quarta-feira, março 31, 2010
nova arte nova

sua alma na transparência
de quem é querida
na fantasia imaginada e vivida
da arte uma confidência
janelas "arte nova" do café-restaurante "Águias d'Ouro", em Estremoz
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: arte nova, estremoz, postais
vermelha romã
O velho Marinheiro tem o sentimento, criado na longa vivência de coragem e muito querer que a vida do mar lhe ensinou, que há sempre uma nova oportunidade para quem luta denodadamente por um sonho que muito deseja ver realizado. Sabe, o tempo lhe ensinou, que toda a utopia pode um dia ser transformada em realidade pela força da vontade de transformação e de mudança.
O imobilismo nunca fez parte dos seus valores. O seu corpo e o seu sentir resultam de uma total entrega ao “mar com quem se confunde”. Foi esse o acordo há muito estabelecido nos tempos de navegar. Tal como as ondas, também a vida tem fluxos e refluxos. Tal como as marés, também a vida pode ser cheia de realização... ou vaza de concretização.
Mas existe sempre uma nova oportunidade...
O velho Marinheiro continua a desejar a presença, o conforto, a palavra amiga da mais bela Ninfa do Tejo. A mesma que um dia o encantou: “...e que vontade é esta que tenho de tentar saltar para dentro das tuas visões fixadas na tela... será o querer sair desta realidade? Provavelmente...”.
Sabia bem que dentro das suas visões a mais bela Ninfa do Tejo muito o enriqueceria na passagem pelas terras da magia, onde o mar beija ternamente as doiradas areias e se espraia numa carícia sensual, em acto de amor sentido.
Do bornal colocado à tiracolo retirou o velho Marinheiro uma romã avermelhada, fruto de reis e de princesas, fruto das moiras encantadas. Acariciou-a com mãos calejadas do tempo de marear, fê-la brilhar à intensa luz solar que se coava através das nuvens ligeiras. Uma deliciosa maçã de Roma que ofereceu à mais bela Ninfa do Tejo que dele se havia abeirado quando, debruçado sobre o rio, procurava o seu encontro.
“_Hummmm, acho que meti na cabeça que não gostava de romãs... por ficar com as mãos sujas [da casca]... mas assim com este aspecto de bagos vermelhos... até fiquei com água na boca!”
O velho Marinheiro sorriu... Sentiu o seu coração a vibrar quando vislumbrou uma réstia de felicidade no olhar doce e profundo da mais bela Ninfa do Tejo. Sabia-a pertença do Rio, mas sentiu infinitamente ser capaz de dar a sua própria vida pela felicidade dessa mágica mulher.
Etiquetas: contos do tejo
terça-feira, março 30, 2010
lua cheia luminosa

das mil e uma noites trazida
das paixões é sentinela
cúmplice dos amores como ela
não há outra aqui sentida
Lua Cheia, plena às 2horas 25minutos
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
as sátiras de elmano sadino
As sátiras de Bocage projectam-no para um reconhecimento que nunca antes teria sido pensado. Em 1791 publica o primeiro tomo da Rimas, e é considerado o máximo na má-língua dita de forma única.
O seu reconhecimento vem provocar divisões entre apoiantes e detractores. Do seu lado estão os futuros tertúlios da Tebaida da Mãe de Água, padrinhos literários de Alexandre Herculano. É proclamado o poeta da Europa por um empresário de teatro na rua de S. José na baixa lisboeta.
Contra si estão os que Bocage chama de “corja vil”, no comando do seu inimigo figadal o Padre Caldas.

Retrato de Bocage, Máximo Paulino dos Reis, 1799
Bocage acaba por ser expulso da Nova Arcádia, aliás desde ha muito havia deixado de frequentar a Casa do Conde de Pombeiro. Contudo a guerra é uma guerra de foguetório, com mais canas do que pólvora. Intimidade espiritual tem Bocage com a Marquesa de Alorna que lhe dá motes e protege a sua pobre irmã, Maria Francisca.
Soneto 53
Tenta em vão temerária conjectura
Sondar o abismo do invisível Fado,
Que, de umbrosos mistérios enlutado,
Some aos olhos mortais a luz futura.
Presumia (ai de mim!) vendo a ternura
Daquela, que me trouxe enfeitiçado,
Presumia que Amor tinha guardado
Nos braços do meu Bem minha ventura.
Ó Terra! Ó Céu! Mentiram-me os brilhantes
Olhos seus, onde achei suave abrigo:
Quão fáceis de enganar são os Amantes!
Humanos, que seguis as leis, que sigo,
Vós, corações, que ao meu sois semelhantes,
Ah! Comigo aprendi, chorai comigo.
Etiquetas: biografias, bocage, elmano sadino, poesia
segunda-feira, março 29, 2010
magia de cores

