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segunda-feira, novembro 02, 2009

viagem ao douro internacional - final

No Douro/Duero, de regresso para um “Final Feliz”


A Rocha Redonda que se encontra integrada no Santuário Rupestre de S. Mamede ficou para trás quando o navio “Escua” rodou 180 graus e tomou rumo ao Sul. O rio espelha docemente as duas margens como dizendo que dos dois países vizinhos é pertença, melhor, é pertença das gentes transfronteiriças.



A vegetação luxuriante enche os nossos olhares de cor, lembrando-nos a cada momento a importância da sua preservação e a catedral da Natureza em que navegamos.



O nosso dedicado guia solicita o silêncio absoluto. O piloto do navio “Escua” reduz ao mínimo o funcionamento dos motores que ficam silenciosos. “Escutem… escutem os sons da Natureza!”. No silêncio quase absoluto é, então, possível começar a ouvir os sons de algumas das aves que aí habitam. A perdiz… o grifo… o corvo marinho… o pato real…



Os belos efeitos cromáticos resultantes dos reflexos na tranquilidade das águas do rio Douro acompanham-nos permanentemente, variando como um caleidoscópio



Depois, surge-nos imponente, no alto da penedia, a Sé Catedral de Miranda do Douro



Esta maravilhosa viagem aproxima-se do seu final. Na margem direita do rio Douro, em terras de Portugal, espera-nos o cais da Estação Biológica Internacional



No rodar da embarcação, podemos ainda observar a árvore que designámos “Árvore de Fronteira”, magnífica de beleza e simbolismo



Já em terra foi-nos servido um “Porto de Honra” e apresentado um magnífico exemplar de Bufo Real, que faz parte das acções de preservação em ambiente natural de animais e aves em vias de extinção



E para um final feliz uma imaculada rosa branca que em si encerra todo o encantamento desta viagem ao Douro Internacional.

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sexta-feira, outubro 30, 2009

viagem ao douro internacional 6

No Douro/Duero, de Miranda até à Rocha Redonda

Manhã cedo, estômago reconfortado com um lauto pequeno almoço (desanuyo) tomado em terras de Muga, ao caminho nos fizemos com destino à Estação Biológica Internacional, situada a norte da barragem de Miranda do Douro e em cujo ancoradouro embarcaremos no navio ecológico “Escua”, com capacidade para 120 pessoas e equipado com os mais modernos meios de não intrusão no sistema ecológico



No tempo de espera de embarque, num amplo espaço debruçado sobre as águas tranquilas do rio Douro Internacional, podemos observar os cuidados que existem por parte desta parceria transfronteiriça, através do Centro de Turismo Ambiental Luso-Espanhol, a quem foi atribuído o 1º Prémio Nacional de Turismo, na manutenção da qualidade ambiental e da preservação dos meios naturais.

Deliciámo-nos com belos exemplares da flora local



com uma fonte natural de água cristalina que desde a alta penedia até à margem do rio Douro corre num fio de pureza



e até com um bem-humorado alerta



Após a euforia do embarque, o experiente guia apresentou a tripulação luso-espanhola, o capitão do “Escua”, “El Capitan”, o piloto e o guia portugueses e as assistentes de bordo oriundas dos dois lados da fronteira. Perante nós o impressionante Rochedo do 2, lendário e magnífico na sua cobertura de líquenes amarelos esverdeados.



A experiência do guia levou a que facilmente o nível de ruído no interior do navio baixasse quase até ao silêncio, como se impunha para não perturbar o meio ambiente em que navegamos. E nesse silêncio e observação chegamos à designada Poça das Lontras.



A bússola apontava de uma forma geral a Norte, mas a realidade é que perante a imponente vista dos elevados rochedos difícil era, a cada momento, saber para que direcção o navio iria rodar, servindo o facto de mote para um jogo de adivinhação com que o guia nos presenteava, enquanto ia fornecendo pormenores sobre os pontos mais interessantes da viagem.



A vegetação variegada impressiona pela forma como coabita com os rochedos inóspitos, surgindo da cada falha ou em cada irregularidade do terreno. Azinheiras, zimbros, freixos e o endémico “Dragão das Arribas”.



