadores de tempo marcarem em Portugal...

6 horas e 46 minutos

Ergam-se e avancem os druidas de todo o Universo. Congreguem as forças do bem porque as gentes estão ansiosas de um mundo melhor. Ergam o ambiente esotérico de Stonehenge e entoem cânticos de festa de alegria de optimismo de felicidade. Enviem os corvídeos com as boas novas para todos os recantos onde exista um ser humano. Nos amplos campos da Bretanha apelem ao querer e ao saber. Um mundo novo é eminentemente necessário. Chegou a hora de avançar!

[apelo formulado no “santuário druida” de Stonehenge, primeiro Solstício de Verão do Terceiro Milénio]


Agora que um novo Verão começa, tempo quente, prenhe de energia cósmica o apelo é ainda mais necessário.

A civilização caminha para o caos levada pela determinação das forças da globalização financeira, da globalização da guerra, das forças mais retrógradas do capitalismo terrorista, numa ânsia tremenda de devorar quem defende o social, quem pugna por um mundo sem opressores nem oprimidos, por um mundo sem fome onde as impressionantes fortunas humilham milhões de seres humanos que vivem abaixo do limiar da subsistência.

Hoje é o dia da partilha no seu mais elevado expoente.

A partilha que é o mais elevado sentir do ser humano, caracterizada pelo dar e receber dos afectos e do saber, tem hoje no hemisfério Norte o reconhecimento astral, quando o sol parece deter sua marcha de um hemisfério ao outro. É o dia em que o Sol maior energia transmite aos seres humanos com mais horas visível no nosso hemisfério.

Vamos entrar numa época de grande vitalidade, passado que foi o tempo da germinação, altura de cuidar dos frutos aromáticos e dulcíssimos que vão trazer importantes fontes de vitaminas, especialmente necessárias às crianças e aos nossos companheiros mais idosos nesta viagem.

É tempo de afastar os obstáculos, ser positivo, cuidar do futuro. É tempo de dar refúgio aos refugiados e de dar abrigo aos sem-abrigo. Mais do que refúgio e abrigo materiais é tempo de partilhar afectos e quereres.

É assim a forma de viver o Solstício de Verão!

Está em causa o equilíbrio universal. Em consequência não estamos sós. Um Mundo de afectos é o caminho da Esperança.

O fogo esteve, desde tempos imemoriais, ligado às celebrações do Solstício de Verão pois as gentes acreditavam que o Sol não voltaria ao seu esplendor total depois desta data, a partir da qual os dias eram cada vez mais curtos. Por esta razão eram acesas grandes fogueiras e praticavam-se ritos de fogo, muitos deles de cariz extremamente erótico, para o ajudar a renovar energias.

Em tempos posteriores acendiam-se fogueiras no topo das montanhas, no percurso dos ribeiros, em metade da largura das estradas e caminhos, defronte das casas. Organizavam-se procissões com tochas e usavam-se “rodas de fogo”, descendo colinas e através dos campos. Ainda hoje se mantém essa tradição na noite de São João Baptista, de 23 para 24 de Junho de cada ano.

Um velho ritual pagão que festejava o Sol no mês de Junho foi apropriado pelo culto romano da deusa Vesta, patrona do Fogo e, posteriormente, pelo Cristianismo, que o atribuiu poderes a João Baptista, no Solstício de Verão, a 24 de Junho. Junho, deriva do latim Junius-Junior, que significa o mais novo, ou o que renova. Para o Cristianismo, João Baptista é o testemunho da Luz, do verbo incarnado, o que introduz o rito do baptismo, ou seja, da renovação. Vinte e três Papas adoptaram o seu nome e duas ordens renderam-lhe homenagem.

Nesta época do físico e do carnal, festeja-se o erotismo nos gestos e nos olhares, com sonoridades quentes de música ora dolente ora prenhe de vivacidade ao mesmo tempo que se queimam no caldeirão da fortuna flores vermelhas como as rosas “Príncipe Negro” e ervas solares, como a camomila, a lavanda e a verbena. Comem-se frutos frescos, as cerejas, as ameixas de S. João, os alperces de Palmela, e bebe-se vinho doce com sabores de moscatel.

Almada tem em São João Baptista o seu padroeiro do Povo. Do lado certo da vida Almada é terra de solstício.

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Sábado, Junho 20, 2009

hibisco carmim


dás esplendor ao meu jardim
dás cor ao meu sentir
tuas tonalidades de carmim
teu toque suave de marfim
são promessas de beleza do devir




Hibisco Carmim, Jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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praias douradas do grande areal 2009

A Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza, atribui anualmente o galardão “Praia Dourada” às praias portugueses que mantenham durante cinco anos consecutivos a boa qualidade das águas balneares, segundo os critérios estabelecidos pelo Instituto da Água.

Relativamente ao ano de 2009 foram atribuídas 15 bandeiras douradas às 22 praias que constituem os cerca de 15 quilómetros de extensão do Grande Areal da Praia do Sol, no concelho de Almada.