numa magia de cores
pétalas que são uma ave
em voos de esbelta nave
no sonho de mil amores
orquídeas dos jardins de Vale de Rosal
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: flores de jardim, postais
lágrimas de sal
Docemente
Pelo teu rosto
De linhas suaves e belas
Traçam sulcos de prata
Na pele cor de âmbar
Translúcida
Etérea.
Marcas de amor
Profundo
Somente a eternidade
Concede
Plena vivência
Beijo de séculos
Os amantes sentem
Seu.
A cada momento que passa
Duas lágrimas
De sal
Uma pitada
De ser.
São duas lágrimas de sal
As marcas do muito amar
Etiquetas: poesia
domingo, março 28, 2010
até onde a vista alcança

do alto desta penedia
milénios de cultura herança
doutros tempos de romança
de que sentimos energia
capela de S. Gabriel - Vila Nova de Foz Côa
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: capelas, foz côa, postais
hora de verão em portugal
Os relógios em Portugal Continental e na Região Autónoma da Madeira serão hoje, dia 28 de Março, adiantados de 60 minutos à 1 hora do Tempo Legal (1 hora UTC). Na Região Autónoma dos Açores serão adiantados de 60 minutos às 0 horas do Tempo Legal (1 hora UTC).
A hora legal pode ser calibrada em HORA LEGAL.
No dia 31 de Outubro deste ano a hora voltará a coincidir com o Tempo Legal.
É evidente que o Tempo Legal não coincide com a Hora Solar Aparente, muito embora tivesse sido esta última que orientou os nossos antepassados na sua vivência diária, marcando o tempo e o ritmo das diversas actividades.
O Horário Solar Aparente baseia-se na premissa de que é meio-dia quando o Sol alcança o ponto mais alto no céu, no decurso do seu movimento aparente, isto é, quando cruza o meridiano do lugar, pelo que varia em relação ao lugar geográfico em que nos encontremos a cada momento.
Uma das formas expeditas de determinar a Hora Solar Aparente é aquela que recorre à utilização de um Relógio Solar.
A adopção de uma referência horária global foi decidida pela primeira vez em 1884, na Convenção de Washington, a que Portugal aderiu em Maio de 1911. Só então foi abandonado o uso da hora solar média do meridiano de Lisboa, que estava 36m44,68s atrasado em relação ao Tempo Médio de Greenwich (TMG), ou Tempo Universal (TU), que a convenção consagrou.
Quanto à Hora de Verão, Portugal adoptou-a em 1917, seguindo o exemplo de outros países europeus, e manteve-a sempre desde então com alterações diversas.
É assim que aqui no meu sótão tudo está preparado para registarmos, um ano mais, o tempo ausente de uma hora, visto ser impossível observar e registar o tempo que medeia entre a 1 hora e a 1 hora 59 minutos e 59 segundos. De tal forma é tempo que não existe que já realizámos experiências que nos levam à conclusão de ser impossível postar com esses registos de tempo.
Os computadores, o de mesa e o portátil, que foram registando conhecimentos com o passar do tempo, ou com o tempo que passa, não necessitarão de qualquer intervenção, eles próprios tratarão da sua vida.
Etiquetas: hora legal, tempo que passa
sábado, março 27, 2010
uma flor para... a marley

sentiu-se muito desejada
no seu rosto bonito sorriu
pétalas que o sol abriu
flor vermelha encantada
Marley é uma querida amiga, de bonitas parcerias
no início da publicação da Oficina,
que tem o blogue Segredos de Deméter,
a quem desejo muitas felicidades no dia do seu Aniversário
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: aniversário, flores de jardim, parabéns, postais
dia do meu desaniversário
Em resposta, noutros caminhos da Internet, deixou-se uma mensagem que não resisti hoje a partilha-la com todos vós.
“Meu querido Vicktor, poeta levantino, muito obrigada!
Adorei a flor (como será que adivinhaste ser a minha preferida? :-) e pelas tuas sempre tão doces palavras!
e já agora aproveito para te desejar um FELIZ DIA DE DESANIVERSÁRIO!
Além do meu dia de aniversário, desde há muitos anos, que gosto também de festejar os meus dias de desaniversário!
Aprendi ao ler Lewis Carroll na “Alice no País das Maravilhas”. Há anos que me junto à Alice, ao Chapeleiro Louco, à Lebre de Março, ao furão sem nome, sento-me com eles na mesa cheia de bules e chávenas de chá dançantes para festejar o dia do desaniversário! São tantos que me fazem ter muitos e muitos dias muito mais felizes!
Por isso, desejo-te um feliz dia de desaniversário... todos os dias!... e aparece sempre que quiseres para beber uma chávena de chá connosco e festejar! Aqui fica um cheirinho do quanto é divertido e bom festejar o nosso desaniversário! Beijos”
Até já acrescentei ao corrector de texto a palavra “desaniversário” e não deixem de deliciar o vosso olhar AQUI.
sexta-feira, março 26, 2010
uma rosa para... a nour

