domingo, janeiro 10, 2010
cantar as janeiras na charneca de caparica
Supõe-se que as Janeiras estejam relacionadas com os cultos pagãos, desenrolando-se no mês do deus romano Jano, de Janua que significa porta, entrada. Esta figura da mitologia romana, representada com duas caras, encontra-se fortemente ligada à ideia de entrada mas, muito em especial, à noção de transição, de conhecimento do passado e do futuro.

O cantar as Janeiras na Charneca de Caparica perde-se nos fumos dos tempos e da memória, mas estabelece sempre uma estreita ligação entre o mar, ali tão perto, e a actividade das pessoas, mais ligada aos campos, actividade rural, pois o mar era difícil de domar, era “mar macho” no dizer dos pescadores, na grande maioria dos meses do ano, facto agravado pela fragilidade das embarcações de então.
Mesmo juntinho à praia
Continua a ser rural
Conserva em toda a raia
Um belo e extenso pinhal

Ainda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada.
Boas Festas, Boas Festas
Boas Festas de alegria
Que as manda o Rei do Céu
Filho da Virgem Maria.
Viva lá senhor ...
Sua cara é de sol
Coberta de diamantes
Com safiras ao redol.
Levante-se lá senhora ...
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as Janeiras
Ou de carne ou de chouriça.
Viva lá senhor ...
Raminho de bem-querer
Se a sua pipa tem vinho
Venha nos dar de beber.
Acabadas estão as festas
Embora venham os Reis
Vede lá por vossas casas
As Janeiras que nos deis.

As cantorias deste ano foram entoadas pelo grupo do “Cantar as Janeiras”, pertencente ao Clube Recreativo Amigos da Quinta da Saudade e acompanhados pelos populares artistas Simara e Alex que se deslocaram utilizando um autocarro com mais de 60 anos de existência. Aqui fica a letra de um outro cantar que foi dedicado no decorrer do “Cantar as Janeiras” à povoação de Charneca de Caparica:
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Um jardim em cada casa
Mas que bem que te fica.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Tens p’ra todos um abraço
De amizade muito rica.
Quem passar p’ra outra margem
Seguindo a via do Monte
Tendo atenção à rodagem
Há-de encontrar uma ponte.
Se virar p’ro lado esquerdo
Não tem nada que enganar
O caminho é sempre em frente
E vai mesmo lá parar.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Um jardim em cada casa
Mas que bem que te fica.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Tens p’ra todos um abraço
De amizade muito rica.
Há quem chame a esta Vila
O lugar da felicidade
Porque o ar que cá se inspira
Tem sabor a liberdade.
Mesmo juntinho à praia
Continua a ser rural
Conserva em toda a raia
Um belo e extenso pinhal.

Etiquetas: charneca de caparica, janeiras, tradição
sábado, janeiro 09, 2010
cantar as janeiras na aldeia
Por aqui e por ali andámos e com a ajuda do S. Pedro que durante algum tempo “mandou” que a chuva fosse cair a outras terras que destes usos e costumes estão alheias, cumprimos o destino traçado aos andarilhos, aos caminhantes e aos nómadas dos sentires na boa companhia de quem nos quer bem, no festejar de um petisco acompanhado com tinto de boa cepa.

Boas Festas, Boas Festas
Boas Festas vimos dar
Venham-nos dar as Janeiras
Se nos as quiserem dar
Estas casas não são casas
Estas casas são casinhas
Tantos anos viva o dono
Como ela tem de pedrinhas
Levante-se lá senhora
Desse banco de cortiça
Venha-nos dar as Janeiras
Ou morcela ou chouriça
Senhora que está lá dentro
Nesse banquinho de prata
Venha-nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata
E “os da casa” lá vinham receber as Boas Festas os desejos de um Feliz Ano Novo e ajudarem a compor a cesta com mais uma garrafa de vinho ou com uma chouriça, e então “de roda” saía mais uma cantoria musicada com ferrinhos e reco-reco e outros instrumentos populares, onde pontuava a concertina e o cavaquinho tocados pelas mãos sabedoras e mágicas de Rita e Vítor Reino, dos Maio Moço…

Ai lé, piro-lé. Ai ló
De noite pelo escuro
Ai lé, piro-lé, ai ló
Bem de certo quer saber
Ai lé, piro-lé, ai ló
Se o seu vinho está maduro
Ai lé, piro-lé, ai ló.
Se alguma mão mais avara nada deixasse na cestinha e testemunhámos que isso não aconteceu, teria que ouvir:
O toucinho é muito alto
A faca não quer cortar
Estes barbas de bagaço
Não têm nada para dar
Lá para as tantas para reconfortar das andanças e dos cantares um convívio de fim-de-festa juntou muitos aldeões que quais reis do Presépio partilharam comes e bebes da tradição.

Etiquetas: aldeia lar, janeiras, tradição
quarta-feira, janeiro 09, 2008
cantar as janeiras das escolas
Supõe-se que as Janeiras estejam relacionadas com os cultos pagãos, desenrolando-se no mês do deus romano Jano, de Janua que significa porta, entrada. Esta figura da mitologia romana, representada com duas caras, encontra-se fortemente ligada à ideia de entrada mas, muito em especial, à noção de transição, de conhecimento do passado e do futuro.

A tradição de Cantar as Janeiras manter-se-á se for feito um esforço de diversas entidades no sentido de a vitalizarem. E nada melhor do que criar o hábito dessa cantoria popular logo na tenra idade. Em boa hora a aula de educação musical da EBI de Vale Rosal tomou essa iniciativa, pelo menos desde o ano de 2005.
Este ano um grupo de meninos e meninas do ensino básico acompanhados pelas respectivas professoras, com a participação musical da acordeonista Paula Marques estiveram na Junta de Freguesia a Cantar as Janeiras e a afirmar bem alto que querem dar continuidade à tradição.

