domingo, janeiro 31, 2010
contemplativo
aldrabas e batentes
ALDRABAS E BATENTES
Designação dada a peças, normalmente fabricadas em metal, com simbologia diversa, colocadas nas portas ou nos portões, e que se destinam a chamar "os da casa" batendo. As aldrabas tem a função acrescida de trancarem as portas.
Contam os mais velhos que era usual este diálogo:
"Truz! Truz"
"Entre! Quem é?"
#01 - batente de "carranca de leão" - góis - 2008
#02 - batente de "cordame náutico" - góis - 2008
#03 - batente de "mão de fátima" - góis - 2008



Etiquetas: aldrabas e batentes, tradição
sábado, janeiro 30, 2010
luar de janeiro
a magia do luar
Quando nela espraias teu doce olhar
Cúmplice e confidente do caminhar
Na procura da vereda que o amor trilha
Nela se reflecte de azul o nosso mar
Que sempre está presente nesta partilha
Na espuma da sétima onda que fervilha
Na doirada areia seu destino e desejar
Na Lua olhamos o infinito e mais além
Onde um rosto nos sorri com a ternura
De quem está enamorado e nos quer bem
E na alegria vivida de tamanha ventura
No encontro perfeito e sem porém
A Lua brilhante é de estio e de doçura.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
cegonhas brancas
dois mares
Um deles, de “infinita brancura”, feito de “espuma de óleos essenciais e sais perfumados, decorado com cheiros serenos e actos pacatos” espraiou-se docemente no areal...
O outro, cor de azul verde-mar, espraiando espuma de prata, trazia o odor a maresia misturado com o cheiro acre do suor do marinheiro que nele navegava noite e dia sem descanso na busca de um sonho desejado.
Uma bela Tágide respirava forte, cada vez mais forte, ouvindo o eco da própria respiração ao sentir na sua suavidade que os dois mares iriam embater violentamente... ouve momentos de silêncio profundo.
Os mares deslizaram um sobre o outro como nunca a Natureza tinha visto. Somente duas cristas de onda “cheiro sereno e maresia” se encontraram em explosão de luz e cor, elevando no espaço uma garrafa mensageira que voltou a mergulhar no mar.
No areal da Praia do Sol, num poente esplendoroso, dois jovens namorados aguardavam que desse à praia uma pequena garrafa, mensageira que ambos haviam sonhado chegar nesses fim-de-tarde.
Etiquetas: pequenas estórias
quinta-feira, janeiro 28, 2010
energia sem fim
as colmeias da charneca
“Postura que nenhuma pessoa não arranque, nem corte matto nem cepa, nem esteva dois tiros de besta ao redor das cilhas em que estiverem colmeyas.
Acordarão os ditos officiais e homens bons e puzeram por postura que por verem o grande dano que se fazem nas colmeyas por cauza de ao redor das cilhas aonde ellas estão se arrancar cepa de esteva, e cortar matto pella qual razão vão as ditas colmeyas em muita diminuição e ha muitas menos das que antigamente havia na Charneca do termo desta villa o que he em grande prejuizo dos moradores, e muito grande dano que se recebe nas ditas colmeyas querendo a isso prover mandarão que daqui em diante nenhuma pessoa corte matto, nem arranque cepa, nem esteva dois tiros e besta, ao redor donde estiverem cilhas que tenhão colmeyas que passe de oito cortiços povoados sob penna do que o contrario fizer e se lhe provar ou for achado cortando, ou arrancando cepa, esteva, ou matto por cada ves mil reis e da cadeya, a metade para o concelho e a outra para quem o accuzar”.
A Charneca, mais tarde Charneca de Caparica, situava-se no termo geográfico da Vila de Almada e o seu nome tem origem, sem dúvida, no facto de ser um ermo exposto ao sol forte de Verão, onde se situavam dispersas algumas quintas e um ou outro casal.
Do texto também se induz a existência de algumas explorações apícolas na região que era importante preservar e de que ainda existem vestígios, mais de 300 anos passados, especialmente na zona do Cabo da Malha, em plena Mata dos Medos, onde é produzido mel de um paladar esquisito.
A referência às cepas indica, igualmente, a existência de uma produção tradicional na região, de que ainda existiam vestígios há cerca de 20 anos. Trata-se da produção vinícola, a partir de uvas de vinhas locais, que pela sua qualidade e grau alcoólico era muito apreciado em Almada, onde uma taberna de estilo anunciava todos os anos: “Vinho Novo da Charneca”. E esgotava em pouco tempo.
Uma última referência, esta generalizada a todo o Portugal de então, o elevado hábito delator da população por mor do qual obteria alguns rendimentos suplementares.
Etiquetas: historia local, minha terra
quarta-feira, janeiro 27, 2010
flores lilases
taras e manias (e delírios)
Como ela escreve “a palavra Bloguer (ou blogueiro) pode ser pequena mas encerra nela muito mais do que se imagina”.
Vou aqui convosco partilhar as minha “taras e manias” e também “delírios” que por lá deixei registado na zona dos comentários:
1 - Nunca durmo com pijama seja a época do ano que for.
2 - Estou convencido de que tenho um descendente intergaláctico.
3 - Sonho recorrentemente que voo planando sobre mares e montanhas.
4 - Penso que sou imortal, até prova em contrário.
5 - Escrevo diariamente no blogue há 78 meses.
No cumprimento das regras deste “méme” em que aceitei participar vou mencionar os cinco blogues que proponho como meus “méme seguidores”:
Bailar das Letras
Flor de Lis
Gata por um Fio
Sex Appeal
Traduzir-se… será arte?
REGRAS: "Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."
terça-feira, janeiro 26, 2010
uma flor para... a fatyly

