terça-feira, junho 08, 2010
os cabazeiros
Foi por certo para fugir à dureza do trabalho dos campos que alguém com mais imaginação e destreza manual se lançou na arte de fazer cabazes de canas entrançadas, que as havia muitas nos imensos canaviais da Charneca.
Este trabalho de artesão que se realizava no seio de um número reduzido de famílias charnequenses – a dos “Rego”, a dos “Talego” e poucas mais – ganhou dimensão significativa e importância no rendimento familiar quando os cabazes começaram a ser vendidos para Lisboa, para os laboratórios da indústria farmacêutica que os utilizavam como embalagem dos medicamentos para exportação.
Teve tamanha importância local que a empresa “Camionetes Piedense” que servia transportes públicos à população da Charneca com ligação a Cacilhas resolveu colocar depois de 1953 neste percurso o carro 29, uma Berliet carroçada em França e que dispunha de uma ampla bagageira no tejadilho adequada ao transporte dos cabazes.
Este trabalho de artesão que se realizava no seio de um número reduzido de famílias charnequenses – a dos “Rego”, a dos “Talego” e poucas mais – ganhou dimensão significativa e importância no rendimento familiar quando os cabazes começaram a ser vendidos para Lisboa, para os laboratórios da indústria farmacêutica que os utilizavam como embalagem dos medicamentos para exportação.
Teve tamanha importância local que a empresa “Camionetes Piedense” que servia transportes públicos à população da Charneca com ligação a Cacilhas resolveu colocar depois de 1953 neste percurso o carro 29, uma Berliet carroçada em França e que dispunha de uma ampla bagageira no tejadilho adequada ao transporte dos cabazes.
Etiquetas: artesanato, cabazeiros, minha terra
terça-feira, junho 30, 2009
sua paixão é ser oleiro
Voltámos ao convívio do nosso amigo José Carlos, o último oleiro de Brotas, no concelho de Mora. Ele tem a arte de moldar o barro, sua esposa Vera, pinta sobre as peças artísticas decorações.
Conversador nato e esclarecido nos costumes de sua terra não resistimos em transcrever o que escrevemos em Março de 2008.
Conversador nato e esclarecido nos costumes de sua terra não resistimos em transcrever o que escrevemos em Março de 2008.