A Norte
Cova do Vapor
S. João da Caparica



Frente Praias
CDS
Nova
Tarquínio-Paraíso



Acacial
Cabana do Pescador
Mata
Rainha
Rei
Riviera
Saúde



Medos
Bela Vista
Fonte da Telha
Infante
Sereia



Ao concelho de Almada coube o maior número de “bandeiras douradas” (15 praias), seguido pelos concelhos de Albufeira (14 praias), Vila Nova de Gaia (11 praias), Grândola (10 praias) e Loulé (9 praias). Actualmente estão referenciadas em Portugal como zonas balneares costeiras e de transição 436 praias.

Começa amanhã o Verão, às 5 horas e 46 minutos, em terras de Portugal!

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Sexta-feira, Junho 19, 2009

efémera beleza


é efémera tua vivência
no tempo que nós contamos
contudo na tua essência
realizas com imponência
tarefas que muito amamos




Borboleta a polenizar a flor de lantana, Jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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não me deixes tão sozinho

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião





Quero sentir o calor do teu corpo
Junto ao meu.
Quero beijar teus lábios de mel
Eternamente.
Quero afagar teu cabelo
Tal como antigamente.
Fica comigo
Não me deixes tão sozinho…

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Quinta-feira, Junho 18, 2009

flor da romanzeira


criada em belos jardins
és uma flor de magia
animas reais festins
e ao som dos bandolins
dás às mulheres euforia




Flor da romanzeira de jardim (dobrada), Parque da Paz, Almada - Portugal

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as nossas rosas

Quem visita com assiduidade a Oficina das Ideias conhece bem a paixão que nutro pelas flores, sejam de jardim ou silvestres, nascidas na mata entre as carumas dos pinheiros ou cultivadas com afecto e muito conversadas nos jardins, especialmente de Valle do Rosal e do Pinheirinho, aqui para as bandas do Atlântico Oceano, em perto do grande areal e das minas do doirado metal da Adiça.

Não é menor o desvelo com que o meu amigo/irmão/gémeo “Olho de Lince” as “colhe” e as traz para a Oficina onde procuramos partilhá-las com quem nos dá o gosto de nos visitar.

Desde tempos imemoriais da Oficina, quase a completar os seis anos de existência, decidimos ofertá-las “pessoalmente” às nossas amigas, as senhoras merecem-nos um carinho compreensivelmente especial, no dia do seu aniversário, desde que o mesmo conste das memórias deste modesto local de trabalho.

Acontece também que diariamente recebemos correios electrónico a solicitarem-nos a utilização da imagem de uma flor que colocamos livremente neste amplo espaço da informação, o que sempre acedemos com muito prazer e sentindo-nos pelo facto muito honrados.

Das cerca de duas mil flores que temos neste momento disponíveis para utilização muitas também o são sem que de tal tenhamos conhecimento… mas tal facto também não é importante se tal representar prazer grande para quem as utiliza e partilha.

Ainda há poucos dias recebemos uma mensagem da nossa querida amiga Alfonsina, de Caracas, Venezuela que escrevia “…Desde tierras lejanas siempre hay sentimientos que hacen cortas las distancias para abrazar a mi buen Amigo de las flores.”. Sempre as flores como elo de ligação entre as pessoas que se querem bem.

Escrevemos este texto a propósito de uma apresentação de imagens, entre tantas que diariamente nos chegam intitulada Revolução da Alma, “as rosas de Aristóteles”, onde temos a honra de estar representados com as imagens 6, 7, 9, 10 e 12, obtidas pelo “Olho de Lince”… e é bem bonita esta apresentação.

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Quarta-feira, Junho 17, 2009

lilás e doirado


nos pequenos pompons floridos
luminosos reflexos doirados
são gestos tão atrevidos
que nos afagam os sentidos
em tão subtis bailados




Pompons em lilás coloridos, Parque dos Poetas, Oeiras - Portugal

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chove em valle do rosal

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião




Este intenso cheiro da terra
Odores que são memórias
Vêm das profundezas da alma
Segredos que o tempo encerra
Outras gentes, outras estórias
Telúricas forças, logo a calma.


Leva-me o pensamento
Aos tempos idos, criança
Da terra, vem o alimento
Nosso pão era a herança.

De minhas memórias retenho
Tempos de penúria, labuta
Agora que sei ao que venho
A solidariedade é a luta.

Vêm das entranhas da terra
Estas forças desmedidas
Não à morte, não à guerra
Saber o valor das vidas.

Nesta luta sem quartel
Do escultor que a pedra talha
Estão na força do cinzel
Segredos de quem trabalha.

São forças imaginadas
Que a magia a terra dá
As estórias que são contadas
Na sombra do jacarandá.

Hoje chove em Valle Rosal
Telúricas forças que arrastam
São mantos de lilás floral
Que com o doirado contrastam.


Terra
Memórias
Vêm
Segredos
Estórias
Telúricas

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Terça-feira, Junho 16, 2009

tamanha singeleza


o rosto da princesa
animou-se com esplendor
é de sua natureza
uma grande singeleza
seu sentir de tanto amor




Brinco de Princesa, dobrado de roas e lilás, jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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a caligrafia

Um dos temas que recorrentemente são acedidos na Oficina das Ideias, através de pesquisa realizada no sistema Google, é aquele que diz respeito a “Letra Inglesa e Letra Francesa” e sobre o qual publicámos um post no ano de 2007, mais concretamente em 21 de Agosto.