Uma Nova Cubata
e a quem envio um beijinho de MUITAS FELICIDADES
Etiquetas: aniversário, flores de jardim, parabéns, postais
uma flor para... a gwen

cantora romântica e de charme, brasileira,
que tem o blogue A CANTORA
Mil felicidades te desejo
Etiquetas: aniversário, flores de jardim, parabéns, postais
oitava... sétima
*
Percorro insanos caminhos tempo escasso
Na procura de uma imagem por mim sentida
Envolvo-me em górdios nós e em um baraço
De uma memória noutras eras construída
Em vivências pulverizadas em mil estilhaços
Pela vereda de existir já há muito percorrida.
Na certeza incorruptível do tempo que passa
Encontraremos um futuro de energia e graça.
*
*
Etiquetas: oitavas
segunda-feira, janeiro 25, 2010
novos trilhos
felicidade
não está se passando inutilmente
[Erico Veríssimo, Olhai os Lírios do Campo]
_Hoje sinto-o com uma satisfação interior grande, querido Fotógrafo... passa-se algo de agradável?
_ Querida Amiga... algo muito simples...
_As coisas simples são por vezes as mais importantes, não?
_É verdade sim... mas eu conto-lhe...
Na verdade, o Fotógrafo conversara há pouco com um amigo que em Portugal tem uma restaurante de gastronomia mineira que emprega cerca de 70 pessoas às quais esta a proporcionar agora formação profissional. É algo que faz regularmente, estando neste momento em formação um terço dos seus trabalhadores. Os outros o farão em breve.
No mundo actual de tamanho egoísmo e em que tem lugar uma exploração desenfreada de quem trabalha, estas excepções são, na realidade, chamas de uma esperança que nos continuam a animar. Razão de sobra para o Fotógrafo se sentir satisfeito por esta iniciativa de alguém por quem tem muita amizade.
A caminhada calçada acima lá continuou, agora que a Escritora se apercebera dos sentires do Fotógrafo:
_Tens razão no teu contentamento, tu que tantas vezes me fizeste “inveja” quando me contavas as belas comezainas no restaurante desse teu amigo... bom... e das caipirinhas nem se fala.
_Na verdade, além da grande amizade que tenho pelo Joaquim, sempre o elogio pelo cuidado que ele tem em manter a qualidade... e pela forma como cuida dos seus empregados...
_E aqui está um exemplo... boas razões tens para teres esse brilho no olhar...
A Escritora olha o mar que bordeja a costa recifense e olha a linha do horizonte. Sabe que do lado de lá as doiradas areias da Caparica desejam recebê-la com afecto. Conhecer terras do Fotógrafo, mergulhar nos portugueses petiscos de que o Fotógrafo sempre lhe fala...
A nostalgia do tempo que passa tolda-lhe um pouco o semblante, que logo se volta a animar na certeza de que em breve percorrerá terras da portugalidade...
Etiquetas: textos com mote
domingo, janeiro 24, 2010
caparicana
de setúbal moscatel
*
Cantaram os menestréis em suas trovas
O esplendor de um néctar sem igual
Do sabor e do aroma tinham provas
Que deus Baco os inspirara para tal.
Deram notícia ao clero e à realeza
De haver algures em Portugal
Uma bebida que por sua mui nobreza
Mais do que celeste, era divinal.
Mas foi o Povo que no seu saber
Do Monte da Lua para o Espichel
Caminhou com denodo e muito querer.
A pé, de burro ou de corcel
Para o vinho degustar a seu prazer
Era na verdade de Setúbal moscatel.
*
Etiquetas: moscatel de setúbal, poesia vínica
sábado, janeiro 23, 2010
sonho ir às berlengas
o romeiro
*
o romeiro amparado no bordão das terras do longe chegou
cansado dos rumos do sem fim percorridos na ânsia do saber
fita com o olhar vago o infinito e a solidão o sinal que sempre procurou
onde arde a chama que não vê mas sabe existir, a chama do muito querer.
no sentir do amor passado mas sempre vivo em seu pensar e sentir
encetou o romeiro a longa caminhada em terras do sem fim
por tortuosos desfiladeiros e atalhos, veredas e trilhos do devir
na busca da imagem querida e adorada com o odor do jasmim.
no rosto marcado pelo suor e pelas lágrimas, pelo tempo a passar
surge, por vezes, uma réstia cor de esperança, no pensar e no sentir
aquela que sempre o acompanhou neste tão longo caminhar
e o doirado Sol das planuras imensas que nunca alcançou mas que irá atingir.
*
*
Etiquetas: poesia
sexta-feira, janeiro 22, 2010
semente perdida
cataventos
CATAVENTOS
Designação dada a um conjunto de equipamentos "que aproveitam a energia dos ventos para produzir trabalho". Incluem nesta designação alguns equipamentos mais engenhosos destinados à moagem de cereais e ao bombeamento de água dos poços. Não concordamos inteiramente com esta definição, preferindo chamar aos primeiros "moinhos de vento" e aos últimos "moinhos de poço" [designação criada na Oficina das Ideias e já aceite em diversos blogues].
Designamos, então, por cataventos os dispositivos constituídos por uma seta - decorada consoante o imaginário popular - que gira sobre um eixo vertical e pela rosa dos ventos que indica a direcção predominante do vento na altura.
#01 - catavento de "galo" - charneca de caparica - 2004
#02 - catavento de "dinossauro" - lourinhã - 2005
#03 - catavento de "galo e moinho" - carrasqueira - 2005



