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domingo, outubro 04, 2009

de cartolinha

Uma visita recente à sempre maravilhosa cidade de Miranda do Douro traz-nos de novo à conversa o tema da “cartolinha”, que resolvemos convosco partilhar segundo dois diferentes prismas.



Menino Jesus da Cartolinha

Da “tulha” das recordações da Oficina das Ideias trouxemos uma imagem desse célebre “menino” vestido de casaca e calça verde e com a faixa da condecoração a vermelho. Diz quem sabe que ele é vestido de acordo com a estação do ano ou com a época festiva religiosa do momento. Como sempre as duas faces de uma realidade: o pagão e o religioso.

Na frente da base da imagem a letra manuscrita dourada “menino Jesus DA CARTOLINHA” e, na face contrária escrito na mesma tinta “Mª DOURO”, Miranda do Douro, claro. Terá cerca de uma centena de anos esta imagem.



Fomos, igualmente, fotografar a imagem original que se encontra na Igreja de Miranda - Matriz de Miranda do Douro e é devoção regional, tendo-lhe sido atribuídas honras e ordenado de capitão do exército português por vontade popular. Possui o mais importante guarda-roupa do imaginário português do qual faz parte uma inusitada cartolinha.

Traz à cintura uma espada que diz a lenda remontar aos tempos da Guerra da Restauração. Estando Miranda cercada pelos castelhanos, sem alimentos nem água, à beira da rendição se ouviu um grito galvanizador que agitou a turba mirandesa, que de espadas, lanças, espingardas e enxadas, machados e outros utensílios de trabalho caiu sobre os castelhanos que perante tamanha avalanche de gente e de força bateram em retirada. Quem tinha dado tão determinante grito? O Menino Jesus da Cartolinha, claro.



Promovido a capitão das tropas portuguesas, com direito a condecoração e a ordenado, sai à rua em procissão no Dia de Santa Bárbara, sim, a mesma de que nos lembramos quando troveja.



O Homem da Cartolinha

Mas encontrei uma outra “cartolinha” aqui na Oficina das Ideias. O Homem da Cartolinha é o Borda d’Água, é o homem dos saberes da natureza, da sua influência nas culturas e que nos disponibiliza “todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral”. Pelo menos, desde 1812.

Os actuais editores, a Editorial Minerva, apelam a todos os leitores e alfarrabistas que tenham conhecimento de edições do Borda d'Água, quer em Lisboa quer no Porto, com data anterior a 1812 que de tal dêem conhecimento, pois o mistério da sua origem é merecedor de profunda investigação.

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