sábado, junho 19, 2010
saramago, viva mais!
Anos mais tarde conheci um homem alto, esquelético, de cenho fechado. Arrogante pelo poder que possuía, não tinha amigos mas sabujos que tentavam “comer” as migalhas que lhe caiam da boca. Negava o povo de onde tinha vindo, povo que evocava numa falsa e balofa modéstia. Era gente de mau íntimo, complexada e mal formada.
O tempo passa veloz. Conheci um homem alto, esquelético, de cenho fechado. Matreiro, traiçoeiro, vingativo e com muito poder. A sua arrogância era tão grande quanto a sua falta de cultura. Minava na podridão qual larva. Manipulava. “Gémeo” era de um larvar tão grande quanto ele. Complexado mas poderoso. Sempre a precisar de tratamento psíquico, mas incurável. Porque acima de tudo é um homem mau.
Sousa Lara continua a vomitar amarelo. Cavaco Silva “cospe” na bandeira nacional.
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sexta-feira, maio 14, 2010
os ares que respiramos
Um número ainda hoje por determinar de perigosos ladrões, com cadastro suficientemente sujo para intimidarem a segurança de qualquer país, evadiu-se de um estabelecimento prisional de alta segurança sem deixar rasto. Na calada da noite ou em plena luz do Sol, quem sabe?, puseram-se a monte acoitados por protecção do exterior.
Transformaram o seu visual recorrendo aos melhores cabeleireiros e institutos de beleza e modificaram a forma de falar, que de gutural e bruta passou a ser suave e melodiosa. Ganharam maneiras e passaram a ser citados nas revistas cor-de-rosa sempre ávidas de gente emergente no “soçaiti”. Aprenderam a linguagem do Povo e com este se misturaram nas praças e nos mercados.
Ganharam a confiança das crianças, das mães e dos pais, do Povo português e ganharam muito mais coisas. Mantiveram-se tranquilamente nos postos e posições onde foram sendo colocados e onde, eles próprios se colocaram. Colocaram muitos amigos em posições importantes e o tempo foi passando, esbatendo as arestas mais vivas dos acontecimentos.
Um dia o Povo, absorto em tantos acontecimentos estranhos que aconteciam à sua volta, privatizações, desemprego, falências, pedofilia, apercebeu-se que haviam desaparecido dois ou três euros que tinha no fundo do bolso. Havia sido roubado. Os órgãos da comunicação social eram ufanos em diariamente anunciarem que a segurança das pessoas aumentava a olhos vistos, que o crime diminuía neste Pais já de si de brandos costumes.
Daí para a frente os euros do Povo desapareciam mal ele se distraía. Até mesmo quando julgava estar atento. Os ladrões andavam à solta de novo, bem vestidos e bem-falantes, mas ladrões. Roubaram o emprego ao Povo. Roubaram a saúde ao Povo. Roubaram a escola ao Povo. Segurança quanto menos melhor para que os ladrões actuassem sem entraves. É fartar a vilanagem.
Senhores bem vestidos, de fatos de alpaca, a maioria em tons de cinzento, aplaudiam. Aplaudiam freneticamente. Felicitavam-se uns aos outros por terem salvado o País. Os lucros chorudos das suas empresas eram prova disso. Bancos, seguradoras, mas também as empresas das águas privadas que um dia já haviam sido públicas...
O próximo negócio que já foi aprovado pelos senhores do poder, para o qual se prepara a regulamentação provoca algumas disputas entre os grandes grupos financeiros. Mas eles ir-se-ão entender para bem da Nação. Os ares que respiramos vão entrar na concorrência liberal... Vamos pagar o ar que respiramos, na certeza de que terá muito melhor qualidade.
[O Povo tomou consciência da sua própria força. Voltou a aprisionar os perigosos ladrões que se haviam evadido da prisão de alta segurança]
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terça-feira, maio 11, 2010
meu brasil, brasileiro
Os órgãos da comunicação social portuguesa sempre tão ufanos em evidenciarem as relações luso-brasileiras, as parcerias petrolíferas que temos com o Brasil, as “tricas” das telenovelas, silenciaram o assunto.
Os diversos canais televisivos portugueses foram hoje completamente absorvidos pela visita papal a Portugal. Um Papa que se encontra no centro de polémicas de forte impacto social, põe exemplo, a liberalização do aborto e o casamento entre homossexuais, foi recebido num país que se considera laico como de um “salvador” se tratasse.
Como seria de esperar, para Portugal e para o Mundo, especialmente para os países africanos que vivem em zonas de pobreza terríveis e inconcebíveis no século XXI, trouxe uma mão cheia de nada.
Ao mesmo tempo em Brasília, um homem que soube na pele o que foi passar fome, Lula da Silva, afirmava: ”Temos condições de criar em África as mesmas condições de financiamento que criamos aqui no Brasil. (…) O século XXI tem que ser o século do renascimento africano”. E das palavras á acção foi o lapso de poucas horas com a criação da Embrapa Estudos Estratégicos e Capacitação, onde serão treinados em agricultura tropical técnicos brasileiros e estrangeiros.
