quinta-feira, outubro 22, 2009
transporte de brasas

Etiquetas: bragança, monumentos, postais
segunda-feira, outubro 19, 2009
os caretos
As fronteiras entre países são linhas imaginárias, na maioria das vezes resultantes de lutas e de guerras, mais quilómetro para cá, mais quilómetro para lá, decidido pelos senhores do poder, sem atentar à vontade das gentes e, mais grave, sem considerar a cultura e tradição de um Povo. Não é de estranhar, pois, que as manifestações populares enraizadas nas tradições pagãs, primeiro, e depois assenhoreadas pelas religiões sejam nessas zonas, manifestações transfronteiriças.

É assim que falamos das Festas de Inverno em Trás-os-Montes e, igualmente, com o mesmo sentido e rituais, dos Mascarados de Invierno de la Provincia de Zamora. E das Festas dos Rapazes, das Festas dos Reis, de El Carnaval e de Los Cencerrones. São os designados “Caretos” na sua mais genuína representação popular.

As Festas de Inverno, associadas às máscaras, incluem rituais milenares transmitidos de geração em geração, assegurando o diálogo entre o presente e o passado e mantendo o espaço de um Povo, ignorando as fingidas fronteiras de conveniência.

Os deuses, os mafarricos, o Chocalheiro da Bemposta, a Festa do Menino e a Festa dos Belhos… e los Demonios de Villanuevade Valrojo. O encantamento feito de ingenuidade e de simplicidade, como simples é o Povo.

Visitem:
Museu Ibérico da Máscara e do Traje
Cidadela – Rua D. Fernão “o Bravo”, 24/26
Bragança
Telefone: 273 381 008
Museu Ibérico da Máscara e do Traje
Cidadela – Rua D. Fernão “o Bravo”, 24/26
Bragança
Telefone: 273 381 008
Etiquetas: bragança, caretos, museus, tradição
terça-feira, outubro 13, 2009
lenda da torre da princesa
lendas das terras visitadas
De medos e fantasias, de desejos e imaginação, criaram-se em tempos imemoriais estórias que a razão desconhece. No aconchego da lareira ou na árdua labuta diária, quantas vezes de sol a sol, foram percorrendo os saberes de gerações. O viajante andarilho recolhe e partilha as “lendas das terras visitadas” ouvidas às suas gentes.
À conversa com gente mais idosa, gente sábia, enquanto caminho no empedrado da zona fortificada do Castelo de Bragança, vou ouvindo contar o que a tradição ensina, o imaginário das pessoas dá realismo e a lenda regista – a lenda da Torre da Princesa.
Há muito tempo atrás, que se esfuma nas brumas que em tempo húmido sobem desde o rio Fervença, quando este sítio ainda se designava por Benquerença, vivia aqui uma bela princesa que sendo órfã estava a cargo de seu tio, o senhor do castelo.
A princesa e um jovem cavaleiro muito valoroso mas de reduzidos recursos financeiros perderam-se de amores, o que levou o jovem a partir da aldeia, percorrer mundo na busca de fortuna que lhe desse esperanças de desposar a bela princesa.
À conversa com gente mais idosa, gente sábia, enquanto caminho no empedrado da zona fortificada do Castelo de Bragança, vou ouvindo contar o que a tradição ensina, o imaginário das pessoas dá realismo e a lenda regista – a lenda da Torre da Princesa.
Há muito tempo atrás, que se esfuma nas brumas que em tempo húmido sobem desde o rio Fervença, quando este sítio ainda se designava por Benquerença, vivia aqui uma bela princesa que sendo órfã estava a cargo de seu tio, o senhor do castelo.
A princesa e um jovem cavaleiro muito valoroso mas de reduzidos recursos financeiros perderam-se de amores, o que levou o jovem a partir da aldeia, percorrer mundo na busca de fortuna que lhe desse esperanças de desposar a bela princesa.