Etiquetas: cataventos e anemómetros, património imaterial
quinta-feira, janeiro 21, 2010
labareda descendente
a rocha dos namorados
Trata-se de um afloramento natural de granito, cuja forma faz lembrar um cogumelo, mas onde muitas pessoas visualizam, antes, a forma de um útero de mulher, um menir de cerca de dois metros e altura, designado Rocha dos Namorados.
As gentes de São Pedro do Corval, povoação situada a cerca de 500 metros de distância, chama-lhe a Pedra de Casar, pois é uso nela praticar um ritual de fecundidade, ou de casamento nos tempos modernos, pelos que as raparigas solteiras peregrinam em seu destino.
Este menir encontra-se crivado de gravuras megalíticas do tipo “covinhas” e no seu topo centenas de pequenas pedras são testemunho e resultado da prática de um ritual de origem pagã relacionado com o culto da fertilidade e à adivinhação.

Se a pedra lançada não ficar em cima da rocha e cair ao solo significa que tem que esperar mais um ano para a realização do casamento. Se a pedra se juntar a tantas outras que existem no seu topo é garantido o casamento no ano corrente.
Local de idolatria pagã foi cristianizado, como aconteceu em muitas outras situações e ritos, passando a representar um “passo” da procissão de seca que tinha lugar entre a ermida de Nossa Senhora do Rosário e a Aldeia do Mato (hoje São Pedro do Corval).
Etiquetas: megalítico, tradição
quarta-feira, janeiro 20, 2010
dança com o mar
o pequenino morcego
Acompanha-me nas minhas caminhadas nocturnas no passeio das cadelinhas ou quando vou colocar o lixo no respectivo latão, em voos rasantes, em círculos, que são uma forma muito própria de comunicação.
Pequenino mamífero, por muitos hostilizado, sente que gosto dele e da sua companhia e, portanto, "gosta igualmente de mim”. Companhia habitual ao longo dos meses e meses, uma noite fez-me uma surpresa.
Apresentou-me a companheira. A partir daí as minhas caminhadas nocturnas passaram a ser acompanhadas por dois pequenos mamíferos voadores.
Algum tempo volvido voltou só, coisas da vida, e assim tem continuado, noite após noite, mostrando a sua sombra esvoaçante provocada pela iluminação pública ou pelo reflexo da Lua naquelas noites em que cheia se encontra.
Outras vezes é mesmo uma aproximação directa. Sinto então a vibração das suas membranas que mais parecem asas de passarinho. Tal tem acontecido com muita frequência nos últimos dias. Dei comigo a pensar: _Será que este pequeno morcego tem algo a comunicar-me? _Que mensagem me quererá transmitir?
Depois tudo entendi. Quem, na verdade, algo tinha a comunicar era eu. Ele teve essa percepção extrasensorial.
Bastou pensar que ele entendeu: _Morceguinho, vou faltar alguns dias a este nosso encontro, mas irei voltar em breve!
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terça-feira, janeiro 19, 2010
nosso mundo vivido
os corvídios do pinhal e da praia
Ontem, vindos das matas do Pinhal do Rei e da Mata dos Medos, tinham como destino uma zona de denso arvoredo, logo ali à beira dos areeiros do Cruzeiro.
Ontem eram um par, um casal de família constituída. Hoje voaram em trio até às doiradas areias do Grande Areal, como acontece as mais das vezes, e cujo sentido encontrei numa deliciosa crónica da autoria de Affonso Romano de Sant’Anna, no seu livro A Mulher Madura.