“Sente-se muito só.
Não na vida, que a tem preenchida e tranquila, com a família bem estruturada, como é por todos reconhecido na aldeia em que vive. Sente-se só na arte que abraçou há mais de vinte e cinco anos, era então uma criança que muitas vezes fugia à escola para ir olhar embevecido as mãos do mestre oleiro durante os seus afazeres.
Perdia-se no tempo a ver o velho oleiro criar obra a partir de um bloco de barro, massa disforme que no rodopiar da roda ia, pouco a pouco, transformando numa peça que mais tarde iria compor os apetrechos utilitários duma cozinha.
Quando a inspiração do mestre era maior os olhos da criança abertos de espanto assistiam ao nascer de uma pequena jarra ou pote de traço mais artístico e que iriam embelezar o móvel aparador da entrada ou a cantareira da cozinha.
Na escola aprendeu a ler e a escrever, mas a atracção pelos trabalhos da olaria fazia com que passasse horas sem fim junto do mestre oleiro. Não tardou, pois, que assumisse a sua qualidade de aprendiz que durante longos anos manteve. Primeiro, ia para os campos, para as barreiras, cavar e extrair o barro em bruto, lamas de terras escolhidas, que noutra fase dos trabalhos em pasta moldável eram transformadas.
Depois aprendeu e executou as técnicas de transformar as lamas em barro, quantas vezes com as mãos gretadas pelo frio da dureza das invernias, pois não era trabalho sazonal, antes trabalho para uma vida.
Um companheiro aprendiz que com ele ia adquirindo o saber do mestre oleiro, cedo desistiu da caminhada pelas agruras do trabalho e porque não sentia em si o verdadeiro apelo do barro. Depois, quando o velho mestre oleiro foi chamado à companhia de outros artistas que connosco já não viviam, ele já a oficial promovido, tomou o lugar do mestre.
Olhou, então, à sua volta e sentiu uma estranha solidão. Na sua aldeia era o último dos caminhantes duma jornada que se perdia na lonjura dos tempos. Ainda hoje, continua a elevar o barro na roda do oleiro, na forma tradicional de dar vida às peças que laboriosamente vai criando. Contudo..."
Não na vida, que a tem preenchida e tranquila, com a família bem estruturada, como é por todos reconhecido na aldeia em que vive. Sente-se só na arte que abraçou há mais de vinte e cinco anos, era então uma criança que muitas vezes fugia à escola para ir olhar embevecido as mãos do mestre oleiro durante os seus afazeres.
Perdia-se no tempo a ver o velho oleiro criar obra a partir de um bloco de barro, massa disforme que no rodopiar da roda ia, pouco a pouco, transformando numa peça que mais tarde iria compor os apetrechos utilitários duma cozinha.
Quando a inspiração do mestre era maior os olhos da criança abertos de espanto assistiam ao nascer de uma pequena jarra ou pote de traço mais artístico e que iriam embelezar o móvel aparador da entrada ou a cantareira da cozinha.
Na escola aprendeu a ler e a escrever, mas a atracção pelos trabalhos da olaria fazia com que passasse horas sem fim junto do mestre oleiro. Não tardou, pois, que assumisse a sua qualidade de aprendiz que durante longos anos manteve. Primeiro, ia para os campos, para as barreiras, cavar e extrair o barro em bruto, lamas de terras escolhidas, que noutra fase dos trabalhos em pasta moldável eram transformadas.
Depois aprendeu e executou as técnicas de transformar as lamas em barro, quantas vezes com as mãos gretadas pelo frio da dureza das invernias, pois não era trabalho sazonal, antes trabalho para uma vida.
Um companheiro aprendiz que com ele ia adquirindo o saber do mestre oleiro, cedo desistiu da caminhada pelas agruras do trabalho e porque não sentia em si o verdadeiro apelo do barro. Depois, quando o velho mestre oleiro foi chamado à companhia de outros artistas que connosco já não viviam, ele já a oficial promovido, tomou o lugar do mestre.
Olhou, então, à sua volta e sentiu uma estranha solidão. Na sua aldeia era o último dos caminhantes duma jornada que se perdia na lonjura dos tempos. Ainda hoje, continua a elevar o barro na roda do oleiro, na forma tradicional de dar vida às peças que laboriosamente vai criando. Contudo..."

...sente-se muito só.
[Um pouco da história da vida de Mestre Ramalhão, da Olaria de Brotas (Mora, Alto Alentejo)]
[Um pouco da história da vida de Mestre Ramalhão, da Olaria de Brotas (Mora, Alto Alentejo)]
Etiquetas: artesanato, gente, olaria
segunda-feira, janeiro 12, 2009
cor e exotismo

como forte é a paixão o sentir
em terras do longe, voltar
Exotismo, Feira de Artesanato, Costa de Caparica, Almada - Portugal
Etiquetas: artesanato, exotismo
segunda-feira, agosto 25, 2008
saltei da moldura

saltei da moldura e fugi
ganhei vida, caminhei
e sorri
Artesanato Urbano, Feira Internacional do Artesanato 2008, F.I.L., Lisboa - Portugal
Etiquetas: artesanato, eventos
segunda-feira, agosto 11, 2008
bazar levantino

entrar no bazar levantino
entre artigos de bric-a-brac
obter a imagem ambiente
Olho de Lince na XIV Feira de Artesanato de Costa de Caparica, Almada - Portugal
Etiquetas: artesanato, autoretratos
domingo, julho 13, 2008
o bazar

marraquexe na capital portuguesa
cores, odores, a luz do deserto
só falta o encantador de serpentes
Artesanato do norte de África, Feira Internacional de Artesanato, F.I.L., Lisboa - Portugal
Etiquetas: artesanato
quarta-feira, janeiro 16, 2008
recorte da silhueta

mãos firmes, imaginação
maravilha
Arte Milenar do Recorte de Silhuetas, BTL08, Lisboa - Portugal
Etiquetas: artesanato, macau
segunda-feira, dezembro 17, 2007
cenas rurais

a folhada do milho
cenas do trabalho rural
trabalho de artesanato português
Etiquetas: artesanato
terça-feira, agosto 21, 2007
exóticos colares

colocadas em fiadas de encanto
embelezam os colos de mulher
Na feira de artesanato, Costa de caparica, Almada - Portugal
Etiquetas: artesanato
quarta-feira, agosto 15, 2007
mil cores