“Não me dêem peixe. Dêem-me uma cana e ensinem-me a pescar”.
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quinta-feira, fevereiro 04, 2010
a dívida e o deficit
Os governos são despesistas e corruptos… os banqueiros são corruptos e alarves!!!!
Quem é o culpado? O Povo, claro está…

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sexta-feira, agosto 21, 2009
a culpa continua solteira
Procurámos uma explicação para o facto, uma vez que o açúcar devidamente acondicionado tem uma duração longa e, de um modo geral, os fornecedores imprimem uma grande rotatividade de forma a garantir o efeito “publicidade” para o qual a grande maioria das saquetas é utilizada.
A razão desta prática no Brasil destina-se, fundamentalmente, a ilibar os fornecedores de qualquer problema do foro “qualidade alimentar” se o prazo impresso na saqueta já tiver sido ultrapassado. Um pequeno “gesto” no fabrico, a impressão de uma data de segurança, pode resolver importantes problemas legais.
Vem esta conversa a propósito…
Ao correr da nossa costa Atlântica, especialmente nas zonas de arriba escarpada, e em alguns areais, encontram-se colocados pequenos cartazes, muitos já deteriorados por efeito da corrosão natural, alertando para o perigo de derrocadas ou de aluimentos de terras.
Com esta atitude, as entidades oficiais responsáveis por salvaguardar o bem-estar das populações e a pela sua segurança, consideram ilibada a sua responsabilidade para qualquer acontecimento e cumprida a sua missão de serviço público.
Resolver o problema de base? Para quê se colocaram lá um cartaz de alerta? E as verbas que teriam que ser envolvidas para resolver as situações? E a dimensão da nossa costa com tantos e diversificados problemas?
A catástrofe quando existe uma possibilidade de vir a acontecer, ACONTECE MESMO. É sempre uma questão de tempo. Os políticos, os filósofos da governação, isso deveriam saber. Contudo…
Os acontecimentos recentes na Praia Maria Luísa vieram confirmar o que acima deixamos escrito, tal como o grave acidente acontecido em Entre-os-Rios há alguns anos. E tal como então aconteceu é assistir com espanto (com espanto?) ao fugir às responsabilidades, ao “empurrar” entre entidades, ao encontrar justificações bacocas… Na verdade no topo de toda essa gente de mau-porte, corrupta, irresponsável, cobarde… está o Governo da Nação.
Responsáveis? As pessoas que utilizaram aquela praia naquele momento fatídico, muitos que perderam a própria vida, outros salvos por uma nesga de fortuna… Os governantes e os seus “funcionários directos” gente paga a peso de ouro para dar cumprimento ao que a Constituição determina… garantir a segurança de um Povo… esses vão diluir as culpas na morosidade dos Tribunais, nas prescrições, nos relatórios inconsequentes…
Que gente esta que nos governa… hem?
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quarta-feira, abril 01, 2009
dia das mentiras
Muitas são as origens apontadas para que o dia 1 de Abril há muito seja considerado o Dia das Mentiras. Uma delas tem origem em França onde desde o século XVI o Ano Novo era festejado entre os dias 25 de Março e 1 de Abril, coincidindo com a chegada da Primavera.
Quando em 1564 o rei Carlos IX de França adoptou o Calendário Gregoriano determinou que o Ano Novo passasse a ter início no dia 1 de Janeiro o que desagradou a muitos franceses que continuaram a seguir o calendário antigo. A partir daí passaram a ridicularizar este facto tendo o costume de enviar presentes estranhos nessa data, que mais tarde veio a descambar em mentiras.
Durante muito tempo os jornais diários e as emissoras de radiodifusão, criaram o hábito de dissimuladamente publicarem uma notícia falsa, mentira essa que viria a ser desmentida no dia seguinte. Com o advento da televisão, também este meio de comunicação social passou a usar do mesmo costume.
Nos tempos correntes a mentira e a meia verdade entraram nos hábitos correntes dos políticos, dos órgãos de comunicação social, da sociedade em geral. E se alguma vez o desmentido chega é sempre na forma de uma mentira ainda maior.
Que maior mentira poderia ser dita hoje a população de todo o Mundo do que fazerem crer, os políticos e os órgãos de informação que os apoiam, que a reunião dos 20 mais poderosos que tem lugar em Londres se destina a resolver os problemas dos mais carenciados, dos milhões em todo o mundo que vivem de fome real?
Estão a analisar, isso sim, qual a alternativa possível à tremenda crise que o sistema capitalista atravessa. Será sempre uma alternativa temporária, pois um sistema que vive fundamentalmente da especulação financeira está, obviamente, condenado.