O macho voou agora até ao ponto mais alto de um casebre destinado aos aprestos das artes da pesca, em pleno areal. Voo sem hesitação e ao pousar lançou um primeiro som forte, estridente, metálico. Este som, um chamamento matinal, serve para dar indicação às fêmeas de onde se encontra. A sua posição sobranceira ao mar garante-lhe uma visão ampla e plena para toda a região.
Sinal de que a Primavera está perto, altura em que voarão sobre o verde pinhal em trabalho de nidificação, responsabilidade dobrada para o macho. Não resisto a uma saudação de amizade a estes amigos de uma vida. Voltem sempre que adoro observar o vosso voo.
Nota: pela mão da minha gentil amiga Cathy, do Bailar das Letras (ex-Despenseiros da Palavra), o livro de Affonso Sant’Anna veio enriquecer a biblioteca da Oficina das Ideias.
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segunda-feira, janeiro 18, 2010
as leiteiras
viajar na procura do saber
Com o desenvolvimento através dos tempos dos meios de transporte, desde o caminhar com a seu próprio querer e vontade, passando pela ajuda da força animal e o recurso às dádivas da Natureza, até aos tempos modernos com grandes avanços tecnológicos que leva o ser humano a deslocar-se, cada vez com maior facilidade, por terra, pelo mar e pelo ar, foi realizando o seu desígnio.
A partir da segunda metade do século passado, viajar transformou-se numa moda, passou a representar mesmo parâmetro importante para o desenho do respectivo estatuto social. Mas ficou, em muitas circunstâncias, vazio de conteúdo. A posição do viajante passou a centrar-se no sentimento de “invasor”, usufruir de paisagens maravilhosas e de climas agradáveis. Quase que passou para segundo plano as gentes locais.
Temos a actividade turística em todo o seu esplendor. Mercantilista, lesiva das culturas locais, ignorando-as na maioria das vezes. Perdeu-se a noção de viajar em troca de “fazer turismo”. O objectivo primeiro passou a ser “usar”, olvidando-se o “conhecer”.
Não queremos, nem devemos, contudo, generalizar. Ainda existe no espírito de muitos o desejo de visitar para conhecer, de conversar como partilha, de aprendizagem permanente com as gentes de culturas diversas. Esses são os verdadeiros viajantes. E quantas vezes nem é necessário realizarem-se deslocações de milhares de quilómetros.
Etiquetas: caderno de viagens, oficina
domingo, janeiro 17, 2010
tempo de xacobeo
bendito vinho tinto
Na celebração da eucaristia sempre usava vinho da região, “sangue de Cristo” feito néctar dos vinhedos de Muge, especialmente aquele que era oriundo de uma determinada vinha da Herdade, onde a qualidade dos solos e a exposição ao Sol benfazejo lhe davam corpo e sabor como nenhum outro.
Ele próprio celebrava com libações frequentes a qualidade do vinho ao ponto da referida vinha ser conhecida pelos populares e pelos trabalhadores da Herdade como “vinha do Padre Pedro”.
Ainda hoje, o vinho produzido com a origem da uva amadurecida nesses terrenos, com o recurso às novas tecnologias mas mantendo sempre a integridade do que a Natureza produz, é considerado um dos melhores vinhos tintos da região ribatejana.
O nome passou do pároco para a vinha e desta para o rótulo da garrafa de vinho “Vinha Padre Pedro”.
Etiquetas: pequenas estórias
sábado, janeiro 16, 2010
lágrimas de cor
o aroma da sensibilidade
Quando prazenteiramente ocupamos os nossos sentidos o tempo flui, escapa-se como a areia que vasa de uma ampulheta. Na sensibilidade dos aromas e sabores, na leveza das tonalidades cromáticas, na poesia das palavras, a passagem por 365 dias foi quase instantânea.
Faz um ano que escrevi:
“Do jacarandá
Do jacarandá, as flores
São como estrelas fulgentes
Cintilam em seus amores
Por sentires confidentes.
Do jacarandá, o lilás
É cor do sonho sonhado
Luz intensa mas fugaz
De quem se sente amado.
Do jacarandá, a doçura
Que o diga o beija-flor
Essa ave que é ternura
Mensageiro do amor.
Do jacarandá, o perfume
Que embriaga os sentidos
Amor que arde sem lume
No peito dos entes queridos.”
E hoje festejo com afecto o 1º Aniversário do blogue “Perfume de Jacarandá” da minha querida amiga Lilá(s)!!!!!
sexta-feira, janeiro 15, 2010
portal do sonho
caminhar
Caminhas pelos trigais
Que doirados deveriam ser
Só encontras lamaçal
Não tens nada a perder
De que servem os teus ais
Se não afastam o mal
Que chega em torvelim
Continua a caminhar
Numa senda de esperança
Um dia não muito longe
No cruzamento da estrada
Vais por certo encontrar
Um romeiro ou um monge
Cabelos brancos bonança
Que te indica a morada
Com tuas ásperas mãos
Do trabalho do sofrer
Vais sentir suavidade
Ao tocares o rosto querido
Não tens nada a perder
Em saberes a humildade
Do amor que foi vivido
Neste mundo em construção.
Etiquetas: poesia
quinta-feira, janeiro 14, 2010
ondas poéticas

Etiquetas: almada, monumentos, postais
subir no ascensor da glória
Para chegar ao topo desta colina percorria a íngreme Calçada do Carmo, calçada de paralelepípedos basálticos, mais difícil de descer do que de subir, outras vezes as Escadinhas do Duque, dos alfarrabistas e dos regionais restaurantes e, por vezes ainda, utilizando o Ascensor da Glória que até determinada época chegou a ter trânsito automóvel até meio do seu percurso.

Recentemente, à semelhança do que aconteceu com os seus outros irmãos citadinos, Ascensores da Bica e do Lavra e Elevador de Santa Justa, recebeu uma intervenção artística que o tornou ainda mais apelativo.
No percurso das duas cabines do Ascensor da Gloria, uma sobe e a outra desce, há um preciso momento em que ao cruzarem-se ficam em paralelo… é o momento de contrapeso, de equilíbrio, de força e de tensão. Há neste momento uma troca de forças entre as duas cabines do Ascensor. Foi esse facto aproveitado pela artista Susana Anágua para provocar um “flash” de energia, visível através de um conjunto de lentes em vidro “Fresnel” e marcas de tinta florescente pintadas no chão no local de cruzamento.
Uma viagem e uma imagem a não perder...
Etiquetas: ascensores, lisboa, tradição
quarta-feira, janeiro 13, 2010
réstia de azul
a leitura dos sinais
Olhando para Nascente poder-se-á encontrar a explicação, mesmo que parcial seja, pois o firmamento apresenta-se de negro profundo, indicativo de chuva forte, quiçá de trovoada que transformará o final de tarde em momentos de tormenta.
A intensidade e a frequência dos estridentes guinchos, quem diria que dos mesmos bicos nascem em tempos de bonança maviosas sonoridades, aumentam a cada momento. Os voos são cada vez mais rápidos, numa retirada extemporânea e apressada.
Curiosamente do lado Poente, lá em baixo espraia-se o mar azul que vindo da linha do horizonte vem beijar as doiradas areias das praias, o céu está azul e sem nuvens. Isso leva a que a luminosidade do fim de tarde seja muito estranha, contrastes fortes de tonalidades de cor e marcados espaços de preto e branco.
De súbito deu-se uma brusca acalmia meteorológica e, do mesmo modo, da agitação dos melros. Estes últimos haviam encontrado os seus ninhos onde se acolheram. Passados instantes foi a violência do temporal que tomou o lugar da acalmia momentânea. O sentido apurado das avezitas tinha evitado danos maiores.
Etiquetas: melros, minha terra
terça-feira, janeiro 12, 2010
cauteleiro sem sorte
oitava... sexta
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Percorro insanos caminhos sem cansaço
Subo montanhas e desço desfiladeiros
Quando necessário estugo meu passo
Teus olhos guias do firmamento luzeiros
Prometem o enleio o afecto de teu abraço
Nómadas dos sentires somos parceiros.
E no final dos tempos que começam
Terminam as promessas que professam.
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segunda-feira, janeiro 11, 2010
ascensor da glória
o ambiente agradece
Este grupo designado “Vamos Limpar Portugal” está a receber adesões individuais de quem queira participar voluntariamente nesta acção cívica. Para o efeito e para um melhor conhecimento de todo este projecto aqui fica o convite para visitarem o respectivo sítio na Internet, em Vamos Limpar Portugal.

