sexta-feira, dezembro 04, 2009
o simbolismo das seteiras
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
Tempos difíceis esses em que os sarracenos desbaratados pelos exércitos de um Portugal nascente, onde os cruzados vindos das terras da Gália com destino à Terra Santa deram importante ajuda, quando não eram mortos em combate ou se convertiam ao cristianismo ou debandavam para terras de ninguém para se reorganizarem para uma possível reconquista.
Pontos determinantes na defesa dos territórios eram os castelos, praças-fortes na estratégia das lutas de conquista e de reconquista, onde todos os pormenores tinham grande importância pois o argumento principal da peleja era a força e o factor mobilizador a religião. Não surpreende, pois, a robustez das construções acasteladas e o recurso à simbologia visível pelo inimigo que pretendiam surpreender.
Tempos difíceis esses em que os sarracenos desbaratados pelos exércitos de um Portugal nascente, onde os cruzados vindos das terras da Gália com destino à Terra Santa deram importante ajuda, quando não eram mortos em combate ou se convertiam ao cristianismo ou debandavam para terras de ninguém para se reorganizarem para uma possível reconquista.
Pontos determinantes na defesa dos territórios eram os castelos, praças-fortes na estratégia das lutas de conquista e de reconquista, onde todos os pormenores tinham grande importância pois o argumento principal da peleja era a força e o factor mobilizador a religião. Não surpreende, pois, a robustez das construções acasteladas e o recurso à simbologia visível pelo inimigo que pretendiam surpreender.

Épocas em que as principais armas eram as pedras arremessadas por aparatos destinados a esse fim, as catapultas, e as setas ou flechas lançadas por arcos elásticos operados à força dos braços, nas muralhas do castelo eram construídas com aberturas por onde as setas eram lançadas sem por em risco a integridade física do atirador.
Em muitas situações também o respectivo desenho era determinante, simbolizando muitas vezes a “cruz de Cristo” símbolo que os mouros ou sarracenos detestavam e sobre os quais provocavam fortes efeitos psicológicos.
Em muitas situações também o respectivo desenho era determinante, simbolizando muitas vezes a “cruz de Cristo” símbolo que os mouros ou sarracenos detestavam e sobre os quais provocavam fortes efeitos psicológicos.
Etiquetas: duzentas palavras
sábado, novembro 21, 2009
relógio do passar das gentes
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
O tempo, o tempo que passa, é sempre tema recorrente nas conversas que se debruçam sobre a idade física das gentes e das coisas, inexorável no seu caminhar, na sua crescente contagem, ressalvem-se algumas honrosas excepções, como o mítico relógio do British Bar, no Cais do Sodré, em Lisboa.
Mas…
“…as pessoas passam pelo tempo ou o tempo passa pelas pessoas?”
Eterna questão que muito tem a ver com “o tempo que passa” no sentir dos seres humanos e que de forma magnífica Einstein respondeu… ou não?
Saber se respondeu ou não é relativo, claro está.
Desencantei esta imagem no “baú das memórias”, obtida no decorrer do “Festival do Oceano” de 2001 e imaginei nela um contador de tempo (?) em que não é o tempo que passa pelas pessoas, mas pelo contrário, são estas que por essa ampla alameda temporal vão caminhando.
O tempo, o tempo que passa, é sempre tema recorrente nas conversas que se debruçam sobre a idade física das gentes e das coisas, inexorável no seu caminhar, na sua crescente contagem, ressalvem-se algumas honrosas excepções, como o mítico relógio do British Bar, no Cais do Sodré, em Lisboa.
Mas…
“…as pessoas passam pelo tempo ou o tempo passa pelas pessoas?”
Eterna questão que muito tem a ver com “o tempo que passa” no sentir dos seres humanos e que de forma magnífica Einstein respondeu… ou não?
Saber se respondeu ou não é relativo, claro está.
Desencantei esta imagem no “baú das memórias”, obtida no decorrer do “Festival do Oceano” de 2001 e imaginei nela um contador de tempo (?) em que não é o tempo que passa pelas pessoas, mas pelo contrário, são estas que por essa ampla alameda temporal vão caminhando.