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quarta-feira, março 25, 2009
uma pérola
Conheci-o há mais de 30 anos, quando ainda na força da juventude acalentávamos a esperança na mudança social deste País pela qual tanto havíamos batalhado. Encontramo-nos numa das inúmeras sessões de esclarecimento que se realizaram após o glorioso 25 de Abril de 2004. O tema foi o desenvolvimento económico preconizado depois da longa noite obscurantista e fasciata imposta pelo “estado novo”.
Quem o ouviu ficou encantado com a forma simples e clara como problemas tão complexos do foro económico e financeiro foram apresentados. Ele fazia parte de uma elite de economistas de grande saber, tais como Mário Murteira e Francisco Pereira de Moura. Estou a falar de Carlos Carvalhas.
Os anos passaram e fomo-nos cruzando vezes sem conta. Ora na esplanada de um restaurante da Costa de Caparica na hora do almoço, ora nos corredores de um comício ou na multidão de uma manifestação. Algum tempo como “camarada secretário-geral”, que sempre achei não ser o mais adequado à sua maneira de ser e de espôr o seu saber.
Este saber que tanto respeito tem sido, ano após ano, colocado sempre aos serviço dos mais desprotegidos por uma sociedade que cada vez mais valoriza os aspectos financeiros e da exploração desenfreada em detrimento do engrandecimento social das populações.
Hoje, mão amiga, fez-me chegar esta pérola de prespicácia e clareza que convosco aqui partilho:
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sexta-feira, janeiro 30, 2009
dias de memórias
A palavra saudade vem do latim solitate, que na tradução literal quer dizer solidão. Mas na nossa língua adquiriu um significado mais romântico, por vezes eivada de dramatismo, do “amor ausente” mas, igualmente, de todas as ausências que nos levam à nostalgia.
Despejada desses sentires nostálgicos, como mais gosto de fazer, sem as “coisas distantes ou extintas” que não é possível trazer até nós, fica a suavidade das memórias, de tudo o que nos deu prazer, mas também das situações mais dramáticas que nos ajudaram a crescer, enriquecendo o nosso pulsar social e solidário.
Este sentimento sempre foi tema de músicas, poemas, filmes. O fado de determinada época encontrou nos aspectos mais dramáticos fonte de inspiração. Mas verdadeiramente o que nos faz avançar são as memórias e a força que encontramos para as recuperarmos e criarmos novas situações que virão a ser memórias para os tempos vindouros.
No dia 30 de Janeiro comemora-se o dia da saudade. Na Oficina das Ideias muito gostaríamos que este fosso o Dia das Memórias.
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quarta-feira, janeiro 14, 2009
é tempo de dizer "basta!"
E se não bastasse o elevado poderio bélico que estão a utilizar, com o beneplácito dos Estados Unidos, esses guardiões da paz mundial, e dos países da União Europeia que dizendo-se “contra” tomam posições frouxas e sem clareza, apoiando dizendo-se contra, estão agora os israelitas a recorrer ao armamento com enxofre branco, como já foi detectado por cientistas noruegueses.
Os olhos do mundo estão postos no novo presidente dos Estados Unidos, que deixou muitas promessas de lutar por um mundo melhor durante a sua campanha eleitoral, mas esquecemo-nos de que os governos dos Estados Unidos e da Europa estão reféns do poderio económico e financeiro acumulado pelos judeus na diáspora e que agora utilizam como jogo forte e viciado.
Os israelitas tem usurpado, ano após ano, territórios palestinianos, desde que a partir de 1891 os sionistas começaram a comprar terrenos pertença de agricultores, mas que por manigâncias legais haviam passado à posse de absentistas que agora os vendiam. Havia o deliberado querer de expulsar os palestinianos do seu próprio território ficando para os sionistas as terras mais ricas da região. Recomendavam à época “…tanto processo de expropriação ou remoção dos pobres deve ser empreendido de forma discreta e circunspecta”.
O povo palestiniano está a ser cruelmente massacrado, com uma violência nunca antes observada e os governos do mundo dito civilizado assistem impávidos, como se de algo muito longínquo e desinteressante se tratasse. Mas os judeus, os governantes e os militares que não o seu povo, jamais conseguirão despir a pele de predadores que são.
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domingo, dezembro 28, 2008
a sabedoria do tempo
Júlio Pomar, um magnífico artista plástico português, disse um dia que “nunca vi o tempo”, nem tão pouco “tenho dele uma imagem real”. Acontece o mesmo comigo, somente os meus sentidos, que não a vista, vão dando conta da sua passagem.
Durante muitos anos não usei relógio, voltei a tomar essa atitude de há alguns meses para cá, outros tempos houve que usava um em cada pulso, vivia ao ritmo da actividade que desenvolvia. Já usei e ainda hoje o faço, um relógio que divide o decurso de um dia em mil partes iguais. Olho muitas vezes para um relógio que contraria a frase feita “no sentido dos ponteiros do relógio”.
Muitas vezes o passar do tempo é lento, como acontece neste momento com o arrastar dos últimos momentos do ano de 2008, na procura de abandonar um ano que foi bissexto e que parece querer demonstrar à evidência pensares de antigas tradições: “ano bissexto, tempo aziago”.