Etiquetas: acção cívica, campanhas
domingo, janeiro 10, 2010
testemunha milenar
cantar as janeiras na charneca de caparica
Supõe-se que as Janeiras estejam relacionadas com os cultos pagãos, desenrolando-se no mês do deus romano Jano, de Janua que significa porta, entrada. Esta figura da mitologia romana, representada com duas caras, encontra-se fortemente ligada à ideia de entrada mas, muito em especial, à noção de transição, de conhecimento do passado e do futuro.

O cantar as Janeiras na Charneca de Caparica perde-se nos fumos dos tempos e da memória, mas estabelece sempre uma estreita ligação entre o mar, ali tão perto, e a actividade das pessoas, mais ligada aos campos, actividade rural, pois o mar era difícil de domar, era “mar macho” no dizer dos pescadores, na grande maioria dos meses do ano, facto agravado pela fragilidade das embarcações de então.
Mesmo juntinho à praia
Continua a ser rural
Conserva em toda a raia
Um belo e extenso pinhal

Ainda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada.
Boas Festas, Boas Festas
Boas Festas de alegria
Que as manda o Rei do Céu
Filho da Virgem Maria.
Viva lá senhor ...
Sua cara é de sol
Coberta de diamantes
Com safiras ao redol.
Levante-se lá senhora ...
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as Janeiras
Ou de carne ou de chouriça.
Viva lá senhor ...
Raminho de bem-querer
Se a sua pipa tem vinho
Venha nos dar de beber.
Acabadas estão as festas
Embora venham os Reis
Vede lá por vossas casas
As Janeiras que nos deis.

As cantorias deste ano foram entoadas pelo grupo do “Cantar as Janeiras”, pertencente ao Clube Recreativo Amigos da Quinta da Saudade e acompanhados pelos populares artistas Simara e Alex que se deslocaram utilizando um autocarro com mais de 60 anos de existência. Aqui fica a letra de um outro cantar que foi dedicado no decorrer do “Cantar as Janeiras” à povoação de Charneca de Caparica:
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Um jardim em cada casa
Mas que bem que te fica.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Tens p’ra todos um abraço
De amizade muito rica.
Quem passar p’ra outra margem
Seguindo a via do Monte
Tendo atenção à rodagem
Há-de encontrar uma ponte.
Se virar p’ro lado esquerdo
Não tem nada que enganar
O caminho é sempre em frente
E vai mesmo lá parar.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Um jardim em cada casa
Mas que bem que te fica.
Charneca, linda Charneca
Charneca de Caparica
Tens p’ra todos um abraço
De amizade muito rica.
Há quem chame a esta Vila
O lugar da felicidade
Porque o ar que cá se inspira
Tem sabor a liberdade.
Mesmo juntinho à praia
Continua a ser rural
Conserva em toda a raia
Um belo e extenso pinhal.

Etiquetas: charneca de caparica, janeiras, tradição
sábado, janeiro 09, 2010
tejo de azul mar
cantar as janeiras na aldeia
Por aqui e por ali andámos e com a ajuda do S. Pedro que durante algum tempo “mandou” que a chuva fosse cair a outras terras que destes usos e costumes estão alheias, cumprimos o destino traçado aos andarilhos, aos caminhantes e aos nómadas dos sentires na boa companhia de quem nos quer bem, no festejar de um petisco acompanhado com tinto de boa cepa.

Boas Festas, Boas Festas
Boas Festas vimos dar
Venham-nos dar as Janeiras
Se nos as quiserem dar
Estas casas não são casas
Estas casas são casinhas
Tantos anos viva o dono
Como ela tem de pedrinhas
Levante-se lá senhora
Desse banco de cortiça
Venha-nos dar as Janeiras
Ou morcela ou chouriça
Senhora que está lá dentro
Nesse banquinho de prata
Venha-nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata
E “os da casa” lá vinham receber as Boas Festas os desejos de um Feliz Ano Novo e ajudarem a compor a cesta com mais uma garrafa de vinho ou com uma chouriça, e então “de roda” saía mais uma cantoria musicada com ferrinhos e reco-reco e outros instrumentos populares, onde pontuava a concertina e o cavaquinho tocados pelas mãos sabedoras e mágicas de Rita e Vítor Reino, dos Maio Moço…

Ai lé, piro-lé. Ai ló
De noite pelo escuro
Ai lé, piro-lé, ai ló
Bem de certo quer saber
Ai lé, piro-lé, ai ló
Se o seu vinho está maduro
Ai lé, piro-lé, ai ló.
Se alguma mão mais avara nada deixasse na cestinha e testemunhámos que isso não aconteceu, teria que ouvir:
O toucinho é muito alto
A faca não quer cortar
Estes barbas de bagaço
Não têm nada para dar
Lá para as tantas para reconfortar das andanças e dos cantares um convívio de fim-de-festa juntou muitos aldeões que quais reis do Presépio partilharam comes e bebes da tradição.