teu levantino sorriso de encanto
viajei no arco-íris e sonhei
de lusa sheherazade me enamorei
tendo mil véus como seu manto
"Nour" é a minha querida amiga Maria João,
de tantos caminhos partilhados pelas terras de Sheherazade,
a quem desejo muitas felicidades no dia do seu Aniversário
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: aniversário, parabéns, postais, rosas
lenda dos círios da rosa
Muitos foram os religiosos de elevada virtude que viveram neste convento, de entre os quais sobressai pela inocência pura e assombrosa caridade, Fr. Domingos da Caridade, que foi buscar o seu sobrenome à aldeia onde nasceu, na planura alentejana, perto da vila de Monsaraz.
Testemunham os pobres da Caparica, do tempo em que aqui viveu como porteiro do convento, a sua afabilidade e profunda humildade.
Levou uma vida de abstinência no comer e raro beber, em permanente jejum e rigoroso nas mortificações do corpo para glorificação da alma. Alimentou-se, de ordinário, das ervas que colhia nos campos.
Já muito doente, mas rico de virtudes e de merecimentos, foi internado no hospital que a Ordem tinha em Lisboa, onde foi confortado com os divinos Sacramentos e assistido pelos seus irmãos religiosos.
No momento da sua passagem terá citado com fervor o Salmo de David: “Laetatus sumi s His, quae dicta sunt mihi, in domum Domini ibimus” e com estas palavras se finou.
O corpo foi trazido numa embarcação que atravessou o rio Tejo para o Porto Brandão, onde religiosos do Convento da Rosa o aguardavam, acompanhados de muitos populares com círios acesos.
Apesar da noite se apresentar tempestuosa, todas as luzes chegaram acesas ao Convento, sem se apagarem até que lhe foi dada sepultura. Este acontecimento deixou toda a gente assombrada, louvando a Deus, por tamanho milagre.
Etiquetas: lendas, vale da rosa
quinta-feira, março 25, 2010
energia tão forte

mais que vejo em teu olhar
energia tão forte que não desminto
estar faminto
de muito te amar
flor silvestre
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
néctar dos deuses
Teu íntimo néctar...
Saboreio licor de rosas
Recolhido em tua concha
Que escorre
Em meus dedos viciosos
Dos caminhos devassos
A lascívia do meu querer
Feito alma e sentir
Refresca na tua fonte
O fogo eterno dos amantes
O ondular intenso
Do teu corpo
Rodopio de prazeres
É mar revolto de paixão
No ponto de não voltar
Minha boca beija e é beijada
Pelo teu âmago
Mel e rosas
Alimento dos amantes
Um sorriso.
quarta-feira, março 24, 2010
de fumeiro e de escutar

do povo uma tradição
no crepitar do braseiro
murmúrio de tez trigueiro
chaminé de ouvir o coração
Chaminé de fumeiro e de escutar, Alentejo
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: alentejo, chaminés, postais
o castelo de evoramonte
Ergue-se altaneiro em um dos pontos mais elevados da serra de Ossa desde tempos imemoriais. Na época da Reconquista foi tomado aos mouros pelas tropas do lendário Geraldo Sem Pavor, cerca do ano de 1160.
No tempo de D. João I passou para a posse de D. Nuno Álvares Pereira, senhor de todas as terras ao sul do rio Tejo, que aos domínios da Casa de Bragança viria posteriormente a pertencer.
Castelo da Paz, é designação de merecimento e de turístico cartaz, por na povoação ter sido assinada a “Concessão de Evoramonte”, datada de 26 de Maio de 1834, que pôs termo à guerra fratricida entre as tropas tradicionalistas de D. Miguel I e as tropas liberais de D. Pedro IV.



Etiquetas: castelos, evoramonte
terça-feira, março 23, 2010
largo da feira

o mata-bicho matinal
cálice de aguardente que se esgueira
ao ritmo da amena cavaqueira
na tradição de um ritual
Quiosque do Largo da Feira, Estremoz
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
os alvores da nova arcádia
A Nova Arcádia teve a protecção do Intendente da polícia que assim julgava poder melhor controlar os desmandos revolucionários e ímpios que sempre podiam surgir das reuniões de jovens boémios e artistas.
A Academia, a Nova Arcádia que de início se reunia na casa deste e daquele, sempre de gente de nome e de haveres, como eram o Conde de Vimioso e o Conde de Pombeiro, passou a encontrar-se em lugar próprio no desmantelado e abandonado Castelo de S. Jorge, cedido oficialmente pelo Intendente.

crayon de Joe R. (1940)
Bocage não resistiu muito tempo ao elogio mútuo e ao bem dizer e bem parecer dos árcades. Atira-se satiricamente aos seus companheiros, ao Padre Caldas, ao Conde, às reuniões de quartas-feiras com tal argúcia e má-língua que se celebrizou, a partir daí, dividindo os intelectuais em apoiantes e completamente contra.
À meia noite
Saiu de um cano
Cheio de merda
Crispiniano.
Eis que da ronda
Tropel insano
Divisa ao longe
Crispiniano
Capuz o cobre
És franciscano?
- Sou (lhe responde)
Crispiniano.
Chega o alcaide,
Dá-lhe um abano,
Sai da gravata
Crispiniano.
Etiquetas: biografias, bocage, elmano sadino, poesia
segunda-feira, março 22, 2010
aroma de mulher

do teu corpo o aroma de mulher
o calor da labareda
a sensualidade de Leda
nos jardins de belveder
jasmineiros dos jardins de Vale de Rosal
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: flores de jardim, jasmineiro, postais
migas de espargos bravos