O ponteiro do relógio passa a ter a dimensão que cada um sente, vivência mais dura ou tranquila, maior ou menor ansiedade em que o futuro seja presente e que este passado seja… e as marcações horárias? Deixam de estar alinhadas dispostas em perfeita circunferência, antes se dispersam no espaço em que cada um vivencia seus sentires.
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terça-feira, novembro 17, 2009
janela aberta para o oceano
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
Por esta ampla janela aberta para poente entra uma lufada de cultura e de saber, como o sentiram os frades franciscanos que aqui levaram uma vida sem ostentação mas que grandes acometimentos culturais realizaram.
Daqui desfrutaram uma das mais belas panorâmicas da chamada “boca do rio Tejo” e deixaram espraiar o pensamento desde o Monte da Lua, na Serra de Sintra até ao Barbárico Promontório, o Cabo Espichel.

Mas também neste local de respira poesia. Um monumento designado “Emissor Receptor de Ondas Poéticas” configura uma estrela de cinco pontas, símbolo com conotações libertárias, dá-nos a imagem da liberdade em que as linhas de fuga se dirigem ao céu azul, sem perder o seu apego telúrico e com o mar, que se vê até à linha do horizonte, a completar a trilogia de elementos: ar, terra e mar.
O simbolismo da estrela de cinco pontas é inquestionável, encontrando-se também na bandeira da República Democrática do Chile e na boina de Che Guevara.
Em conjunto com um memorial designado “Mil Olhos” homenageia o grande poeta chileno Pablo Neruda que morou os últimos anos da sua vida à beira do Oceano Pacífico, outros mares mas a mesma água que a vista daqui alcança.
Por esta ampla janela aberta para poente entra uma lufada de cultura e de saber, como o sentiram os frades franciscanos que aqui levaram uma vida sem ostentação mas que grandes acometimentos culturais realizaram.
Daqui desfrutaram uma das mais belas panorâmicas da chamada “boca do rio Tejo” e deixaram espraiar o pensamento desde o Monte da Lua, na Serra de Sintra até ao Barbárico Promontório, o Cabo Espichel.

Mas também neste local de respira poesia. Um monumento designado “Emissor Receptor de Ondas Poéticas” configura uma estrela de cinco pontas, símbolo com conotações libertárias, dá-nos a imagem da liberdade em que as linhas de fuga se dirigem ao céu azul, sem perder o seu apego telúrico e com o mar, que se vê até à linha do horizonte, a completar a trilogia de elementos: ar, terra e mar.
O simbolismo da estrela de cinco pontas é inquestionável, encontrando-se também na bandeira da República Democrática do Chile e na boina de Che Guevara.
Em conjunto com um memorial designado “Mil Olhos” homenageia o grande poeta chileno Pablo Neruda que morou os últimos anos da sua vida à beira do Oceano Pacífico, outros mares mas a mesma água que a vista daqui alcança.
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quarta-feira, outubro 14, 2009
capa de honra
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
No Largo D. João III, em Miranda do Douro, o conjunto escultórico representando um homem e uma mulher trajando tipicamente mirandês serve de mote a escrevermos sobre a Capa de Honra. Usada pelos homens ricos do Planalto Mirandês, muitos estudiosos referem o seu uso pelos boieiros, como protecção do frio e da chuva e para nela se deitarem quando permaneciam longo tempo nas serranias com o gado.
A Capa de Honra é confeccionada com cerca de 10 metros de burel – tecido de lã pisoado – constituída por capa, sobrecapa e capuz.
No Largo D. João III, em Miranda do Douro, o conjunto escultórico representando um homem e uma mulher trajando tipicamente mirandês serve de mote a escrevermos sobre a Capa de Honra. Usada pelos homens ricos do Planalto Mirandês, muitos estudiosos referem o seu uso pelos boieiros, como protecção do frio e da chuva e para nela se deitarem quando permaneciam longo tempo nas serranias com o gado.
A Capa de Honra é confeccionada com cerca de 10 metros de burel – tecido de lã pisoado – constituída por capa, sobrecapa e capuz.