formam colares do arco-íris
para alegrarem o colo da mulher
Feira de Artesanato de Costa de Caparica, Almada - Portugal
Etiquetas: artesanato, cores
terça-feira, julho 10, 2007
o homem das colheres

artesão tradicional
a modéstia do saber
O "homem das colheres", Feira Internacional de Artesanato, Lisboa - Portugal
Etiquetas: artesanato, madeira, tradição
sexta-feira, julho 06, 2007
chapéus há muitos

de cores diversa e com estilo
foi moda saudar tirando o chapéu e inclinando a cabeça
Espaço de artesanato chapéus, Feira Internacional de Artesanato, Lisboa - Portugal
Etiquetas: artesanato, eventos
quinta-feira, julho 05, 2007
"caribeño"

ao ritmo das músicas do Caribe
anima tempos cinzentos da Europa
Espaço de artesanato em madeira de Cuba, Feira Internacional de Artesanato, Lisboa - Portugal
Etiquetas: artesanato, eventos
sexta-feira, maio 11, 2007
olaria do corval
artes e artífices
na fronteira entre o artesanato e a arte clássica, entre a tradição e as correntes artísticas, muitos artífices dão aso à sua imaginação e ao seu sentir criativo para nos oferecerem peças de encantamento que aqui recebem as luzes da ribalta da blogoesfera
A poucos dias da realização da XIII Festa Ibérica da Olaria e do Barro visitámos uma olaria em São Pedro do Corval, freguesia do Concelho de Reguengos de Monsaraz, considerado o maior centro oleiro de Portugal.
A tradição da cerâmica nesta zona remonta aos tempos pré-históricos, dada a existência na região de um depósito natural de argilas apropriadas o que motivou desde sempre esta actividade. Além da olaria de cariz decorativo desenvolve-se, igualmente, na região, o fabrico de materiais tradicionais de construção, como sejam o tijolo burro e as baldozas cuja utilização tem vindo a recrudescer nos anos recentes, no desejo de manter as casas tradicionais.
São Pedro do Corval é um dos poucos sítios onde, sem prévia marcação, se pode visitar uma olaria em plena laboração, sendo muito interessante acompanhar as diversas fases do fabrico de belas peças de cerâmica decorativa e utilitária.
Visitámos a Olaria Tradicional de Polido e Filho, onde estivemos à conversa com António Polido um jovem interessado no movimento oleiro, tendo participado recentemente no Projecto Desenhar a Tradição, interessante intervenção no rejuvenescimento do design da olaria tradicional.
A poucos dias da realização da XIII Festa Ibérica da Olaria e do Barro visitámos uma olaria em São Pedro do Corval, freguesia do Concelho de Reguengos de Monsaraz, considerado o maior centro oleiro de Portugal.
A tradição da cerâmica nesta zona remonta aos tempos pré-históricos, dada a existência na região de um depósito natural de argilas apropriadas o que motivou desde sempre esta actividade. Além da olaria de cariz decorativo desenvolve-se, igualmente, na região, o fabrico de materiais tradicionais de construção, como sejam o tijolo burro e as baldozas cuja utilização tem vindo a recrudescer nos anos recentes, no desejo de manter as casas tradicionais.
São Pedro do Corval é um dos poucos sítios onde, sem prévia marcação, se pode visitar uma olaria em plena laboração, sendo muito interessante acompanhar as diversas fases do fabrico de belas peças de cerâmica decorativa e utilitária.
Visitámos a Olaria Tradicional de Polido e Filho, onde estivemos à conversa com António Polido um jovem interessado no movimento oleiro, tendo participado recentemente no Projecto Desenhar a Tradição, interessante intervenção no rejuvenescimento do design da olaria tradicional.

António Polido reconhece as dificuldades económicas do momento actual, onde a valorização do Euro tem dificultado muito a exportação de peças de olaria para os Estados Unidos, mercado tradicionalmente forte na aquisição de peças de São Pedro do Corval.
Colocando a sílaba tónica no cuidado artístico que põem na decoração e pintura das peças, comparativamente a outras regiões oleiras, deixou o seu lamento pelo facto da localização da Festa Ibérica da Olaria deste ano ter sido deslocada para a sede do Concelho, contrariamente ao que tem acontecido em anos anteriores.
Etiquetas: artesanato, olaria