Foi um turbilhão de tempo que em grande parte das gentes, não somente em Portugal como no Mundo, deixa um sabor amargo e um sentimento de frustração, pois todos poderíamos ter feito melhor. Pelo menos, não ter cruzado os braços a deixar o tempo passar.
Claro que os arautos do poder universal, aquele que vive do tráfico de armas e de drogas e das permanentes agressões ao património natural, continuam a amachucar as gentes na pressão de uma crise para a qual o Povo não contribuiu mas que com ela é quem mais sofre.
Amachucar, oprimir, denegrir para reinar. Já não basta dividir, é necessário calcar forte, trazendo-me à recordação aqueles cartazes antifascistas do tempo da II Grande Guerra em que o Povo era espezinhado pelas botas do poder.
Sonho sentir o Povo que se “alevanta” e uma vez por todas diz NÃO! Porque a esperança não morre, a opressão definha.
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quinta-feira, dezembro 18, 2008
reféns de si próprios
Nessa época ainda tão próxima considerada que seja a linha do tempo, mas tão distante no sentido que a vida lhe dá, dos aspectos políticos e sociais de Portugal, da Europa e do Mundo, deu-se a importante transição entre a designada mecanografia, onde predominavam os aspectos mecânicos aplicados à teoria da informação, e a informática à época emergente nos países mais desenvolvidos, e que recorria às mais recentes inovações no campo da electrónica com destaque para os transístores e outros componentes electrónicos que tomavam dimensões cada vez mais reduzidas.
Aos computadores, “filhos” da imaginação, da inteligência e do saber dos seres humanos, eram atribuídas cada vez mais funções, embora se tratasse de funções repetitivas eram cada vez mais abrangentes, e realizavam tarefas em tempo restrito que a serem realizadas pelos homens seriam tarefas de uma vida.
Depois, embora baseados em algoritmos elaborados pelo Homem, desenvolviam funções que a este, exclusivamente, pareciam reservadas. Nos anos 70 do século passado uma equipa constituída por dois finalistas do IST e por nós próprios produziu, a partir da geração de números aleatórios um sorteio tipo “lotaria” que levava os computadores para o campo dos “jogos de sorte”.
Eram frequentes os debates públicos sobre os computadores e a informática onde muitas vezes era levantada a questão “se um dia a criatura não viria a comandar o criador”. Não só estaria em causa a liberdade do ser humano como a sua própria relação com as religiões. Na década de 70 a tecnologia da informação avançou mais do que em todo o tempo histórico anterior.
Com o advento da computação pessoal o fenómeno tornou-se muito mais significativo. E embora não mais tenha voltado à discussão “quem manda em quem”, “a revolta da criatura contra o criador”, a verdade é que na sociedade de hoje seria praticamente impossível a vivência sem os computadores, as comunicações sem fios, a Internet e o correio electrónico.
O ser humano caracteriza-se, fundamentalmente, por tecer as teias em que ele próprio se enleia e das quais ficará refém. Numa ânsia desmedida de poder enfrentou a natureza, violentando-a com tremendas agressões ecológicas donde hoje não consegue sair.
Foi o mesmo desejo de poderio que o levou à globalização financeira, que não à globalização da solidariedade, à exploração desenfreada dos bens naturais e do seu próprio semelhante, tão violentamente como nenhum outro ser vivo o faz, a ignorar o sofrimento daqueles que por cegueira, mais cego é quem não quer ver, ignora a existência.
Na realidade, o ser humano teve capacidade para não ficar refém dos computadores, fruto da sua criação, mas não teve a mesma sabedoria para se não deixar enlear mortalmente pelo sistema de globalização que criou.
Chamemo-lhe o verdadeiro nome: sistema capitalista, liberal e explorador do próprio ser humano.
Recomendamos vivamente a leitura da crónica de José Gil, na revista Visão de 18 de Dezembro de 2008, página 28, intitulada “As duas crises”
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segunda-feira, dezembro 08, 2008
assim vai este mundo
“Bassorá, no sul do Iraque, é o exemplo mais conseguido duma situação que qualquer observador minimamente informado saberia que iria acontecer e que o governo dos Estados Unidos com todo o seu potencial de informação não teve capacidade de prever.
A exigência de que os americanos abandonem o território, a pretensão de conduzir os destinos com as próprias mãos, traz o Povo para a rua em manifestações monumentais contra um invasor um opressor que destruiu uma terra e um Povo e que se nega a repor a legalidade.
Esta situação de revolta popular era de há muito esperada na região, uma vez que os Estados Unidos nunca conseguiram estabilizar o funcionamento das instituições, quer as oficiais, quer as privadas.
A região luta com uma tremenda falta de bens, inclusive de combustíveis, o que paralisa toda a actividade mercantil, enquanto que a gasolina é vendida no mercado negro para o Kwait.