A capa é comprida e ampla, cortada em viés, aberta na frente. A sobrecapa desce até à zona do cotovelo sendo toda bordada e pespontada terminando em franjas largas. O capuz, com capeto, inteiramente bordado, termina numa larga faixa, denominada Honra, cujo tamanho é representativo da riqueza e importância do utilizador. Esta também é bordada e pespontada, rematada com uma franja.
Supõe-se ter origem na capa de "Asperges" gótica, de raiz medieval de algum mosteiro Leonês. "Muito ornamentada de lavores nas bandas, gola – carapuça sui generis e rabicho que, por detrás, pende até meio dela, dando ao todo o aspecto de capa de asperges eclesiástica medieval”, como observa Trindade Coelho.
Supõe-se ter origem na capa de "Asperges" gótica, de raiz medieval de algum mosteiro Leonês. "Muito ornamentada de lavores nas bandas, gola – carapuça sui generis e rabicho que, por detrás, pende até meio dela, dando ao todo o aspecto de capa de asperges eclesiástica medieval”, como observa Trindade Coelho.
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quarta-feira, outubro 07, 2009
o vendedor de cautelas
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
É ampla praça central desta cidade, canteiros floridos em todas as cores do arco-íris, muito espaço para estar e lá mais ao canto um carrossel saído dos contos de fadas para diversão da criançada. Algumas pessoas cruzam a praça apressadas, mas muitas outras passeiam-se, usufruem das sombras que o frondoso arvoredo proporciona.
O cauteleiro é figura conhecida da terra na sua conversa fácil à mistura com um dito ou uma graça, lá vai convencendo os clientes de que a “sorte grande” se encontra no maço de cautelas que tem para vender.
“Há horas felizes, olhá sorte grande!!” – grita ele.
É ampla praça central desta cidade, canteiros floridos em todas as cores do arco-íris, muito espaço para estar e lá mais ao canto um carrossel saído dos contos de fadas para diversão da criançada. Algumas pessoas cruzam a praça apressadas, mas muitas outras passeiam-se, usufruem das sombras que o frondoso arvoredo proporciona.
O cauteleiro é figura conhecida da terra na sua conversa fácil à mistura com um dito ou uma graça, lá vai convencendo os clientes de que a “sorte grande” se encontra no maço de cautelas que tem para vender.
“Há horas felizes, olhá sorte grande!!” – grita ele.

Boné de dez estrelas na cabeça – foram as que consegui contar – com uma chapa dourada que o identifica como vendedor de lotaria, o cauteleiro, da Santa Casa lá vai acenando com o maço de cautelas, que o negócio não anda pelo melhor com o advento do “euromilhões”.
Fico a interrogar-me se o cauteleiro que tem a “sorte grande” para ceder aos outros será ele um homem de sorte? Os clientes, salvo aqueles que jogam em número certo ou que foram bafejados por um palpite sempre lhe dizem: “escolha um número que eu não tenho sorte ao jogo”. E o cauteleiro terá?
Fico a interrogar-me se o cauteleiro que tem a “sorte grande” para ceder aos outros será ele um homem de sorte? Os clientes, salvo aqueles que jogam em número certo ou que foram bafejados por um palpite sempre lhe dizem: “escolha um número que eu não tenho sorte ao jogo”. E o cauteleiro terá?
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quarta-feira, setembro 30, 2009
tocadores de concertina
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
Individualmente ou em ranchos afinam os sons da concertina pelo ouvido treinado nas modas ancestrais que de geração em geração chegaram aos nossos dias. Os mais novos passam horas a fio no encantamento das melodias a olharem a forma como os pais ou os avós requebram o tronco no abrir e fechar o fole, fonte do ar que virá a ser transformado em maviosas sonoridades.
Um dia, o sonho feito realidade, a oferta de uma concertina, quantas vezes novinha a brilhar, é a oportunidade de se juntarem aos mais velhos, homens se sentem mesmo de tenra idade e toda a aprendizagem feita de contemplação é posta em prática com maestria.
Individualmente ou em ranchos afinam os sons da concertina pelo ouvido treinado nas modas ancestrais que de geração em geração chegaram aos nossos dias. Os mais novos passam horas a fio no encantamento das melodias a olharem a forma como os pais ou os avós requebram o tronco no abrir e fechar o fole, fonte do ar que virá a ser transformado em maviosas sonoridades.
Um dia, o sonho feito realidade, a oferta de uma concertina, quantas vezes novinha a brilhar, é a oportunidade de se juntarem aos mais velhos, homens se sentem mesmo de tenra idade e toda a aprendizagem feita de contemplação é posta em prática com maestria.