Etiquetas: aldeia lar, janeiras, tradição
sexta-feira, janeiro 08, 2010
flor do açafrão

Etiquetas: flores da mata, postais
falésia cobreada
Tonalidades de verde
Pinheiros mansos e bravos
Aroeiras
Medronheiros
Acácias que vão florir
De fulgente dourado
Transporta no sonho
O céu de outro mar
As falésias cobreadas
O mar azul
De tamanha exuberância
Artística sensibilidade
Miríades de cambiantes
Inesgotável imaginação
Tentação irresistível
Infinita de um olhar
Etiquetas: mata dos medos, poesia
quinta-feira, janeiro 07, 2010
mata dos medos
oitava... quinta
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*
*
Percorro insanos caminhos mar de sargaço
Navego aguadas gigantescas e tenebrosas
Ergo-me erecto e vertical qual valentaço
Nas ondas cavadas profundas, tumultuosas
Evoco as ninfas e os deuses do parnasso
Que por mim entoem poesias espantosas.
Depois de tanto navegar mares e marés
Arrojo-me reconhecido a seus pés.
*
*
*
quarta-feira, janeiro 06, 2010
contador de vidas
a magia da romã
A romã é um fruto envolto em muita fantasia, desde os tempos imemoriais, dizendo-se da magia que nos protege e dá felicidade, tendo cada um dos seus componentes um efeito especial. Desde as varas da romãzeira, árvore das romãs, até aos bagos do fruto, passando pelas flores e pela sua casca, todos os elementos representam na tradição popular, fontes de magia e de encantamento.
A romãzeira é uma árvore, normalmente, de porte reduzido mas muito vistosa, donde pendem os frutos cuja Natureza lhe concedeu um terminal em formato de coroa real. Não é estranho, pois, que à volta de este fruto muitas lendas e tradições se tenham criado com o passar do tempo.
Conta a tradição que a romã era utilizada pelas bruxas para controlarem os seus fogosos cavalos. Também os druidas queimavam varas da romãzeira nos seus ritos de adivinhação para que os espíritos do saber respondessem às suas perguntas, esclarecessem suas dúvidas.
A romã e a romãzeira são usadas na sua totalidade em benefício do ser humano. O chá preparado com a casca do fruto é usado em gargarejos para curar aftas. As folhas da romãzeira cozidas dão um excelente colírio para lavar os olhos quando inflamados. As flores em infusão usam-se para aliviar cólicas intestinais e para combater inflamações nas gengivas.
Na magia branca, a casca da romã deve ser comida para aumentar a fertilidade. Se for seca, pode ser adicionada ao incenso para atracção de riqueza e de dinheiro. Nas artes da adivinhação os “especialistas” conseguem “ler” nas bagas da romã. O suco da romã substitui o sangue ou a tinta mágica nos rituais de iniciação.
A romã é considerada o fruto mágico da sorte, muito utilizada, hoje em dia, nas festividades de final de ano. É costume formular-se um desejo antes de comermos cada uma dessas sete bagas (sempre sete!) para que sejam satisfeitos o ano que se vai iniciar.
Dá fortuna e bem-estar guardar de ano para ano um pequeno saco de linho com uma coroa da romã, um pedaço de pão e uma moeda de meio-tostão, agora uma moeda de 1 cêntimo, a mais pequena de todas.
Ao “cancioneiro popular” fomos buscar esta toada:
“Fui colher uma romã
Estava madura no ramo
Fui encontrar no jardim
Fui encontrar no jardim
Aquela mulher que amo.
Àquela mulher que amo
Dei-lhe um aperto de mão
Estava madura no ramo
Estava madura no ramo
E o ramo caiu ao chão.”
Etiquetas: dia de reis, romãs, tradição
terça-feira, janeiro 05, 2010
romã, a jovem deusa
do natal aos reis
Primeiro, são as festas natalinas tão ligadas à família, a Missa do Galo, a Consoada, a magia do Menino Jesus, comercializada recentemente com o “cocacoleiro” Pai Natal, adaptação americana do São Nicolau feita cerca de 1930, cultura e tradição feitos à pressa por quem tem dinheiro mas não tem verdadeiramente passado, ou o destruiu com o renegar da cultura índia.
Depois, a Passagem do Ano, a festa de fartas comezainas e não menores bebedeiras, o Revevillon, termo francês que evoca o início de uma nova etapa. Para muitos, momento de meditação, de paragem para continuar com mais força. Para o comércio tradicional, o momento de balanço, o saber instantâneo dos teres e haveres.
De seguida, caminha-se para o Dia de Reis. O Bolo-Rei, as rabanadas e a romã de que se guarda para o ano a respectiva coroa acompanhada de meio-tostão, agora 10 cêntimos do Euro, na perspectiva de um ano feliz e afortunado, um Ano Novo cheio de prosperidade, muitos diziam noutros tempos “cheio de propriedades”.
Bolo-Rei que encontra a sua origem mais remota no bolo de frutos secos que os romanos trocavam entre si como forma de desejarem boa fortuna, chegando a juntar-lhe uma pequena lembrança simbólica no seu interior e que a inculta União Europeia e os apaniguados da asai recentemente proibiram.
A Festa de Reis ou a festividade do Dia de Reis tem origem no culto católico e destina-se a comemorar a chegada dos Reis Magos ao presépio. Na gruta em que nasceu o Menino Jesus festeja-se, dessa forma, a oferta das prendas de nascimento por parte dos Reis poderosos. Isto passa-se no tempo do Rei Herodes.