Como sempre acontece nestas circunstâncias uns tantos, poucos, estão a ganhar fortunas à custa do sofrimento de um Povo continuando uma ditadura, agora sem ditador, que cilindra vontades e sonhos.”
Daí para cá, e já passaram mais de cinco anos, a situação em termos mundiais não só se manteve, como se agravou profundamente, especialmente na vertente de cariz humanitária, criando em todas a regiões do planeta focos de tensão, autênticos “barris de pólvora” prontos a explodir com dramáticos efeitos sociais.
O governo norte-americano não é em nada alheio a estas situações pois cria sistematicamente centros de tensão onde os seus interesses geo-estratégicos são mais significativos, quer por imperativos de controlo económico, especialmente nas regiões ricas em hidrocarbonetos e minérios, quer por interesses militares de controlo do universo como “senhores do mundo” que se assumem.
A própria Europa está debaixo da mira do governo estadunidense, como aliás sempre esteve, de forma mais ou menos dissimulada, veja-se a intervenção contra-revolucionária do embaixador dos Estados Unidos em Portugal no pós-25 de Abril, cujo governo supranacional de Durão Barroso continua a ser servil súbdito.
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quinta-feira, novembro 27, 2008
ginjinha sem elas
Nos últimos tempos temos sido confrontados, nas conversas que sempre acompanham a degustação da ginjinha, com uma polémica que já se torna recorrente: “a verdadeira ginjinha é a de Alcobaça!”, “ginjinha, ginjinha é a de Óbidos!”. Já não trago à conversa a ginjinha de Sanguinhal, de Espinheira e de tantas outras regiões.
Uma vez mais, o tema foi conversa. Foi troca de confidências e de desabafos. E como estávamos numa “roda de amigos” conseguimos saber um pouco mais sobre o assunto que tem feito correr muita tinta e que traz um pouco confusos os verdadeiros apreciadores da ginjinha.
Dizia quem sabe do assunto: “meu amigo, eu sou produtor de ginja e a minha esposa fabricante da ginjinha, mas ouso afirmar-lhe que a ginja nem é de Óbidos, nem de Alcobaça”. Quando viu o ar de espanto espelhado no meu rosto acrescentou: “nem de Óbidos, nem de Alcobaça... em termos gerais é dos Países de Leste, no concreto maioritariamente da Polónia”.
O que acontece é que a produção de ginja adequada ao fabrico da ginjinha, pequena e ácida, é em quantidade insuficiente para as quantidades fabricadas do licor, além de que os custos de produção, especialmente a colheita são elevadíssimos.
Um jovem agricultor da região de Óbidos há muito que batalha pela obtenção de incentivos para o aumento da área de pomar de ginjeiras, pelo menos para cerca de 10 hectares, enquanto que, por sua conta e risco, procura “inventar” sistemas que ajudem na colheita por forma a baixar os custos finais de produção.
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quinta-feira, outubro 09, 2008
crise, ou crises?
É a força da comunicação social em toda a sua pujança ao serviço de uma “propaganda” que vem de longe, que chega de forma difusa e ganha corpo e poder.
Que crise é esta, que força é a sua, que tem honras de primeira página nos jornais escritos e da abertura dos serviços noticiosos dos telejornais? Que crise é esta que leva para segundo plano a pedofilia e o caso Casa Pia, o crime violente e os assaltos a multibancos, a corrupção de colarinho branco e, muito em especial, a verdadeira crise, a da fome em que vivem cerca de dois milhões de portugueses, no desemprego ou com reformas de miséria?
A crise, esta crise do sistema financeiro internacional, além de absorver a comunicação social está na boca do povo, ao ponto de um comentarista televisivo ter afirmado que o povo português está a utilizar termos que nunca antes tinha usado.
Os próprios politólogos que tudo sabem e tudo comentam terão ido tirar cursos de formação acelerados sobre a temática crise e agora é vê-los a debitar opiniões de acordo com o “his master voice”.
Mas que crise é esta? É a crise real com que se debatem milhões de seres humanos em todo o Planeta? NÃO!! É a falência de bancos. É a queda a pique do valor das acções em bolsa. É a queda do preço do petróleo bruto.
Mas que bancos são estes que abrem falência? E a que negócios se dedicam? Acrescentam algo ao Produto Interno Bruto (P.I.B.) dos respectivos países ou são entidades puramente especuladoras?
As bolsas de valores estão em queda? Em queda em relação a quê? Quando poucos detinham riquezas fabulosas (e ainda as detêm) à custa da especulação, muitos, na ilusão de um dia terem um pouco mais de seu perdiam as suas parcas poupanças para esses especuladores.
Numa actividade que não é produtiva que viva da especulação pura, para uns ganharem (os espertos!) muitos perdem as seus pequenos aforros. Lembram-se da Dona Branca? E das “correntes ganhadoras” que ainda por aí andam? História mais antiga e não menos exemplar é a da “Galinha dos Ovos de Oiro”.