O olhar ganha outro brilho, o tronco ganha os requebros do tocador experiente e os braços, primeiro timidamente, depois afoitos, abrem e fecham o fole e temos a musicalidade no ar. Ficaram pequenos os corações e largos os sorrisos. Depois a concentração exigida pelas novas responsabilidades.
Para as gentes do Minho este é quase um ritual de iniciação dos mais jovens, eles pelo menos sentem já fazer parte do grupo dos homens. Muito em breve tocarão em festivais populares, muitos ganharão o gosto pelas desgarradas tão popularizadas nas terras minhotas.
Para as gentes do Minho este é quase um ritual de iniciação dos mais jovens, eles pelo menos sentem já fazer parte do grupo dos homens. Muito em breve tocarão em festivais populares, muitos ganharão o gosto pelas desgarradas tão popularizadas nas terras minhotas.
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sexta-feira, setembro 25, 2009
sinos e chocalhos
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
Sinos e chocalhos que um pastor serrano, dos montes de Unhais da Serra, traz colocados à cintura e que para sinalizar a localização dos rebanhos são usados. Sinos para as ovelhas e chocalhos para as cabras. Sabe-o os pastores e é sentido pelos cães da serra que protegem e ajudam à consução do gado.
Durante os tempos de pastorícia, quando as serranias estão cobertas de verde ouve-se o tilintar das campainhas e o chocalhar dos chocalhos de forma contínua e quase a raiar o nível sonoro do murmúrio. Os movimentos dos rebanhos são lentos e o tempo de pasto longo. A calmaria permanece nos rebanhos.
Sinos e chocalhos que um pastor serrano, dos montes de Unhais da Serra, traz colocados à cintura e que para sinalizar a localização dos rebanhos são usados. Sinos para as ovelhas e chocalhos para as cabras. Sabe-o os pastores e é sentido pelos cães da serra que protegem e ajudam à consução do gado.
Durante os tempos de pastorícia, quando as serranias estão cobertas de verde ouve-se o tilintar das campainhas e o chocalhar dos chocalhos de forma contínua e quase a raiar o nível sonoro do murmúrio. Os movimentos dos rebanhos são lentos e o tempo de pasto longo. A calmaria permanece nos rebanhos.

A partir de meados do mês de Agosto, princípios de Setembro, o gado que passa o tempo de estio a pastar nas zonas frescas e verdejantes das serras, da Gardunha, de Montemuro e da Estrela, regressa ao povoado onde se acolhe em tempo de invernia.
Este movimento conhecido desde tempos imemorias por transumância foi de tal forma respeitado pelos Visigodos e Romanos que construiram para o efeito caminhos para os rebanhos percorrerem até e da serra, caminhos que ainda hoje existem e são utilizados. Foi na Idade Média que a transumância assuniu maior importância.
Este movimento conhecido desde tempos imemorias por transumância foi de tal forma respeitado pelos Visigodos e Romanos que construiram para o efeito caminhos para os rebanhos percorrerem até e da serra, caminhos que ainda hoje existem e são utilizados. Foi na Idade Média que a transumância assuniu maior importância.
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quarta-feira, setembro 16, 2009
chegada das “artes”
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas
Horas antes a embarcação das “artes”, após ter vencido a forte rebentação da beira-mar, partira mar adentro para o lance da tarde das redes de cerco. Lá bem longe, onde vista do areal a embarcação uma gaivota a balançar na ondulação forte, havia sido sinalizada a presença de um cardume.
Quando chegaram à zona de “lançar” já lá se encontravam o “Fúria do Mar” e o “Cláudia”, todos “fontelhanos” e vindo do areal da Nova Praia o “Menina Encantada”. No areal haviam ficado a aguardar o regresso da companha as mulheres e os putos, na esperança de que a pescaria fosse boa.
Horas antes a embarcação das “artes”, após ter vencido a forte rebentação da beira-mar, partira mar adentro para o lance da tarde das redes de cerco. Lá bem longe, onde vista do areal a embarcação uma gaivota a balançar na ondulação forte, havia sido sinalizada a presença de um cardume.
Quando chegaram à zona de “lançar” já lá se encontravam o “Fúria do Mar” e o “Cláudia”, todos “fontelhanos” e vindo do areal da Nova Praia o “Menina Encantada”. No areal haviam ficado a aguardar o regresso da companha as mulheres e os putos, na esperança de que a pescaria fosse boa.