Castelo de Bragança - Torre da Princesa
Por longos anos sempre a princesa rejeitou qualquer abordagem amorosa, recusou todos os pretendentes, até que seu tio, impaciente, a prometeu a um nobre amigo, tendo-a forçado a aceitar o compromisso.
Ao ser apresentada ao candidato imposto por seu tio a jovem confessou que o seu coração pertencia a um jovem cavaleiro que partira em busca de fortuna e que em breve regressaria. Tal declaração enfureceu seu tio que como forma de a pressionar pôs em prática um tenebroso estratagema.
Durante a noite disfarçado de fantasma procurou intimidar a jovem princesa, entrando por uma das portas dos seus aposentos fingindo ser o jovem ausente e em voz cavernosa dizendo-lhe que ela seria para sempre condenada à danação caso não aceitasse casar com o pretendente.
Prestes a fazer o juramento sobre o crucifixo, por milagre uma porta se abriu e, apesar de ser noite, um raio de sol penetrou nos aposentos desmascarando o tio impostor. A partir daí, a princesa passou a viver recolhida na torre – Torre da Princesa e as duas portas passaram a ser conhecidas como Porta da Traição e Porta do Sol.
Ao ser apresentada ao candidato imposto por seu tio a jovem confessou que o seu coração pertencia a um jovem cavaleiro que partira em busca de fortuna e que em breve regressaria. Tal declaração enfureceu seu tio que como forma de a pressionar pôs em prática um tenebroso estratagema.
Durante a noite disfarçado de fantasma procurou intimidar a jovem princesa, entrando por uma das portas dos seus aposentos fingindo ser o jovem ausente e em voz cavernosa dizendo-lhe que ela seria para sempre condenada à danação caso não aceitasse casar com o pretendente.
Prestes a fazer o juramento sobre o crucifixo, por milagre uma porta se abriu e, apesar de ser noite, um raio de sol penetrou nos aposentos desmascarando o tio impostor. A partir daí, a princesa passou a viver recolhida na torre – Torre da Princesa e as duas portas passaram a ser conhecidas como Porta da Traição e Porta do Sol.
segunda-feira, outubro 12, 2009
viagem ao douro internacional 3
o meu caderno de viagens
Pequenos apontamentos rabiscados num caderno de viagem e agora partilhados com os leitores. Os sítios, as gentes, os costumes e as curiosidades observados por quem gosta de viajar na procura das estórias que o Povo conta.
Um Castelo na margem do Rio Fervença
Noite dormida com tranquilidade, na protecção da argêntea Lua Plena, e alvorecer com o Sol a despontar sobre as serranias do Este, montanhas da Sanabria onde o castelhano se fala e as águas transparentes, cristalinas dos glaciares, formam lagoas que todo o ano se mantêm para o prazer dos visitantes em tempo de canícula.
Um Castelo na margem do Rio Fervença
Noite dormida com tranquilidade, na protecção da argêntea Lua Plena, e alvorecer com o Sol a despontar sobre as serranias do Este, montanhas da Sanabria onde o castelhano se fala e as águas transparentes, cristalinas dos glaciares, formam lagoas que todo o ano se mantêm para o prazer dos visitantes em tempo de canícula.

Tal como aprazado ficou com antecedência, pusemo-nos ao caminho, que serpenteia monte arriba, até ao 700 metros acima do nível do mar, por entre verdejante arvoredo para visitarmos a castelo de Bragança o que melhor estado de conservação apresenta em Portugal.

A entrada é estreita como se impunha a uma praça-forte mesmo à beira do figadal inimigo, o rei de Leão e Castela.

Deixando os terrenos da barbacã entra-se na Praça de Armas, local de assentamento da artilharia e, onde a norte, se ergue magnífica Torre de Menagem, de forma quadrangular, com 17 metros de largura e 34 de altura, um bonito exemplar da arte gótica militar.

Ao fundo desta imagem pode ver-se a Torre da Princesa de que falaremos oportunamente. Nas curvas e nos recortes dos arcos ogivais e das ameias, que se caracterizam por terem os cantos burilados, se perdem os nossos sentidos maravilhados que ficam.

As frestas seteiras, para a guerra destinadas, não deixavam de evocar a cruz de Cristo e a Ordem Religiosa que ao tempo seriam os castelões, com efeitos seguros aquando das lutas com os Muçulmanos, já duvidosos seriam quando o inimigo era oriundo da raia da Galiza.

Fora da zona fortificada mas ainda no interior das muralhas exteriores o Domus Municipalis, que se julga ter servido de cisterna para guardar as águas da invernia é estruturalmente edifício ímpar na Península Ibérica.

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