Cilindrar um Povo com preocupações sobre a falência de bancos e a queda das bolsas de valores (para os quais nada contribuíram) e que na larga maioria não consegue viver com os magros rendimentos do trabalho ou com a seca reforma é, no mínimo, pornográfico.
Estamos num mundo onde impera a falta de pudor... e Portugal, o governo da Nação portuguesa e a comunicação social a seu soldo estão no mesmo barco.
A crise está aí. Mas é a crise do sistema capitalista que no equilíbrio mundial está a ver fugir-lhe a sua única razão de existir: a acumulação de capital. Mas no seu estertor quer arrasta as gentes inocentes que sempre lhes serviram como meio de produção mais importante e pior remunerado: o trabalho.
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sexta-feira, agosto 22, 2008
comunicar livremente
Desde sempre o ser humano sentiu necessidade de comunicar. E não só no âmbito do seu seio familiar ou comunitário. Logo que a imaginação, a arte e o saber o permitiu quis levar esse acto de comunicar mais longe. Recordemo-nos, a título de exemplo, o grande avanço civilizacional que representou a capacidade (depois da sua invenção) de comunicar à distância através de sinais de fumo. E estamos a recuar à pré-história dos tempos.
A evolução foi constante neste campo da vida social, como em tantos outros, avanços técnicos e sociais, a ansiedade de chegar mais longe e mais rápido, a importância da comunicação, o alargamento cada vez maior dos canais de permuta de conhecimentos e de saber. Em plena “revolução industrial” surgiu a possibilidade de comunicar a longa distância sem qualquer suporte físico, nem a dependência da linha do horizonte. Que grande salto civilizacional representou a invenção e a generalização do uso da telegrafia sem fios.
O ser humano continuava no seu caminho de ampliação da capacidade de comunicar. Comunicação de cariz bidireccional, do diálogo, da permuta e da partilha, da troca de informações e da discussão de opiniões. O ser humano no seu expoente máximo do desenvolvimento social. Este desenvolvimento não agradava, contudo, a toda a gente. Não agradava, como não agrada ainda hoje, aos governos das nações, às elites que pretendem tudo controlar, até o pensamento humano.
O que lhes agrada e defendem é a existência de cada vez mais largos canais de comunicação mas que a sua utilização seja feita num único sentido, mantendo a maioria das pessoas como simples ouvintes sem capacidade de resposta. As televisões, as rádios, os meios de comunicação escrita valorizam cada vez menos a interactividade.
Rejeito ou utilizo com cautela a comunicação em que me “obrigam” a funcionar exclusivamente como receptor, especialmente quando detecto intenções de intoxicação, o que acontece amiúde nos debates televisivos, nos discursos dos políticos, nas conferências de imprensa. Não quero com isto dizer que numa comunicação dialogante não aprenda mais com o que oiço do que com o que digo, mas não invalida que não aceite ser forçado a ouvir quem nada tem para partilhar, antes pretende impor a sua “verdade” como dogma, logo, sem discussão.
Como há dias dizia um popular entrevistado por uma cadeia de televisão “eles falam muito mas nós não percebemos nada”. E quando o Povo não entende não sou eu suficientemente iluminado para aceitar ouvir.
O grande êxito dos meios de comunicação livres e populares, como é o caso da blogoesfera, como já foi nos anos 80 e 90 do século passado a Banda do Cidadão (comunicações rádio), é precisamente a capacidade que nos dão de formularmos a nossa opinião, de discutir as formas de pensar, de enriquecer, construindo, o nosso saber.
Não admira, pois, que este facto nos afaste da intoxicação permanente veiculada pelas televisões, que os sistemas no poder conseguiram transformar no local de reunião das famílias, antes durante e depois das refeições, onde a conversa e o diálogo estão afastados, “cala-te... deixa ouvir o que estão a dizer na tv!". Privilegiamos durante algum tempo da nossa vida este espaço de diálogo que não tem, forçosamente, de continuar permanentemente virtual.
É evidente que os psicólogos “de serviço aos poderes instituídos” já levantam a questão dos malefícios que este tipo de ocupação de tempos livres têm para a evolução social. Já o mesmo aconteceu com a Banda do Cidadão. Já o mesmo aconteceu nos tempos de ditadura “é proibido o ajuntamento de mais de três pessoas...”, acontecerá sempre em relação à necessidade e ao querer de utilização dos canais de comunicação cada vez mais tecnicamente evoluídos de uma forma livre e popular.
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sexta-feira, julho 18, 2008
o colapso
Para justificar o que já se torna injustificável e, especialmente, insuportável por largos milhões de seres humanos em todo o Mundo, as notícias base da propaganda surgem de tal forma em catadupa que elas próprias se contradizem com diferenças curtas de singelos minutos.