Migas de Espargos Bravos
Ingredientes:
400 gr. Espargos Bravos Verdes
600 gr. Miolo Pão de Almodôvar
1 dl. de azeite suave
4 dentes de Alho
2 folhas de loureiro (louro)
Coentros e sal qb
Confecção:
Cozer os espargos bravos verdes em água, com um pouco de sal; reservar um pouco da água da cozedura.
Cortar os espargos em pedaços pequenos (picado).
Fazer um refogado com o azeite, o alho picado e o louro, quando estiver ligeiramente aloirado, juntar os espargos picados e deixar continuar um pouco mais o refogado.
Embeber o miolo do pão com um pouco de água da cozedura dos espargos que reservámos e esmagar para criar uma massa homogénea.
Juntar um pouco de gordura resultante da confecção da carne que as migas acompanharão, acertar o sal e homogeneizar em lume brando, juntando os coentros picados.
Quando formar uma “bola” descolando das paredes do tacho, fritar ligeiramente para ganhar consistência.

[receita: Chef Maria Thereze]
Etiquetas: espargos bravos, gastronomia
domingo, março 21, 2010
a cor das abóboras

menina chila rasteira
na sopa com segurelha
doce de orelha a orelha
é abóbora festeira
as cores das abóboras na feira semanal de Estremoz
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: postais
as andorinhas
As crias já tinham um nível de crescimento significativo, embora os progenitores continuasses em voos de vaivém para lhes levarem alimentos tal como fazem desde que nasceram. Mas agora as pequenas andorinhas já ensaiam os seus primeiros voos, deixando-se “cair” dos ninhos que depois as asas fazem o resto.
É essa mescla de voos com precisão das andorinhas adultas e de atrapalhados voos das mais novas que resulta esta visão de azáfama que não é mais do que cada um a dar os passos que a natureza lhes exige.
Medita então o nosso personagem sobre o equilíbrio natural das vivências, sobre a forma protectoras dos progenitores para com os filhotes, da liberdade de aprender, do crescimento equilibrado... Factores exógenos que a sociedade humana sedenta de poder criar para os seus próprios membros faz com que o mesmo não aconteça com os seres humanos.
Etiquetas: pequenas estórias
sábado, março 20, 2010
mensageiro dos sentires

que atravessou a invernia
caminhas o arco-íris desde então
esperança de renovação
sorriso aberto de alegria
um hino à Primavera e aos afectos
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: flores de jardim, postais
festejar os afectos
Rolando nas estradas da Caparica, da “Capa-Rica” da lenda, pude observar e sentir o equilíbrio que a Natureza mostra ter nesse momento. Estamos a viver o Equinócio da Primavera, tempo de renovação, de crescimento a caminho da maturidade, dos frutos saborosos. Época de sementeiras do trigo, da aveia, do centeio e da cevada.
Em termos esotéricos e da tradição este é o início do tempo de procurar a verdade da vida e de nos libertarmos das mentiras acumuladas no ano que passou. É o momento da purificação do corpo e do espírito. É época de recomeçar. É tempo de energia abundante, de intensidade e de persistência para atingirmos os nossos objectivos. É a época da dádiva espiritual e material.
Em astronomia, o equinócio é definido como um dos momentos em que o Astro-Rei, na sua órbita aparente vista da Terra, cruza o equador celeste, a linha do equador terrestre projectada na abóbada celeste.
Os antigos gregos, egípcios, sumérios, babilónios e celtas foram povos que agradeciam à "mãe terra" tudo o que ela lhes oferecia: alimentos, curas e riquezas. E agradeciam com festividades e cerimónias que eram realizadas no início e final de cada estação, ou seja, nos equinócios e solstícios. A Primavera, em quase todas as tradições, é tida como a fase de fertilidade e beleza da Natureza, é quando todos os seres, plantas e animais, acordam de seu repouso (inverno) para um novo ciclo de produtividade.
O Sol vai aproximar-se trazendo consigo o Verão tão desejado na costa lusitana, que os corpos estão sedentos de serem beijados pelo Astro-Rei, dando-lhes tons cobreados que trazem à memória tempos de nomadismo, caminhos percorrido de terra em terra na busca do espaço prometido.
Nesta terra lusitana, vão imperar as tonalidades de verde e amarelo, depois salpicos de lilás e de vermelho. Do outro lado do Atlântico, que é estreito para a vontade indomável de povos que se querem bem, o castanho e o doirado tomam o lugar que há pouco deixaram em Portugal, no eterno ciclo das estações do ano.
É quando tudo se enfeita e se torna belo e fértil, para garantir a frutificação. Não é sem sentido que a Primavera é considerada a mais bela estação do ano.
"Vai-te ao longo da costa discorrendo,
E outra terra acharás de mais verdade,
Lá quase junto donde o Sol ardendo
Iguala o dia e noite em quantidade."
Lusíadas, II, 63.
A Primavera é tempo de afectos...
Etiquetas: afecto, equinócio, primavera
sexta-feira, março 19, 2010
pilritos d'areia