Nele escrevíamos, entre outras coisas: “Recordo-me de nos meus tempos de escola comercial, frequentei a Escola Comercial Veiga Beirão (autor do primeiro Código Comercial português), no Largo do Carmo (o mesmo tão falado aquando do glorioso 25 de Abril), em Lisboa, de ter tido como disciplinas caligrafia, dactilografia e estenografia. Em caligrafia aprendi a escrever em letra francesa e letra inglesa e até em letra gótica”.

Muito recentemente recebi um correio electrónico de Carlos Mota, emigrante há 28 anos no Canadá, que dizia:
“…somos da mesma idade e conterrâneos, eu nasci em Almada e frequentei a primeira escola industrial e comercial de Almada e depois do ciclo preparatório fui para a escola Emídio Navarro, que ainda existe. Vivo no Canadá a 28 anos e andava a procura de temas sobre caligrafia, em particular, a francesa. Calculo que isso já não exista no nosso ensino secundário, mas que eram das aulas que eu muito gostava. Como deve de compreender os tempos vão passando e por vezes não consigo visualizar a maneira como as letras são feitas, principalmente as maiúsculas, a idade não perdoa. Será possível que me possa ajudar com o abecedário das maiúsculas?”

Uma situação, sem dúvida, muito curiosa… Claro que lá seguiu a informação pretendida para o Canadá, informação que aqui partilho com todos vós.






Créditos: Imagens obtidas do manual "Método Caligráfico", de mestre Pinto de Mesquita

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Segunda-feira, Junho 15, 2009

corpo perfumado


nasceste em berço doirado
nos tempos de primavera
de pólen vermelho pintado
teu belo corpo perfumado
uma verdadeira quimera




Gladiolo dobrado, jardins de Valle do Rosal, Charneca de Caparica, Almada - Portugal

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anti-poema, anti-“poetas”

Em tempo de sedução
Escolhem-se palavras, afim
E cala-se o coração
Não se ouve a emoção
Troca-se o não pelo sim



Escrevem-se palavras, poemas
Mesmo poesias serão?
Ou frases bonitas apenas
Em tempo de sedução.

Escrevem-se palavras rimadas
Por vezes sem rima assim
Para seduzir namoradas
Escolhem-se palavras, afim.

Escrevem-se palavras, dilemas
Sem sinais de devoção
Serão somente blasfemas
E cala-se o coração.

Escrevem-se palavras, algemas
Para quem as lê uma prisão
Não serão mesmo esquemas
Mas não ouve a emoção.

Escrevem-se palavras sonadas
Em melodia sem fim
Em embuste para as amadas
Troca-se o não pelo sim.


Será isto poesia?

Escrevem-se palavras poemas
Escrevem-se palavras rimadas
Escrevem-se palavras dilemas
Escrevem-se palavras algemas
Escrevem-se palavras sonadas

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Domingo, Junho 14, 2009

colhi uma flor


fui ao jardim colhi uma flor
para este dia festejar
nada mais belo do que o amor
cálice de fino licôr
o tempo que passa sonhar




Flor de Jacarandá, Parque da Paz, Almada - Portugal

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um dia da nossa vida

O ano de 2001 não era ainda meado quando, numa semelhante sequência de acontecimentos, meus pais partiram para as terras do longe, com a diferença de um mês, o que em tempo universal pouco significado tem. Ficou um vazio enorme que é ausência, mas o mais doloroso é aquele que resulta da perca de referências.

Nesse ano já não partilharam, na realidade das coisas, o tempo passado sobre aquele dia em que 57 anos antes o Manuel mal podendo esperar pelas sete horas da tarde, hora de encerramento do estabelecimento em que trabalhava, para regressar a casa, recebeu a notícia:

“_Vai já pra casa Manel, tens lá um rapaz!”

O Manuel e a Conceição encontraram-se de forma que sempre parece casual no caminhar de duas vidas. Gostaram um do outro. Viviam-se tempos difíceis dos anos finais da II Grande Guerra mas arriscaram viver juntos, constituírem família. As dificuldades a dividir por dois talvez fossem mais facilmente suportáveis. Foram viver para a cave de um prédio onde a mãe da Conceição era porteira.

Foi da mesma forma aparentemente casual que partiram. Mas tal como no resto da vida, fizeram-no juntos.

Oito anos passados no rodar inexorável dos ponteiros do contador do tempo e na falta da referência viva dos nossos antepassados é nossa obrigação e dos nossos vindouros garantir a perenidade das memórias. Muitos acontecimentos foram talhando o passar do tempo e os sentires e quereres partilhados deverão ser perseverados.

Sessenta e cinco anos de vida vivida não nos transforma em sábios, mas obriga-nos a ser reflectidos e a meditar:

_Quantos anos de idade eu tenho?
_Tenho 35 anos!
São os que tenho até aos 100 anos para aprender e ser solidário, bom, amigo, camarada...

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