A meio desta semana (13 a 19 de Julho de 2008) dois canais de televisão diferentes davam notícias sobre o aumento do preço do petróleo bruto, no mínimo, contraditórias. Enquanto que um canal anunciava que os preços, quer nos mercados de Nova Iorque, quer de Londres, atingiam uma vez mais números recorde, um outro canal anunciava o abaixamento desses mesmos preços. Subjacentes as estas notícias estava, por um lado, a importância de passar a informação do aumento de confiança nos Estados Unidos e, por outro, o interesse em propagandear que os países do Médio Oriente e a própria OPEP se negavam a aumentar a produção de crude na região.
Sintoma desse mesmo desespero que as forças da globalização financeira atravessam, incapazes de estancar a crise, especialmente social, que eles próprios provocaram, com riscos de uma insubordinação planetária fruto de verdadeiras situações de fome generalizada, é a pressão cada vez mais forte que o Fundo Monetário Internacional está a fazer sobre os governos que dele estão reféns.
Avisado andou o governo brasileiro quando decidiu liquidar toda a dívida que tinha para com o FMI e bater a porta a esses autênticos abutres do sistema capitalista.
Duas recomendações do FMI vieram esta semana a público, e quando referimos recomendações dever-se-á ler IMPOSIÇÕES, a que o governo português não vai ter capacidade de reagir e deveremos estar atentos a futuros desenvolvimentos a breve prazo.
Em primeiro lugar e atendendo a que as previsões de inflação média para 2009/2010, segundo o FMI situar-se-ão em cerca de 2% será esse o aumento de vencimentos recomendável para as próximas negociações entre os sindicatos e os patrões (Estado incluído).
Segunda recomendação de que os governos deverão estudar a hipótese de as contribuições do patronato para a Segurança Social serem reduzidas ou mesmo anuladas por forma a incentivar a criação de novos postos de trabalho.
São evidentes os objectivos reais pretendidos de subjugar cada vez mais a força do trabalho, muitos analistas já falam em real escravatura, e proporcionar a continuação da acumulação de capital “espremendo” até ao limite os rendimentos dos trabalhadores.
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quarta-feira, julho 09, 2008
o fogo da vida
O ser humano arde em fogo lento nos seus 36 graus e meio [ideia “bebida” nos maravilhosos escritos do Professor Fernando Carvalho Rodrigues], aproximadamente, e desse modo nos consumiríamos em cerca de 120 anos. A nossa chama não é visível pelos nossos semelhantes pelo que para darmos nas vistas teremos que ser iluminados.
As doenças e o amor ardente alteram esta situação acelerando o fogo pessoal reduzindo, então, a nossa vida para bastante menos de 120 anos. Se a doença é algo lamentável o amor ardente é, as mais das vezes, uma troca interessante por alguns anos de não viver.
Se o fogo pessoal é lento e a baixa temperatura, o fogo da vida esse, pelo contrário, é muito intenso e atinge milhões de graus de temperatura. Temos a felicidade de que tem lugar muito longe, o mais aproximado dos quais se verifica no Sol.
O homem na sua ânsia de poder e de riqueza atua por forma a que reduz em muitas situações o benéfico efeito do fogo da vida. Tem destruído elementos naturais de grande importância para o aproveitamento do fogo da vida, como sejam as florestas com destaque significativo para a região da Amazónia.
O efeito imediato é o aumento das doenças, a redução do efeito do fogo da vida, a redução drástica do tempo em que no nosso fogo lento nos consumimos. Mas o responsável não é o homem em termos gerais. Há responsáveis a que apontar o dedo!
Quando com o Protocolo de Quioto se pretende evitar uma autêntica catástrofe para a Humanidade obrigando os países a reduzir as emissões poluentes, o Presidente Bush nega-se a subscrevê-lo. Diz que não subscreverá qualquer documento do mesmo tipo e com os mesmos objectivos.
A doença espreita todos os deslizes do ser humano. A saúde é um direito de todos nós, independentemente da capacidade financeira e do extracto social a que pertencemos. Quando se sente ameaçada a concessão dos cuidados primários de saúde as pessoas unem esforços para evitá-lo.
Contudo, critérios economicistas de gente que não sente as carências do Povo, encerrados que estão em redomas de cristal, assim poderemos chamar aos seus gabinetes decorados por profissionais, estanques ao sentir da vida, isolados da realidade, não levam em consideração os problemas de saúde que as suas próprias políticas globalmente provocam.
E ao protesto do Povo sentido respondem com desprezo: “isto são coisas de comunistas...” como era uso fazer a “propaganda” do Estado Novo.
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segunda-feira, junho 30, 2008
a invisibilidade dos fogos
As televisões, fazendo eco de comunicados governamentais, anunciam que a partir de amanhã, 1 de Julho, entrará em funcionamento o designado “plano C” da prevenção e intervenção referente aos fogos florestais, sem qualquer referência estatística referente aos “plano A” e “plano B”.