No decorrer deste cruzeiro ecológico está prevista uma paragem com saída para o exterior do navio e visita à Área Temática do Vale da Águia, onde ainda é possível de observar uma cabana em pedra que servia de habitação às gentes de outros tempos. Nesta área temática, além da cabana propriamente dita, estão patentes uma picota, cortiços e diversas árvores cujas folhas e frutos eram utilizadas para fins medicinais e culinários.



No topo da alcantilada penedia, na margem direita do rio Douro, a nossa atenção fixa-se num enorme rochedo zoomórfico designado Rocha do Urso



Chegados ao extremo norte do percurso ecológico a indicação de retorno é-nos dada pela Rocha Redonda que se encontra integrada no Santuário Rupestre de S. Mamede

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segunda-feira, outubro 26, 2009

viagem ao douro internacional 5

Dormir em Muga de Sayago



A pouco mais de uma vintena de quilómetros de Miranda do Douro, para lá do Rio Douro, quando toma o nome de Rio Duero, passada a barragem de Miranda, por tal já em terras de Castilla y Léon, fica um pueblo de pouco mais de 420 habitantes chamado Muga, Muga de Sayago, onde a pernoita nos está destinada. Mudamos de país mas também de paisagem que agora é muito mais agreste



O desejado repasto é servido à moda da região, “cocido” de seu nome, servido com fartura uma grande diversidade de carnes, muitos enchidos e couves… não galegas, mas couves de Castilla.

A refeição servida numa sala enorme, mesas de tampo largo e bancos corridos, fez-nos recuar a imaginação até à Idade Média com a vontade irreprimível de comer com as mãos, mas para alarves não sermos considerados, degustamos a refeição comportadamente.

Para um número mais reduzido de comensais a sala de jantar seria esta



O café devidamente acompanhado de um coñac Carlos I em perfeito ambiente de “bar de copas”



A dormida, tranquila noite em que somente de tempos a tempo se ouvia o sino da Igreja ou um chocalho de gado mais irrequieto, foi no Centro de Turismo Rural “El Paraje de Sayago”. Estávamos na Espanha profunda, tão perto da fronteira e tão longe da capital madrilena.

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domingo, outubro 18, 2009

vigem ao douro internacional 4

Uma Terra de dois falares


É uma terra diferente, gente hospitaleira na tradição transmontana, mas com um sublime sentir de quem se compreende numa língua que mais do que palavras de bonito soar, é cultura ancestral acumulada com afecto e transmitida com a arte de saber dizer. É um Povo cúmplice no seu dizer. Língua mirandesa. Lhéngua mirandesa.



Subimos até à zona histórica da cidade por avenida ladeada por canteiros de flores multicoloridas, percorrendo depois a rua do comércio onde é possível adquirir peças confeccionadas em burel, tecido grosseiro de lã, tradicional da região, até chegarmos ao Largo Dom João III e deliciarmo-nos com um interessante grupo escultórico, homem trajando “Capa de Honra” e mulher em traje de “ir ver a Deus”.



Já na Sé Catedral com um conjunto valioso de imagens religiosas a nossa atenção vai para o “Menino Jesus da Cartolinha”, hoje de verde trajado e de cartola preta.



A rua do comércio tradicional é cheia de interessantes pormenores arquitectónicos, sejam portais, janelas ou varandas como esta implantada no cunhal de um edifício



Praça-forte na defesa das linhas fronteiriças com o reino de Leão e Castela, Miranda do Douro esteve sempre sujeita a destruição e a cidadela é ainda hoje memória desses tempos conturbados



Vamos deixar a cidade de Miranda do Douro, mas não Terras de Miranda, pois iremos navegar durante algumas horas no Douro Internacional, desde o embarcadouro da Estação Biológica Internacional até à zona do Santuário Rupestre de São Mamede e à Rocha Redonda. Vamos partir de muito perto da Barragem de Miranda do Douro

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segunda-feira, outubro 12, 2009

viagem ao douro internacional 3

o meu caderno de viagens
Pequenos apontamentos rabiscados num caderno de viagem e agora partilhados com os leitores. Os sítios, as gentes, os costumes e as curiosidades observados por quem gosta de viajar na procura das estórias que o Povo conta.