caminham ao sabor do ondar
são aves encantadas
companheiras das caminhadas
na cumplicidade do mar
pilritos d’areia no espraiar das ondas do Grande Areal,
Costa de Caparica, Almada
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: aves, grande areal, postais
dia do pai... manel
Meu pai, o Manel da drogaria, mais conhecido pelo “pau-preto”, magrinho e muito escuro, cedo começou a contribuir para o rendimento da casa paterna, primeiro como marçano de drogaria, depois como empregado de balcão. Trabalhador e poupado chegou a ter negócio seu.
Sempre foi uma importante referência no desenvolvimento da minha vida, pela sua honradez e pelo seu posicionamento relativamente ao trabalho. Se foi referência de vida representou, igualmente, uma importante memória dos tempos passados.
Inesperadamente, é sempre assim, retirou-se da minha vivência deixando um vazio que nunca mais foi possível preencher. Perdi a sua companhia e o seu aconchego e deixei de contar com o seu insubstituível recurso da memória do passado.
Perdi, eu próprio, parte importante das minhas memórias.
Etiquetas: baú de memórias
quinta-feira, março 18, 2010
castelo da paz

olho terras do alentejo sem fim
daqui foi tamanha a façanha
que minha alma entranha
ah levantina princesa de mim
"castelo da paz" designação poética (e turística)
dada ao castelo de Évoramonte, Estremoz
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
flores de março

Clívia (Clivia miniata), origem: África do Sul

Magnólia (Magnolia liliflora), origem: China e Japão

Érica (Leptospermum scoparium), origem: Nova Zelândia e Austrália
Etiquetas: flores de jardim
quarta-feira, março 17, 2010
o rapaz da feira

chapéu ao lado reguila
foi ardina ou cauteleiro
ladino e certeiro
duma vida intranquila
pela de loiça, na feira de antiguidades, no mercado semanal de Estremoz
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
novos cataventos
CATAVENTOS
Designação dada a um conjunto de equipamentos "que aproveitam a energia dos ventos para produzir trabalho". Incluem nesta designação alguns equipamentos mais engenhosos destinados à moagem de cereais e ao bombeamento de água dos poços. Não concordamos inteiramente com esta definição, preferindo chamar aos primeiros "moinhos de vento" e aos últimos "moinhos de poço" [designação criada na Oficina das Ideias e já aceite em diversos blogues].
Designamos, então, por cataventos os dispositivos constituídos por uma seta - decorada consoante o imaginário popular - que gira sobre um eixo vertical e pela rosa dos ventos que indica a direcção predominante do vento na altura.
#04 - catavento religiosos com "galo" - estremoz - 2010
#05 - catavento "arte nova" - estremoz - 2010
#06 - catavento de "touro" - alcaçovas - 2009



Etiquetas: cataventos e anemómetros
terça-feira, março 16, 2010
senti teus lábios

viagem por oásis desconhecidos
nas palavras dos poetas é rimado
o néctar de teu corpo desenhado
na tela virgem de meus sentidos
"beijo alado", peça escultórica existente na Casa do Alentejo, Lisboa
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: esculturas, postais
uma porta com história

Etiquetas: pequenas estórias, portas
segunda-feira, março 15, 2010
plantas delicadas

dos tempos a aridez
que protegem praças acasteladas
nascem plantas delicadas
vencendo a timidez
muralha do castelo de Évoramonte, Estremoz, Alentejo
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
encantamento da adolescência
- Em todos estes sempre esperei um dia ver-te na televisão entre toda aquela gente que por lá passa... E agora, aqui!!
Foi um reencontro, passados mais de quarenta anos. As palavras são sempre poucas quando a emoção é muita. Muitas ficam sempre por serem ditas, porque a seu tempo, o tempo de dizê-las já passou e pelo natural recato das pessoas nunca mais serão ditas.
Os olhos têm o brilho de sempre quando diz:
- Esta é a minha filha Isabel...
- És linda Isabel, como lida sempre foi a tua mãe desde que a conheci... não resisti a responder.
Uma lágrima teimosa impede que algo mais seja acrescentado neste diálogo circunstancial. É desnecessário que algo seja acrescentado.
Saído de uma doença pulmonar naquele ano primeiro da década de 60 do século passado, a recomendação do meu médico assistente lá “fui a ares” para o campo pois praia nem dela me aproximar naquelas circunstâncias. Fui encaminhado para uma pequena aldeia nas faldas da Serra de Montachique, Sapataria de seu nome, terra de gente boa e honesta.
Encontrado o quarto de aluguer na casa da Ti Genoveva, foi a ida, acompanhado como sempre acontecia da minha avó materna, a vó Esménia, e o acolhimento como se de família chegada fizéssemos parte.
A casa térrea à boa maneira da tradição saloia dos arrabaldes campesinos de Lisboa, a estrada que já serviu aos exércitos de Junot e de Wellington na batalha das Linhas de Torres e agora do “lá vai um”, os carros de bois com os rodados a rangerem madeira com madeira e as vacas de leite mugidas com arte diariamente, as hortas com leiras imensas de feijão verde encarrapitado.
E as gentes...
Mesmo ao lado num enorme casarão de gente por certo com haveres, vivia a afilhada da Ti Genoveva, mais o marido e o pai, o filho Heitor já na labuta do dia-a-dia e a sua filha Zulmira, moça da minha idade, nos nossos quinze ou dezasseis anos.
- Tu eras o menino da cidade e eu a moça do campo...
Etiquetas: baú de memórias, pequenas estórias
domingo, março 14, 2010
uma flor para... a micá