Curiosamente, as televisões, quer as privadas, quer a pública, têm silenciado o assunto não trazendo para a ribalta dos noticiários quaisquer informações contrariamente ao que aconteceu em anos anteriores, inclusive com a visualização de mapas interactivos onde as situações de fogo eram mostradas.
Nem sobre o tema se têm pronunciado os responsáveis pela protecção civil e pelo socorro, pertencentes a um organismo que quase todos os anos tem mudado de nome, hoje conhecido, salvo erro, por Autoridade da Protecção Civil, nem tão pouco o Ministro da Administração Interna.
No entanto...
“A área ardida duplicou em relação a igual período do ano passado”
Sempre temos defendido na Oficina das Ideias que os fogos de Verão se cuidam no Inverno e continuamos a pensar assim. Contudo, os especialistas nestes assuntos que até já designaram os fogos florestais por “ignições” continuam a ter as respectivas agendas políticas descontroladas em relação às realidades.
Esperemos que a regra dos “40” não seja aplicada pela mãe natureza, “40 graus centígrados” e “40% de humidade relativa” e “40 nós de velocidade do vento” para bem de todos nós, porque os homens não se sabem proteger.
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quinta-feira, junho 19, 2008
governo refém do capitalismo selvagem
Por vezes as notícias surgem de mansinho, com a colaboração de alguns órgãos de informação, também eles bajulando os mesmos “patrões”, quais lobos de cordeiro vestidos, escondendo meias verdades, mas sem o discernimento para a esconder totalmente, “gato escondido com rabo de fora”.
Jornais diários puxaram hoje para a primeira página o aumento do preço de 121 medicamentos, houve outros que “esconderam” esta notícia que interessa a todos os portugueses nas páginas interiores, dando seguimento a um comunicado emitido pelo próprio governo da Nação.
Alguns jornalistas mais atentos foram conferir e verificaram que são cerca de 300 os medicamentos que sofreram aumento e concluíram ainda que a razão dos aumentos se deve a novas embalagens mais apelativas, com “designs” mais modernos, mas que os consumidores doentes têm que pagar.
E poderia o governo da Nação, o mesmo que protege os patrões camionistas, que permite o “lockout”, que cede aos detentores do capital e não apoia os trabalhadores mais sacrificados, sempre sacrificados, impedir tais aumentos, em defesa da saúde pública como é sua constitucional responsabilidade?
Impossível!!!! Os laboratórios de medicamentos, exemplo mais acabado do capitalismo selvagem, corrupto e anti-social, responderam assim: “Se não nos for permitidos os aumentos, retiraremos os medicamentos do mercado”.
E o governo da Nação “baixou os cornos” subserviente às multinacionais que o mantém refém a troco do apoio que lhe garantem.
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segunda-feira, junho 09, 2008
devemos estar atentos
É bastante claro, embora os órgãos de informação fiéis e cegos servidores do grande capital tentem “tapar o sol com a peneira”, que um sistema que vive fundamentado na especulação financeira mais cruel, sacrificando com a isso a produção e a consequente e a adequada retribuição da força de trabalho, é um sistema económico (e político) sem futuro.
É clara a brutal manipulação das vontades e, muito em especial, das leis do mercado quando hoje é anunciada uma profunda crise económica e social, envolvendo a energia e os alimentos, nos Estados Unidos e passados quinze dias as notícias são de desanuviamento, “o pior já passou” como anunciou o “guru” das finanças estadunidenses ainda hoje. Entretanto, as notícias de há quinze dias atrás provocaram verdadeiros colapsos nos mercados internacionais.
O Povo, as gentes trabalhadores, aqueles que são elementos fundamentais da produção sofrem carências cada vez maiores, muitos já colocados aquém dos mínimos de subsistência, passando fome, FOME, enquanto que os especuladores retêm em armazenagens de multinacionais enormes reservas de petróleo e de alimentos, especialmente cereais, na expectativa de vultosos lucros.
Simplesmente, a ganância de lucrar é tamanha que já não vai chegando para todos. Muitos que especulavam violentamente contra a população em geral, como é o caso dos intermediários que ganham a “fatia de leão”, onde o produtor recebe pouco e o consumidor final paga muito, começam também eles a terem dificuldades.
Na lógica do capitalismo selvagem sentem então direito a lutar por manterem os lucros especulativos que conseguiam até agora e, pasme-se... incitam ao boicote por exemplo dos transportes que não configura a greve mas sim de “lock-out”, acto constitucionalmente ilegal e criminoso por prepotente, numa luta de “patrões contra patrões”, no desprezo pelo direito legal ao trabalho por parte dos trabalhadores.
O capitalismo atravessa crise profunda. O estertor da morte conduz a actos de descontrole total com perigos de dimensão insuspeitável, que pode vir a pôr em causa a própria Democracia. Atentemos ao passado no Chile perpetuado pelo sanguinário Pinochet.
Deveremos estar alerta e exigir do Governo medidas exemplares para solução da situação em defesa das populações mais sacrificadas e não do capitalismo especulativo, o da fome e da guerra.
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