Um Castelo na margem do Rio Fervença

Noite dormida com tranquilidade, na protecção da argêntea Lua Plena, e alvorecer com o Sol a despontar sobre as serranias do Este, montanhas da Sanabria onde o castelhano se fala e as águas transparentes, cristalinas dos glaciares, formam lagoas que todo o ano se mantêm para o prazer dos visitantes em tempo de canícula.



Tal como aprazado ficou com antecedência, pusemo-nos ao caminho, que serpenteia monte arriba, até ao 700 metros acima do nível do mar, por entre verdejante arvoredo para visitarmos a castelo de Bragança o que melhor estado de conservação apresenta em Portugal.



A entrada é estreita como se impunha a uma praça-forte mesmo à beira do figadal inimigo, o rei de Leão e Castela.



Deixando os terrenos da barbacã entra-se na Praça de Armas, local de assentamento da artilharia e, onde a norte, se ergue magnífica Torre de Menagem, de forma quadrangular, com 17 metros de largura e 34 de altura, um bonito exemplar da arte gótica militar.



Ao fundo desta imagem pode ver-se a Torre da Princesa de que falaremos oportunamente. Nas curvas e nos recortes dos arcos ogivais e das ameias, que se caracterizam por terem os cantos burilados, se perdem os nossos sentidos maravilhados que ficam.



As frestas seteiras, para a guerra destinadas, não deixavam de evocar a cruz de Cristo e a Ordem Religiosa que ao tempo seriam os castelões, com efeitos seguros aquando das lutas com os Muçulmanos, já duvidosos seriam quando o inimigo era oriundo da raia da Galiza.



Fora da zona fortificada mas ainda no interior das muralhas exteriores o Domus Municipalis, que se julga ter servido de cisterna para guardar as águas da invernia é estruturalmente edifício ímpar na Península Ibérica.

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sábado, outubro 10, 2009

viagem ao douro internacional 2

o meu caderno de viagens
Pequenos apontamentos rabiscados num caderno de viagem e agora partilhados com os leitores. Os sítios, as gentes, os costumes e as curiosidades observados por quem gosta de viajar na procura das estórias que o Povo conta.




Bragança no coração da região de Alto Trás-os-Montes é o destino do primeiro dia de viagem, mas muito haverá ainda a percorrer, quer de autocarro quando à estrada nos fizermos, quer ainda a pé, quanto mais não fora para descermos a monumental escadaria cenográfica que estabelece a ligação entre o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e o centro da cidade de Lamego.



São 686 degraus, cuja descida mais fácil não é do que a subida, divididos em nove lances percorrendo capelas, estátuas, fontes e obeliscos. A sua construção ao mais puro estilo Rocaille iniciou-se nos finais do século XVIII, somente sendo concluída no advento do século XX. A partir de meio da escadaria já avistamos a magnífica Torre de Menagem do Castelo de Lamego.



Estrada fora, ficamos extasiados com o serpentear do rio Douro, do Douro Vinhateiro, magnífica paisagem de anfiteatros por socalcos construídos onde ainda verdejam as folhas das videiras, vindimadas que já foram há pouco. Na cidade de Mirandela nos quedamos por algum tempo, sempre curto para o muito que há que visitar. E ali nos refrescamos à beira do Rio Tua, ligado nas suas duas margens pela Ponte Velha, de traça romana, da era da Caladunum, romana cividade.



Se é estreita a ligação de Mirandela à comunidade judaica portuguesa, recordemos que as celebrizadas “alheiras de Mirandela” na sua origem não continham carne de porco, não o é menos a família dos Távora, donatários da cidade, até o Marquês de Pombal o querer, existindo por cá um belíssimo Palácio dos Távora.



Não quisemos deixar Mirandela sem refrescar as mãos na água cristalina da fonte monumental, homenagem às belas mulheres do Norte. Depois… agora sim, “a caminho de Bragança”!



O sol poente dá outro encanto às viagens. E sol poente com Lua Cheia nascente é o superlativo na recepção que Bragança, terras de sonho e encantamento, nos faz. Amanhã, depois da alvorada, vamos viajar no tempo, numa inesquecível visita ao Castelo de Bragança.

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