a natureza escolheu carmim
na magia do alquimista
nasceu alma florista
deu mais alegria ao jardim
A Micá, é a Maria do Carmo, minha comadre do coração,
companheira de uma viagem profissional de mais de 30 anos.
No dia do seu aniversário um beijinho de parabéns
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: aniversário, flores de jardim, parabéns, postais
regresso à vadiagem de lisboa
Regressado a Lisboa, entrou de novo numa vivência sem eira nem beira, com a família desavinda e dispersa sabe-se lá por onde. É a vida boémia e vadia que o espera. Foi desertor nas Índias e mendigo na China, tendo sido repatriado para Portugal com o estatuto de indigente.
Os amigos estão ávidos pela sua companhia mais pela carga exótica e aventurosa que traz das terras do Oriente do que pelo desejo puro da sua companhia. Contudo, têm que pagar por ele dormida e comida e, especialmente, bebida, muita bebida.

Está na forja a Nova Arcádia, constituída por poetas menores que haviam conhecido Bocage noutros tempos. Bocage é convidado a aderir. Na Nova Arcádia Bocage será o Elmano Sadino. Elmano, porque do seu nome próprio (Manuel), troca-se a última sílaba com a primeira (Elmano) e junta-se como segundo nome um adjectivo correspondente à sua cidade natal, Setúbal na foz do Sado (Sadino).
Um tabelião caduco
Com mulher moça casado,
Vai portar no seu estado
Por fé o sinal de cuco:
Como já não deita suco
Por mais que puxe os atilhos,
Não lhe hão de faltar casquilhos
Para a moça amantes novos,
Que lhe vão galando os ovos,
E ele vá criando os filhos.
Ele diz que assim o quer;
Mas de raiva dará pulos,
Vendo que são atos nulos
Os atos que ele fizer;
Sem ter direito à mulher
Que será deste demónio?
Logo então qualquer bolónio
Lhe desmancha o casamento,
Porque não tem instrumento
Com que prove o matrimónio.
Tenha embora muita renda,
Seja lavrador morgado,
Mas para homem casado
Sempre tem pouca fazenda:
É provável se arrependa
A pobre da rapariga,
Que se agatanhe e maldiga,
Quando na noite da boda
Correr a ceara toda,
E não encontrar espiga.
(três das décimas dedicadas a um tabelião velho, que casou com moça nova)
Etiquetas: biografias, bocage, elmano sadino, poesia
sábado, março 13, 2010
homem da beira mar

no futuro, no devir
a vida desenhou na fronte
linhas do tempo, da fonte
marcas de chorar e sorrir
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
a lenda da moura prisioneira
Contam os mais antigos…
No tempo de D. Afonso Henriques, aquando da expansão do reino para além do Tejo, travou-se violenta peleja entre os seus soldados comandados por Geraldo Sem Pavor e os mouros que habitavam o termo do que hoje se chama Evoramonte. Daí resultou serem muitos mouros feitos prisioneiros, outros conseguiram refugiar-se nos montes envolventes da Serra d’Ossa.
Entre os mouros aprisionados pelas tropas de Geraldo estava uma bela jovem cujo casamento estava há muito aprazado com o rico e nobre cavaleiro mouro que conseguiu pôr-se em fuga para continuar a lutar valorosamente pelo seu povo. O sonho venturoso entre os dois amantes não foi, assim, realizado, e o tempo passou inexoravelmente.

Foi a fortuna da guerra adversa aos mouros e a situação era cada vez mais grave para os desventurados prisioneiros, especialmente para a formosa moura, cujo sofrimento era agravado por não saber novas do seu amado.
Não resistiu a linda moura por muito tempo a tão triste e cruel situação porque o definhamento do seu organismo, cansado por tamanhos desgostos, a tombou bem depressa na sepultura. Assim terminou a vida desta graciosa agarena, que teve por tálamo a terra fria da sepultura e por flores, que simbolizassem a sua virgindade, as lágrimas amargas dos seus compatriotas.
No dia imediato a este triste acontecimento, de madrugada, as vigias que a esta hora estavam nas muralhas, avistaram a meio da ladeira da vila - sitio que hoje é conhecido por Alpedriches - sobre uma rocha em forma de leito, um homem que parecia adormecido. A curiosidade imediatamente os levou lá e viram então que era um jovem mouro, o noivo de bela moura que havia falecido no mesmo momento do desenlace da sua amada.
A desdita do mouro comoveu os cristãos, que lhe deram sepultura junto á de sua linda noiva e assim os dois amantes alcançaram na morte o que a vida lhes negara - a união.