“Os três Reis Magos chegaram do Oriente a Jerusalém guiados por uma estrela que os conduziu até o berço onde estava o Menino Jesus com sua mãe Maria e seu pai José, o carpinteiro”. Os Reis Magos eram o Melchior, um respeitável ancião, Gaspar, um jovem branco, e Baltazar, um homem de raça negra e barba esbranquiçada. Com a sua chegada, os Reis Magos anunciaram ao povo de Jerusalém que havia nascido o rei dos judeus em Belém. Ainda que todo o povo tenha ficado alarmado, Herodes lhe deu permissão de viajar até Belém na busca do menino.
Os três Reis ficaram alegres ao vê-lo e ofereceram seus presentes: ouro, incenso e mirra. Depois disso, regressaram a sua terra por outro caminho, com medo da reacção de Herodes. Desde então, o dia 6 de Janeiro é celebrado em muitos países pela chegada dos Reis Magos, os Três Reis do Oriente. Neste dia, é considerada uma tradição dar presentes às crianças em alternativa ao Dia de Natal.
A chegada dos Reis Magos tem lugar na noite de 5 de Janeiro, em Espanha assinalada com a chamada “Cavalgada dos Reis Magos” que traz às “calles” multidões, especialmente, a criançada que festejam, assim, aqueles que durante a noite irão colocar as prendas nas suas chaminés, nos seus sapatinhos, nas suas meias.
Neste dia, em Portugal, come-se o Bolo-Rei e, igualmente, algumas bagas de romã, com o significado de desejar felicidade.
Este é, igualmente o percurso do Presépio: o nascimento de Jesus, do Menino Jesus; a Boa Nova ao Mundo; e a chegada dos reis magos, Belchior, Gaspar e Baltazar com as oferendas simbólicas de ouro, incenso e mirra, representando a realeza, a divindade e a imortalidade do Menino Jesus, para muitos o Rei dos reis.
Entretanto, o Povo aproveita a época para dar azo à sua versatilidade, muitas vezes ao seu dizer irónico e à necessidade de dizer algumas verdades, e Canta as Janeiras e os Cânticos dos Reis, de tamanha riqueza e conteúdo social que bem merecem um estudo profundo por quem para isso tiver saberes.
Numa destas noites de invernia, sentados à mesa do café, “caturrávamos” disto e daquilo, dos usos e costumes das gentes do Povo, da tradição das nossas aldeias, mesmo daquelas mais recônditas, quando “saltou” para cima da mesa esta questão: “Seria Jesus aquela criança do Povo, filha de carpinteiro e de Maria, sem teres nem haveres familiares?”.
Se nos abstrairmos dos contos e das lendas, da imaginação e do crer, das grandes construções literárias e das traduções com origem em fontes diversas, das interpretações ao sabor da dominante temporal seria lógico que os reis do Universo, simbolizados pelos três Reis Magos, viessem de longínquas terras homenagear um menino do Povo?
Etiquetas: dia de reis, tradição
segunda-feira, janeiro 04, 2010
misteriosas quimeras
mais 27 versos
Cordas de água
Inundam campos
Veredas
Trazem desolação
E o pão
Germinam as sementes
Logo espigas
Depois rico cereal
Os raios
Rasgam os céus
Abrem minas
Quando são secas
As medonhas trovoadas
Mais água que corre
De ténue fio
Até ser rio
E depois mar
As enxurradas que arrastam
A vida
Até à morte
Mas são elas a própria vida
O húmus do devir
A fertilidade
O ciclo que se repete
No tempo
Que a vida percorre
Desde a fonte até à foz
Etiquetas: poesia, vinte e sete
domingo, janeiro 03, 2010
torre sineira
em 2009 gostámos…
Festejos Populares e Tradicionais
Encontros e Colóquios
Espectáculos e Performativos
Sítios de Comida
Museus e Exposições
Viagens
Viagens Vínicas
Festejos Populares e Tradicionais
É uma atracção que vem do fundo dos tempos, é telúrica porque intensa, a partir de vales e serras, de maciços graníticos e calcários, e das gentes. Pouco mais de uma quarentena de pessoas são os habitantes da aldeia de Barrenta, no concelho de Porto de Mós. Anualmente aqui se encontram multidões ao som de um instrumento tão antigo como a própria aldeia: a concertina.
Barrenta, a aldeia com tamanho poder de atracção, situa-se num vale cavado entre serranias, donde se destacam pela sua grandeza e encantamento as serras D’Aires e dos Candeeiros que no seu interior profundo escondem maravilhosas grutas onde enormes estalagmites e estalactites marcam o caminhar dos tempos, milhões de anos de mistérios e de segredos.
Encontros e Colóquios
Destino que também poderá ser fado, pois primeiro que o fado nasceu o fadista, como muito bem referiu um sábio destas coisas. Fadista que foi esculpido na luta, luta dura verdadeira entre homens, por um penetrante e belo olhar de mulher.
De tudo isto e muito mais nos falou Arlindo de Carvalho, o melhor autor e compositor da música portuguesa da última centúria, com mais de mil canções e fados cantados pelos maiores representantes desta musicalidade. Exilado por motivos políticos nos tempos da ditadura nunca foi um exilado social, vivenciando sempre o sentir da portugalidade.
Espectáculos e Performativos