Depois de cantarem o maravilhoso poema que Zeca Afonso dedicou ao tradicional Cantar das Janeiras, como saudação inicial “janeiraram” assim:
Somos de Uma escola
Onde gostamos de estar
Vimos dar as Janeiras
E também cumprimentar
Os alunos aqui estão
Professores também
A cantar as janeiras
A quem nos quer bem
Viva lá sr. ....
Casaquinho de cambraia
Quando sai cá fora à rua
Ilumina toda a praia
Viva lá sra. ....
Onde tem o seu chapéu?
Tem-no no canto da caixa
Parece um anjo do céu
Viva lá sr. ...
Sapatinho de cortiça
Bote a mão ao fumeiro
Dê para cá uma chouriça
Viva lá sra. ...
Cabelinho aos anéis
Venha-nos esperar à porta
Com a travessa dos pastéis
Quem diremos nós que viva
Na folhinha da giesta?
Já lhes cantámos os Reis
Acabou a nossa festa
Vou dar a despedida
Aqui me confesso
Vivam todos em geral
Que eu por nome não conheço.

terça-feira, janeiro 08, 2008
cantar as janeiras na charneca
Durante muitos anos caiu esta tradição no esquecimento dos charnequenses, tal como aconteceu com outros “usos e costumes”. Em boa hora, faz agora 15 anos, António Bizarro, musicólogo há muito radicado na Charneca de Caparica, recolheu da tradição e adaptou à realidade contemporânea este singelo cantar que no Dia de Reis fez ouvir em diversos locais desta povoação.

Ainda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada.
Boas Festas, Boas Festas
Boas Festas de alegria
Que as manda o Rei do Céu
Filho da Virgem Maria.
Viva lá senhor ...
Sua cara é de sol
Coberta de diamantes
Com safiras ao redol.
Levante-se lá senhora ...
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as Janeiras
Ou de carne ou de chouriça.
Viva lá senhor ...
Raminho de bem querer
Se a sua pipa tem vinho
Venha nos dar de beber.
Acabadas estão as festas
Embora venham os Reis
Vede lá por vossas casas
As Janeiras que nos deis.

Tradição à parte, hoje em dia, são visitadas igualmente entidades associativas e de apoio social, numa perspectiva de prestar homenagem ao seu trabalho e, igualmente, animar os mais velhos que se encontram em lares, nesta fase da vida com grandes dificuldades de se deslocarem. Assim, os Cantares vão até eles dar-lhes um pouco de animação. No Portugal de Abril também as Janeiras são cantadas nas sedes dos partidos políticos da Freguesia.
As cantorias deste ano foram entoadas pelo grupo do “Cantar as Janeiras”, pertencente ao Clube Recreativo Amigos da Quinta da Saudade.

Aqui fica a letra de um outro cantar que foi dedicado no decorrer do “Cantar as Janeiras” à povoação de Charneca de Caparica:
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Um jardim em cada casa
Mas que bem que te fica.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Tens p’ra todos um abraço
De amizade muito rica.
Quem passar p’ra outra margem
Seguindo a via do Monte
Tendo atenção à rodagem
Há-de encontrar uma ponte.
Se virar p’ro lado esquerdo
Não tem nada que enganar
O caminho é sempre em frente
E vai mesmo lá parar.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Um jardim em cada casa
Mas que bem que te fica.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Tens p’ra todos um abraço
De amizade muito rica.
Há quem chame a esta Vila
O lugar da felicidade
Porque o ar que cá se inspira
Tem sabor a liberdade.
Mesmo juntinho à praia
Continua a ser rural
Conserva em toda a raia
Um belo e extenso pinhal.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
cantar as janeiras na aldeia lar
Em vésperas do Dia de Reis, já estes se haviam feito ao caminho e muito próximos se encontravam do Presépio, Cantar as Janeiras foi percorrer os arruamentos da Aldeia Lar, na Freguesia de Sobreda (que foi e poderá voltar a ser de Caparica), de lar em lar, grupo de aldeões que querem manter a tradição e que alumiados por uma candeia lá iam parando

Boas Festas, Boas Festas
Boas Festas vimos dar
Venham-nos dar as Janeiras
Se nos as quiserem dar
Estas casas não são casas
Estas casas são casinhas
Tantos anos viva o dono
Como ela tem de pedrinhas
Levante-se lá senhora
Desse banco de cortiça
Venha-nos das as Janeiras
Ou morcela ou chouriça
Senhora que está lá dentro
Nesse banquinho de prata
Venha-nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata
E “os da casa” lá vinham receber as Boas Festas e ajudar a compor a cesta com mais uma garrafa de vinho ou com uma chouriça, e então “de roda” saía mais uma cantoria musicada com ferrinhos e reco-reco e outros instrumentos populares, onde pontuava a concertina e o cavaquinho tocados pelas mãos sabedoras e mágicas de Rita e Vítor Reino, dos Maio Moço,

Quem vos vem dar Boas Festas
Ai lé, piro-lé. Ai ló
De noite pelas nuvinhas
Ai lé, piro-lé, ai ló
Bem de certo quer saber
Ai lé, piro-lé, ai ló
Se estão boas as bolinhas
Ai lé, piro-lé, ai ló.
Se alguma mão mais avara nada deixasse na cestinha e testemunhámos que isso não aconteceu,

O toucinho é muito alto
A faca não quer cortar
Estes barbas de bagaço
Não têm nada para dar
Lá para as tantas para reconfortar das andanças e dos cantares um convívio de fim-de-festa juntou muitos aldeões que quais Reis do Presépio partilharam comes e bebes da tradição.