Na hora da azáfama da chegada a terra todos ajudam a puxar as redes desta “arte” milenar. O saco do peixe vem cheio de cavalinha, embora o resultado da venda seja pouco interessante pois os preços andam pelas ruas da amargura.
É agora a altura da escolha do peixe. Separar o caranguejo da cavala e fazer as contas da companha, sendo logo ali é atribuído a cada um o seu respectivo quinhão. Também os populares que ajudaram a puxar as redes aguardam a retribuição de algum peixe que virá a constituir a base da ceia do dia.
É agora a altura da escolha do peixe. Separar o caranguejo da cavala e fazer as contas da companha, sendo logo ali é atribuído a cada um o seu respectivo quinhão. Também os populares que ajudaram a puxar as redes aguardam a retribuição de algum peixe que virá a constituir a base da ceia do dia.
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quinta-feira, setembro 10, 2009
o barco fantasma
imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas palavras
Mais parecia um barco fantasma. Mesmo quem à beira-mar o olhava atentamente durante largos minutos não concluía da razão do seu navegar sem rumo certo. Primeiro navegava para poente quase até à “quebra do mar” para, pouco depois, inverter o sentido de marcha, navegando rio acima, no sentido do nascente.
A manobra era repetida vezes sem conta. Parecia andar à deriva, não fosse o fumo negro que saía da chaminé, especialmente no decorrer da manobra da inversão de marcha, quando os motores a diesel eram acelerados ao máximo das rotações possível.
Mais parecia um barco fantasma. Mesmo quem à beira-mar o olhava atentamente durante largos minutos não concluía da razão do seu navegar sem rumo certo. Primeiro navegava para poente quase até à “quebra do mar” para, pouco depois, inverter o sentido de marcha, navegando rio acima, no sentido do nascente.
A manobra era repetida vezes sem conta. Parecia andar à deriva, não fosse o fumo negro que saía da chaminé, especialmente no decorrer da manobra da inversão de marcha, quando os motores a diesel eram acelerados ao máximo das rotações possível.

Em terra ninguém entendia o que se estava a passar, nem tão-pouco o agente da Polícia Marítima que mais de uma vez tentou infrutiferamente ligar o rádio à central para recolher alguma informação esclarecedora. Tarefa sempre com resultados negativos pois do outro lado não obtinha qualquer resposta. Nem o próprio eco da sua chamada era ouvido. Somente o silêncio.
Neblina forte caíra sobre a linha onde “o rio se encontra com o mar” agravando mais a visibilidade de terra, criando uma imagem mais fantasmagórica do que antes. Já não se ouvia entre os passantes murmúrios que antes significavam as dúvidas sentidas. Agora uma certeza: era um barco fantasma.
Neblina forte caíra sobre a linha onde “o rio se encontra com o mar” agravando mais a visibilidade de terra, criando uma imagem mais fantasmagórica do que antes. Já não se ouvia entre os passantes murmúrios que antes significavam as dúvidas sentidas. Agora uma certeza: era um barco fantasma.
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