“…as pessoas passam pelo tempo ou o tempo passa pelas pessoas?”, uma eterna questão que muito tem a ver com “o tempo que passa” no sentir dos seres humanos e que de forma magnífica Einstein respondeu… ou não?
Integrado na Mostra Internacional de Teatro de Oeiras, o grupo brasileiro Intrépida Trupe apresentou no pavilhão da Fundição de Oeiras um espectáculo que “é a leitura de um grupo de actores-acrobatas que fala da física através da acção física” da obra de Alan Lightman “Sonhos de Einstein”.
Sítios de Comida
Costuma muitas vezes dizer-se que uma boa comida faz bons amigos. Num número semelhante de ocasiões é afirmado que a reunião de um grupo de bons amigos dá origem a uma boa comida. Na verdade, o pleno é realizado na conjugação destas duas verdades, juntarem-se bons amigos à volta de uma boa comida, os olhos brilham deste bem-estar conseguido.
Numa zona tradicional da Lisboa ocidental, em sítios que já foram de quintas e palácios, de hortas e de piqueniques, onde na primeira metade do século passado havia corrupio na procura das típicas tascas dos arrabaldes, seis comensais, amigos sobretudo, entraram n’A Galé dos Manos e foram recebidos atenciosamente pelo senhor Jaime.
Museus e Exposições
O Museu do Vinho Bairrada em Anadia apresentou pela primeira vez a público aquela que é a maior e mais importante colecção de saca-rolhas Portuguesa. Esta colecção pertencente aos herdeiros do Comendador Adolfo Roque encontra-se entre as maiores do mundo pertencendo ao clube estrito de coleccionadores a que estatutariamente somente podem pertencer os 50 melhores.
Esta valiosíssima colecção reunida pelo saudoso Comendador Eng. Adolfo Roque e cumprindo uma vontade sua, estará agora exposta no Museu por acordo entre os herdeiros da família e a Autarquia de Anadia. Esta exposição passará a integrar o espólio permanente do Museu o que constitui um enriquecimento do património material e imaterial da Anadia e de Portugal.
Viagens
Manhã cedo, estômago reconfortado com um lauto pequeno almoço (desanuyo) tomado em terras de Muga, ao caminho nos fizemos com destino à Estação Biológica Internacional, situada a norte da barragem de Miranda do Douro e em cujo ancoradouro embarcaremos no navio ecológico “Escua”, com capacidade para 120 pessoas e equipado com os mais modernos meios de não intrusão no sistema ecológico
No tempo de espera de embarque, num amplo espaço debruçado sobre as águas tranquilas do rio Douro Internacional, podemos observar os cuidados que existem por parte desta parceria transfronteiriça, através do Centro de Turismo Ambiental Luso-Espanhol, a quem foi atribuído o 1º Prémio Nacional de Turismo, na manutenção da qualidade ambiental e da preservação dos meios naturais.
Viagens Vínicas
No programa da nossa visita estava inscrita uma visita cuidada à adega, uma prova de vinhos, um repasto de degustação de produtos da região e uma visita (caminhar é preciso!) às vinhas. A passagem pelas varandas da Quinta tornou-se quase um ritual do dia. Sempre fomos acompanhados pelos aromas únicos da planura alentejana, pelos cálidos sons da música do norte de África, pelo esvoaçar das andorinhas e dos bandos de estorninhos e lá mais ao longe pela amplitude das asas de uma águia-real.
...mas no ano de 2009 gostámos, acima de tudo, da vossa presença e companhia
sábado, janeiro 02, 2010
vermelhas bagas
as luas de 2009
Exemplo recente e concreto o MAIS COMPLETO FALHANÇO nas negociações realizadas no final do passado ano na Dinamarca. Mais alto do que a PRESERVAÇÃO DA EXISTÊNCIA do ser humano, falaram os interesses geopolíticos, de manutenção do poder na mão de um número restrito de seres humanos (??), a hegemonia do poder, a força das armas, da guerra.
Acreditamos, contudo, na força regeneradora da Natureza e na capacidade do Ser Humano se superar quando a sua própria existência está ameaçada. E ACREDITAMOS NA LUA, NA LUA CHEIA…
E agora que o Janeiro tem o seu início e como diz o adágio popular “Luar de Janeiro não tem parceiro” vamos recordar as luas do ano de 2009

“as noites enluaradas de lua cheia exercem certo fascínio” [Mariazita]
“lua, a eterna musa dos poetas, dos enamorados” [Isamar]
“eterna feiticeira que atrai os namorados e amantes” [Mariazita]
“quando não encontro a lua no céu, é aqui que venho procurá-la” [Maria João]
“e os olhos enchem-se-me de um mar de prata decalcado no veludo azul-negro da noite” [Gasolina]

“a lua é uma dama sempre linda” [Lis]
“o céu totalmente estrelado e a lua a brincar toda vaidosa” [Fatyly]
“a lua tem inspirado poetas e loucos como só uma beleza tamanha como ela consegue” [Sara]
“que linda a lua cheia, um sorriso e uma paixão” [Paula]
“convidou-me para um passeio...e que passeio à beira mar e ao luar” [Lilá(s)]

“tantas vezes que dou por mim a olhar a misteriosa lua” [Milu]
“lá está ela com toda a sua beleza e esplendor” [Lilá(s)]
“quando falas na lua, sabes que ouço o chamado” [Nour]
Etiquetas: lua, lua azul, luar