Recreado a partir dos que nos conta o “Almanaque Évoramontense, 1917” e do que no local sentimos e nos contaram os mais velhos.
Etiquetas: evoramonte, lendas
sexta-feira, março 12, 2010
uma flor para... a jenny

ontem menina, hoje mulher
um aroma que perdura
num sorriso de frescura
no sentir de quem bem te quer
A Jenny é a Jennifer, a minha neta mais nova.
A sueca mais portuguesa e a portuguesa mais sueca.
Beijinho de parabéns
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
Etiquetas: aniversário, parabéns, postais, rosas
olhos castanhos
*
*
Olhos castanhos,
Envolventes
E profundos
Escondem segredos
Das terras quentes,
Sensuais
Iluminam sentires,
Indicam veredas,
Novos mundos
A quem deles se abeira,
Em sublimes rituais
*
*
*
Etiquetas: poesia
quinta-feira, março 11, 2010
o azul e a prata

uma onda outra depois
é uma forte emoção
sentir a revelação
do amor entre os dois
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
caminhei o sonho...
Caminhei para lá do mar d’Adiça
Onde a areia acaricia a base da falésia,
Terras de fantasia e rituais
Que transformam grãos de areia
Em pepitas de fulgente metal.
Áurea magia, alquimia.
Caminhei para lá de terras d’Apostiça
Albufeira onde o mar se recolhe e purifica,
Aves nidificam tranquilas
Enriquecem a fauna com beleza
De seus voos e sons de encantar.
Noite e dia, nostalgia.
Caminhei até ao Promontório
Barbárico pela rudeza do oceano agreste.
Na lenda da Pedra Mu
Converge o homem de Alcabideche
Com a devoção da mulher da Caparica.
Mar meu guia, maresia.
Sonho feito realidade no meu sentir
De caminheiro amante do Grande Areal.
Dádiva maior concedida
De ter o enleio de teu belo corpo
Teus seios que se agitam de emoção.
Depois acalmia, magia.
Etiquetas: poesia
quarta-feira, março 10, 2010
desalento

nestes tempos de penúria
p’ra quem procura sustento
quantas vezes num momento
enfrenta os elementos em fúria
para visualizar somente a imagem CLIQUE AQUI
cumplicidade da lua
Para além deste sentir que muitos chamarão romântico mas que penso ser muito mais do que isso, interrogo-me amiúde porque razão hoje se me apresenta como um disco enorme quando antes ocupava no firmamento um exíguo espaço.
Encontrei uma explicação científica no sítio do Observatório Astronómico de Lisboa quando aí é afirmado:
“Já presenciou certamente noites em que a Lua parecia ter um tamanho gigantesco. Trata-se de uma ilusão de óptica que ocorre quando a Lua está baixa no horizonte.
Nesta situação o cérebro é enganado porque vê a Lua próxima de objectos na Terra com dimensões que bem conhecemos, como casas, árvores, etc.
Quando a Lua se encontra alta no céu, não há pontos (objectos) de referência para o cérebro poder usá-los na construção de uma imagem (cerebral) em que coloca os objectos-imagem com tamanhos proporcionais e relativos às distâncias percepcionadas, obtidas por sequência de posições sucessivas e tamanhos angulares aparentes. Se esta explicação não o satisfizer, sugerimos que tire as suas dúvidas de uma forma prática. Fotografe a Lua quando esta nascer e tire outra fotografia mais tarde quando já estiver mais alta no céu. Assim poderá comparar o tamanho da Lua nas duas imagens.
Esta ilusão costuma ser mais notada quando na fase de Lua Cheia, porque nessa situação a Lua nasce ao pôr-do-sol e encontra-se completamente iluminada”
Quanto á razão do meu sentir, do diálogo que mantenho com a Lua, da cumplicidade com que ela me transmite imagens do meu desejo mais sublime, para isso não existe explicação científica, por certo.
Etiquetas: luar, pequenas estórias
terça-feira, março 09, 2010
pôr-do-sol

os caranguejos da tempestade
coloridos em aguarela
puxam para o mar aquela
energia da verdade
para visualizar somente a imagem CLIQUE
Etiquetas: por-do-sol, postais
sete, um número mágico
Naquele dia, em que o capricho do eterno rodar do tempo criou um número mágico, o velho Marinheiro, quando do alto do miradouro do Convento dos Capuchos olhava o mar profundo, onde este quebra com o Rio Tejo, teve uma maravilhosa visão.
Uma bela jovem, Tágides no dizer dos poetas, que da água do rio buscou suas formas onduladas pela brisa, do pomar da Caparica sua doçura de fruto maduro, pele suave ao tocar, ligeiro rubor do sol poente que logo voltará em toda a sua pujança.
_Tão jovem és nesta visão que me encanta...
_Venho do fundo dos tempos, mas o Tejo me ofertou 26 anos de idade agora cumpridos...
_Este teu velho amigo cumpriu 62 quando tu eras flor em botão...
O velho Marinheiro que intuitivamente “jogava” com números desde o seu tempo de marear, pensou: “26 + 62 = 88 > 16 > 7... SETE!”
_Mas este é um número mágico – murmurou – hoje que é dia 7 deste mês de Verão...
_Que dizes Marinheiro?
_Hoje é dia 7 deste belo mês de Verão... somando a tua idade (que o Rio Tejo te ofertou) mais a deste velho Marinheiro, obtemos o número 7, número mágico no meu sentir...
_Número que para mim tem, igualmente, muita magia...
O velho Marinheiro não resistiu a perguntar:
_Porque vieste até aqui, bela Ninfa do Tejo?
_Procurei encontrar alguém que partilhasse da alegria da Festa e “Encontrei olhares de outros sobre a minha festa, sobre a nossa... Sobre a festa que se quer de todos.Olhares como o teu são preciosos porque a "...questão é transforma-los...".
Ficaram sentados lado-a-lado contemplando esse Mar imenso, ali na quebra do Rio, onde o Tejo beija o Oceano. Sentiram-se companheiros “desta e de tantas outras andanças”.
Etiquetas: contos do tejo, pequenas estórias
segunda-feira, março 08, 2010
bendita sejas, mulher

mulher mulher
mulher lutadora
mulher companheira
mulher trabalhadora
no Dia Internacional da Mulher
a primavera na oficina

Mantendo o “layout” original, tem variado nos conteúdos, embora obedecendo sempre ao “estatuto editorial” que se propôs respeitar, donde já resultaram cerca de 976.900 visitas oriundas de 161 países.
Épocas houve em que as visitas diárias chegaram a atingir um milhar. Após um desagradável acontecimento em que o servidor internacional onde a Oficina das Ideias tem as imagens alojadas foi “atacado” por um vírus, a Google deixou de rastrear as imagens por nós publicadas, fazendo baixar as vistas diárias para menos de uma centena, nível em que se mantém.
Mantendo-nos fiéis ao “layout” original, agora que caminhamos para o sétimo ano de publicação continuada, vamos procurar inovar nos conteúdos, pelo respeito que os nossos visitantes nos merecem, e disponibilizar as imagens que servem de base à elaboração dos “postais” de que já se encontram publicados 244.
A Primavera está a chegar… desejamos dar mais cor e aroma à Oficina das Ideias com as flores dos jardins de Vale de Rosal.
Etiquetas: oficina
domingo, março 07, 2010
lira açoriana

de quem nas ilhas tem amores
envolve-nos em sua magia
ao soar da fantasia
são dádivas dos açores
concerto da Orquestra Regional Lira Açoriana
maestro António Melo
no teatro S. Luís
Etiquetas: lira açoriana, música, postais
n'a brasileira do chiado

Etiquetas: autoretratos, cafés
sábado, março 06, 2010
alegria dos jardins

cobrem-se de bonitas flores
Etiquetas: flores de jardim, magnólias, postais
o homem e o poeta
Devasso mas sofredor, marginalizado por uma sociedade relativamente à qual se encontrava com décadas de avanço, nunca deixou de escrever o seu sentir com o gosto e a antena de escândalos que desde muito jovem o acompanharam.
Representa o expoente máximo pré-romantismo literário em Portugal, que há época vivia ainda a plenitude do classicismo quando há muito na Europa sopravam ventos do romantismo.

“Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura,
Urdidos pela mão da desventura,
Pela baça tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mundo esquecimento e sepultura:
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.
Não vos inspire, ó versos, cobardia,
Da sátira mordaz o furor louco,
De maldizente voz a tirania:
Desculpa tendes, se valeis tão pouco,
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado, e rouco.”
Nem para ele próprio a sátira foi mais leve...
“Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão n’altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades,
(Digo de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;
Eis Bocage, em quem luz algum talento:
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.”
Muito menos para os seus versos magníficos:
Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz e tirania:
Desculpa tendes, se valeis tão pouco,
Que não pode cantar com melodia
Um peito de gemer cansado e rouco.
Etiquetas: biografias, bocage, elmano sadino, poesia
sexta-feira, março 05, 2010
do verde pino

intensifica-se a actividade dos corvídeos do pinhal
faróis e lanternas
FARÓIS E LANTERNAS
Racham o breu na noite com um facho luminoso cuja cor leva um recado, um alerta, orientação. Uma luz que parece vir do nada e à origem se recolhe logo de seguida, mas que salva o mestre marinheiro mais a companha de se despedaçarem contra um rochedo traiçoeiro. Em noites de neblina o som choroso de uma trompa de ar comprimido, conhecida localmente por “a ronca”, substitui a acção da luminária. São os faróis e lanternas da portuguesa costa atlântica.
#01 - farol do Cabo Espichel, perto do Santuário N. Sª do Cabo - 2004
#02 - farol do Cabo Sardão, na Ponta do Cavaleiro - 2005
#03 - farol de Esposende, junto ao Forte S. João Baptista - 2005



Etiquetas: cabo espichel, cabo sardão, esposende, faróis e lanternas